Timão e Galo cometeram mesmo “pecado capital”

Leia o post original por Mion

Xavi  e Sergio Ramos ganharam a Copa de 2010 e continuam no Barça e Real. No Brasil isto não seria possível.

Xavi e Sergio Ramos ganharam a Copa de 2010 e continuam no Barça e Real. No Brasil isto não seria possível.

O futebol brasileiro evoluiu em alguns aspectos, entretanto em outros permanece intacto, cultura e mentalidade imutáveis. Quando um time atinge títulos fatalmente sofrerá desmanche e quando isso não ocorre a sequência não é das melhores. O ambiente muda e os mesmos jogadores não rendem 50% daquilo que mostraram no ano anterior. Tanto Corinthians, quanto Atlético Mineiro sofreram do mesmo mal, vencedores em 2012 e 2013, melhores do Brasil e da América do Sul (Timão foi mais longe, melhor do mundo) conseguiram manter os elencos para o ano seguinte.

A ganância de empresários e jogadores brasileiros complica tudo, afastam qualquer possibilidade de que se concretize a continuidade do trabalho. Querem aproveitar bons momentos como se fosse a única chance da vida. Nos últimos 20 anos a busca constante por contratos milionários mexe com a cabeça deles. Quando o Timão ganhou Mundial tenho certeza, maioria dos jogadores achou que jogaria na Europa ou receberia proposta irrecusáveis. Não aconteceu e isto afetou diretamente na motivação. O elenco corinthiano tinha idade avançada. Hoje clubes querem jovens que possam render um grande lucro no futuro.

Alessandro, Danilo, Emerson, Ralf, Chicão, Jorge Henrique entre outros na faixa dos 30. Até mesmo o heroi da conquista, Guerrero jogou 7 anos no Bayern de Munich. Na Europa a mentalidade profissional é diferente: Barcelona ganhou tudo e nem por isso Messi, Xavi, Iniesta e outros campeões pensaram em sair, tanto que estão até hoje. Nem a conquista da Copa do mundo em 2010 mexeu com as estrelas espanholas. Xavi por exemplo, recebeu propostas milionárias do futebol inglês e italiano. Recusou todas porque estava bem no Barça, ganhava o suficiente. No mês passado renovou seu contrato até o final de 2016 em três dias de negociações. Já conquistou sua independência financeira, mas não precisa ficar milionário e muito menos encher os bolsos de empresários.

O presidente Kalil após desclassificação do Galo, diante dos colombianos, assumiu a culpa do fracasso. Além de se arrepender da contratação do técnico Paulo Autuori, também se esforçou em manter a mesma equipe em busca do bi da Libertadores. Não precisa ser expert para constatar queda de rendimento de Ronaldinho Gaúcho, Tardelli, Jô entre outros. O menino Bernard saiu rapidinho, não precisou de esforço.

A explosão emocional de Diego Tardelli após ser substituído por Levir no jogo diante do Nacional não foi ato isolado, apenas a gota d’água. Tardelli queria sair e aproveitar a badalação da Libertadores 2013. De repente o tempo passou e deparou com desclassificação prematura. Cai por terra todo aquele sonho de jogar em grande da Europa, milhões no bolso.  Diego está com 29 anos, ultrapassado para os grandes europeus. Caso saia terá que contentar em se esconder na Ucrânia, Rússia, mundo árabe ou China. A negociação no começo do ano seria bem mais vantajosa, a conquista da Libertadores ainda repercutia no mundo inteiro. Hoje ênfase é de fracasso e desclassificação antecipada. Depois disso Tardelli se rceuperou e voltou a jogar em alto nível tanto que chegou na seleção, mesmo assim próximo dos 30 anos tem que almejar um contrato vantajoso para encerrar a carreira com futuro garantido.

E Ronaldinho? No caso dele, estava mordido. Saiu do Flamengo como acabado, precisava mostrar que ainda tinha “lenha pra queimar”. A conquista da Libertadores o colocou no topo novamente. Agora voltou a ser aquele R-10 descompromissado com o clube disposto a curtir a vida. Kalil jamais vai confessar, mas quando o Panatinaikos da Grécia tentou sua aquisição, devia ter liberado. Eliminaria um dos problemas. Faltava alguém para empurrar R-10 pra fora, Levir foi o homem apoiado pela credibilidade que tem junto à torcida e diretoria. Hoje o Galo começa a reagir, mas na realidade perdeu muito tempo.

Pensar em trabalho de médio e longo prazo no Brasil é muito complicado. Dirigentes devem aceitar que a situação do elenco não é diferente a do técnico. Todos têm prazo de validade, seja na vitória ou na derrota. É questão de um curto espaço de tempo.