Passado o circo, deixemos de palhaçada

Leia o post original por Luiz Nascimento

Após mais um espetáculo do absurdo no circo que tem se tornado o Superior Tribunal de Justiça Desportiva, é hora dos homens que “dirigem” o clube levarem a sério a realidade da Portuguesa. Parece cada vez mais nítido que, por mais que a torcida queira que a Lusa lute por seu direito até a última instância, a cada passo que a diretoria dá piores as coisas ficam. Acaba-se escancarando, dia após dia, um amadorismo crônico capaz de transformar a defesa de uma luta legítima em um palco de humilhação e subserviência. Portanto, pensemos então na realidade.

Por mais injusto, absurdo e descabido que seja, a Portuguesa está na Série B e disputará essa divisão. O clube perdeu 3 pontos, o presidente foi afastado por 240 dias e, tanto Ilídio Lico quanto o filho, terão de pagar uma salgada multa que soma 180 mil reais. Oficialmente, Roberto dos Santos, que é o vice-presidente do clube, assume a presidência no período. Isso se dissipados forem os boatos de que Lico esteja pensando em renunciar ao cargo. Independente disso tudo, há algumas obrigações que qualquer “mandatário” precisa assumir.

 

Já se fala que um dos desdobramentos do mais recente “julgamento” do STJD pode ser a saída do técnico Argel Fucks. Não por deficiência técnica ou por maus resultados dentro de campo, mas pelas declarações no “tribunal”. Não é preciso ser torcedor da Portuguesa para saber que o futebol rubro-verde precisa de mudanças profundas. Elas passam desde a real capacidade do treinador para montar e gerir um elenco com condições de lutar pelo acesso à Série A até a formação de um plantel com peças minimamente qualificadas para ser competitivo. Talvez a Lusa não tenha ambos.

É preciso, para ontem, contratar peças de qualidade. Tom precisa assumir a meta da Portuguesa já na próxima partida e, caso não se confie nele – sabe-se lá por qual motivo –, enquanto isso é necessário correr atrás de outro goleiro. Glédson, há tempos, não deveria mais estar ali. É preciso contratar pelo menos um, para não dizer dois zagueiros. Um com mais experiência e outro com mais qualidade técnica. No meio-campo e nas laterais, por mais que a armação sempre seja carente de bons nomes, talvez sejam os únicos setores que enganam minimamente. Porém, no ataque, não há desculpa. A Lusa precisa de ao menos dois bons nomes. Um deles para ser o Bruno Mineiro e o Gilberto dos dois últimos anos.

Certamente cairemos nas desculpas habituais de que não há dinheiro e muito menos interesse de jogadores em vestirem a camisa da Portuguesa. Com relação a indecisão de qual divisão jogar não há mais dúvida. Claro que a dificuldade financeira é legítima e tem suma importância. Porém, que tal admitir que o Departamento de Futebol está sendo muito mal gerido? Há pessoas de gestões passadas com currículo catastrófico no clube e outras que sequer têm relação com o mundo da bola. Esse é apenas um dos legados da “chapa única” nas últimas eleições internas. Que fique claro: contra a “pacificação” do clube nunca fui e nunca serei. Mas, desde quando prometer cargos, instaurar uma guerra velada e comprometer a vida da Portuguesa é pacificar?

Antes de falar sobre isso, um último ponto. A ventilada parceria com o Audax, em outros tempos, seria considerada completamente descabida e absurda pelos lados do Canindé. Muitos diriam que seria prostituir o clube para empresários, jogar a história da Portuguesa no lixo e se apequenar. Ainda mais porque uma das exigências é que a cota financeira do ano que vem seja repartida. Porém, o elenco da Lusa é tão fraco, as peças de reposição trazidas são de tão baixo nível e a incapacidade dos homens que comandam o futebol do clube são tão ridículas que passa a ser plausível. Digo isso porque há quem diga que, após o mais recente “julgamento” do STJD, a parceria voltou a ser ventilada.

 

A atual diretoria da Portuguesa precisa se despir do coitadismo e das justificativas de colapso financeiro e caos instalado. É preciso agir para que o clube não seja rebaixado à Série C por esforço próprio. Sim, esforço. A briga de egos e vaidades sempre existiu no Canindé, porém, talvez nunca com tanta intensidade entre tantas pessoas dentro de uma mesma diretoria. Cada um rema para um lado e o clube vai afundando. Mudanças precisam ser feitas imediatamente no Departamento de Futebol. Seja no elenco, seja na comissão técnica, seja na pífia e risível diretoria. Com esse time e com as mudanças feitas até então, cairemos.

O circo do STJD parece ter chegado ao fim, portanto, deixemos de palhaçada pelos lados do Canindé. Já que não há capacidade de lutar por um direito legítimo com coragem, que ao menos abaixem a cabeça para o que é certo: para o trabalho. E cabe ao Conselho Deliberativo do clube, o mesmo que permitiu que Manuel da Lupa trucidasse a Lusa durante 9 anos, ficar de olhos bem abertos com relação à presidência da Portuguesa. O homem forte do futebol da gestão passada, marcada pelo “caso Héverton”, pode comandar o clube nesse período. Com Lico ou Roberto, é preciso escancarar os culpados pelo amadorismo no ano passado para provar que não há rabo preso e nem culpa no cartório. Caso contrário, rua. E, claro, o mais importante: tratar a Lusa com dignidade e vergonha na cara.