São Paulo jogou o mínimo necessário para eliminar o CRB; sistema defensivo continua falhando

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

São Paulo 3×0 CRB

O São Paulo passou na prova básica da Copa do Brasil com nota cinco.

Mereceu a classificação, mas não jogou bem.

Fez o mínimo necessário para seguir no torneio.

No 1° tempo, Osvaldo, jogador que mais deu trabalho aos defensores do CRB, fez o gol depois do cruzamento ruim de Luís Ricardo e da falha da zaga do rival.

De posse da vantagem mínima no placar, o São Paulo, apesar de contar com atletas tecnicamente muito superiores aos do oponente,  recuou, diminuiu o ritmo do jogo, viu o CRB adiantar a marcação e equilibrar as ações.

Depois do intervalo, voltou bem melhor na parte ofensiva e com os mesmos problemas defensivos.

O gol de Lucão, parceiro de Antônio Carlos, logo no começo, após a bobeira de Olívio, que permitiu ao jovem se antecipar e cabecear com força, desnorteou o CRB durante cerca de 10 minutos.

Esse foi o grande momento do São Paulo numa apresentação cheia de oscilações.

Ganso, Pato e Luis Fabiano perderam chances cara a cara com o goleiro Julio César, destaque dos visitantes no Pacaembu.

A qualidade ruim nas finalizações impediu o time de deixar a partida confortável para si antes dos 15 minutos.

O CRB se acalmou e passou a tocar a bola no campo de ataque.

Continuou dando espaços para os contragolpes.

Precisava mesmo correr riscos.

A equipe dirigida por Eduardo Souza aproveitou os problemas crônicos do sistema defensivo do São Paulo, que ficam piores porque Luís Ricardo, um desastre na marcação, atuou na lateral-direita (simplesmente não entende como quem joga nessa função deve se posicionar), e levou perigo.

A dupla de zaga formada por Lucão e Antônio Carlos também cometeu equívocos na marcação dos cruzamentos.

O centroavante Tozin, de frente para Rogério Ceni, aos 27 minutos cabeceou na trave.

Ele apareceu livre, na área, onde deviam estar os zagueiros do adversário.

A jogada começou, foi construída, na região do campo na qual  Luis Ricardo devia estar marcando.

A realidade é que diante de agremiações com mais qualidade, dificilmente o São Paulo, repetindo a apresentação de hoje,  terminaria sem ver o adversário balançar a rede.

O terceiro gol, o da tranquilidade, aconteceu aos 36 graças ao erro do árbitro.

Ele estava muito perto do lance e não viu Ademilson, que entrou minutos antes na vaga de Pato, dono de apresentação no máximo mediana, se atirar após Julio César sair para tentar evitar o gol.

Eis o típico pênalti brasileiro.

O goleiro encosta no atacante, não o derruba, o dito cujo se joga na grama, o apitador sopra seu instrumento de trabalho e aponta para a o local da cobrança do pênalti.

O chute de Rogério Ceni foi ótimo.

Julio César chegou na bola e não defendeu porque ela foi quase no ângulo.

Antes desta falha, a arbitragem havia cometido outras, como nos 3 impedimentos que não aconteceram em lances de perigo favoráveis ao São Paulo e noutro duvidoso contra o CRB.

Na média

Ganso, escalado entre os titulares após criticar o esquema tático de Muricy no empate de sábado passado diante do Coritba, de novo não transformou seu futebol acima da média, que ele mesmo faz questão de elogiar, em jogadas especiais e decisivas.

Também não deu a dinâmica necessária ao sistema ofensivo e nem foi aquilo que o Dr Sócrates chamava de líder técnico.

Cobrou a falta no gol de Lucão, oscilou como seus companheiros e também não brilhou.

O São Paulo precisa jogar futebol melhor e tem atletas para fazê-lo.

O que mostrou contra o CRB não basta para quem pretende conquistar um dos torneios nacionais dos quais participa.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Luis Ricardo, Lucas Silva, Antonio Carlos e Alvaro Pereira; Souza, Maicon e Ganso; Pato, Osvaldo e Luis Fabiano

CRB – Júlio César; Diego Aragão, Marcus Vinicius, Gabriel e Gleidson; Olívio, Johnnattan (João Vitor), Audálio (Marcelo), Geovani, Diego Rosa e Bruno Martins.: Tozin
Técnico: Eduardo Souza

Árbitro: Ronan Marques da Rosa
Auxiliares: Fernanda Colombo Uliana (SC) e Helton Nunes (SC)
Público pagante: 20.853 – Renda; R$ 364.725,00