A física no futebol do Vasco

Leia o post original por Bruno Maia

Quem estudou física no colégio provavelmente ouviu falar em “energia potencial” e “energia cinética”. Nunca soube onde iria aplicar tais conceitos na minha vida, mas hoje em dia, vendo o time do Vasco, descubro que é no futebol. Se o que guardei daquelas aulas está mais ou menos certo – me desculpem os mais entendidos – a energia potencial é aquela que está armazenada dentro do objeto e que permite a ele se pôr em movimento, enquanto a segunda é a que ele adquire durante o movimento. É isso que vejo quando o time joga.

Contra o Oeste – aliás, como tem mulambinho nessa série B, meu Deus! – , mais uma vez foi assim. Você vê que o time pode, que é melhor que o adversário, mas fica ali parado. Aí de repente, ele entra em movimento, confirma o que você imaginava, e deixa aquela pergunta: “Por que tanto tempo de lerdeza?!”. Não pode ser excesso de confiança. O time não tem razão para isso e os jogadores tampouco apresentam currículo que lhes permitam essa marra.

O Vasco ainda procura quem transforme potencial em realização. O segredo para isso é o movimento. Por sorte, nos últimos jogos vêm aparecendo alguém que resolve se mexer um pouquinho alguma hora e aí a coisa anda. Fico imaginando que temos um bom potencial para quando o time inteiro resolver fazer isso ao mesmo tempo! Hoje os pequenos lapsos de movimentação vieram pelo meio, nem tanto pelas pontas. No primeiro tempo, Fabrício. No segundo, Douglas. Pela movimentação, dá pra dizer que Rafael Silva também estreou bem.

Nas laterais, hoje o Marlon saiu para a volta de Diego Renan. Não lembro qual foi o jogo em que Adílson apostou em inverter o Diego para a direita e barrar André Rocha. Gostaria de ver mais isso, me parece a melhor combinação, com maior potencial, e funciona com o 4-3-3 que o treinador vinha adotando no campeonato carioca. Nesse caso, os laterais poderiam atuar junto de Yago e Marquinhos e isso me parece que fará o jogo fluir mais. Ajuda ainda a volta de Guinãzu, reforçando a defesa e dando mais liberdade para Diego e Marlon se alternarem nos ataques.

Ao lado do argentino, me parece a grande questão a ser resolvida. Fabrício, Danilo, Pedro Ken, Aranda e Fellipe Bastos são opções e disputam uma única vaga. Acredito que Fabrício leva vantagem. No ataque, queria muito ver Edmílson e Thalles atuando juntos, mas como só dá pra entrar com 11, eu deixaria o garoto mais tempo.

A outra opção seria abrir mão do 4-4-2, mas isso complicaria um pouco mais a briga do meio de campo. Yago disputaria vaga com Marquinhos e ambos teriam que mudar as características que vêm demonstrando desde que começaram a entrar. De qualquer forma, sou otimista com o caminho que o elenco vem mostrando e acredito que com a pausa para a Copa do Mundo, a coisa vai se ajustar. Começamos a ter um elenco em que titulares e reservas tem um nível similar e permite uma estabilidade maior.

Essa energia que o time tem para gastar está cada vez mais ali e isso aumenta a raiva de não vê-la se realizar. Particularmente prefiro que, se for para alternar o humor, o time comece se movimentando mais e diminua o ritmo no segundo tempo. O contrário desgasta o torcedor, cria uma insegurança grande e, a longo prazo, torna tudo mais difícil. E, na boa, não precisa disso.

Que esse período de porta fechada tenha sido suficiente para aprender isso e tudo melhorar a partir da próxima rodada.