Luxemburgo, o velho treinador ainda jovem

Leia o post original por Milton Neves

Luxa

Exagerando, técnico de futebol é como dono de sauna: vive do suor alheio.

Não exagerando, jogador fica velho e treinador, não.

Tem pelo menos 121,67% da vida útil do atleta.

Só desaparece quando caduco.

Luxemburgo ainda é um menino.

Leão também.

Mas Leão, riquíssimo e consagrado no gol, nem precisa mais do banco de reservas e já está quase jogando no time de Rubens Minelli, Valdir Espinosa ou Paulo César Carpegiani.

Já Luxemburgo, não velho e muitíssimo longe de ser pobre, ainda tem muita lenha para queimar, penso.

Basta ser o que era, o que sempre devia ter feito e o que ainda sabe fazer e ser como poucos: treinador, treinador e treinador!

Mas sempre chegando no clube bem cedinho e saindo tarde da noite.

Nada de manager, filósofo, empresário, construtor de CT, dono ou não de instituto ou conselheiro de jogador.

Aí, creiam, se não tem para ninguém, tem para poucos.

Edmundo pensa assim.

O “Animal”, hoje excelente comentarista, desafeto pessoal e judicial do treinador e o melhor aplicador do que seus gols lhe proporcionaram, odeia Luxemburgo e vice-versa.

Mas Edmundo ressalva: “Luxemburgo é o melhor técnico que tive em minha carreira porque ele sabe tudo”.

Quando do “SuperTécnico” (1999-2001) da Band, os treinadores torciam o nariz para Luxemburgo.

Todos eles.

E todos eles, no entanto, sucumbiam nos bastidores: “Ele é muito bom”.

E então por que tanto fracasso ultimamente na vida do vencedor que explodiu no Bragantino em 1990?

Mais recentemente foi mal no Santos, no Galo, no Flamengo, no Grêmio e no Fluminense, em decepções em cascata.

No Palmeiras, da última vez, não.

O episódio superdimensionado de 2009 envolvendo Keirrison fez três vítimas: o jogador, então estrela e hoje esquecido, Luxemburgo e o Palmeiras, próximo do título.

Belluzzo errou feio ao demiti-lo fora de hora, tanto quanto Carlos Eugênio Simon prejudicou o quase campeão Palmeiras de Muricy anulando absurdamente aquele gol de Obina no Maracanã contra o… Fluminense!

Êta, Fluminense, hein?

Sempre se dando bem.

Agora, não sei se Luxemburgo vai se dar bem na próxima empreitada.

E nem sei aonde.

E o Palmeiras pode ser a grande chance de ele dar a chamada volta por cima.

O então mocinho Paulo Nobre, 20 anos atrás, o tinha como ídolo do tamanho de Evair, Edmundo, César Sampaio, Velloso e etc…

Assim, o hoje presidente do Palmeiras deve gostar de Luxemburgo como nós santistas gostamos de Lima, Clodoaldo, Dorval, Mengálvio e Zito.

Enfim, Luxemburgo e Palmeiras poderiam formar uma união perfeita e até desesperada: um precisando do outro, com extrema urgência.

E não teriam o direito de errar mais uma vez.

Seria a chamada e velha imagem da “união da fome com a vontade de comer”.

Só que no Palmeiras tudo é imprevisível.

E Paulo Nobre, o faz-tudo do Palmeiras, tiraria o foco de si da mesma forma que o velho Marin conseguiu na CBF jogando tudo nas costas largas de Felipão e deu muito certo.

Mas sucesso para o próximo treinador, para o Verdão e para Luxemburgo.

Torçamos a favor porque o mal reverte.

E isso é muito velho também desde os tempos em que o Palmeiras me deixava morrendo de medo mesmo tendo na Vila a “minha” seleção de Pelé.

Foi assim em 1959, 1963 e 1966.

E por que não agora em 2014?

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