São Paulo, ofensivo, e Corinthians, com seu ferrolho, empatam; Majestoso teve poucas chances de gol e resultado justo

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

São Paulo 1×1 Corinthians

Muricy armou um time muito ofensivo, com problemas sérios de marcação na direita porque Luis Ricardo não sabe atuar como lateral e Ademilson, como de costume, jogou mal.

Mano preparou um verdadeiro ferrolho e pretendia explorar esta dificuldade do rival.

O problema do Corinthians foi que chegou na área adversária com poucos jogadores.

Entre o meio de campo e os atacantes, havia muito espaço.

Mesmo assim, o plano estava funcionando até Ganso dar um passe genial para Luis Fabiano, na raça, se antecipar ao zagueiro Cléber, que foi mole no lance, e empatar quando restavam apenas 10 minutos.

O São Paulo permanecia mais tempo com a bola no campo de ataque, tinha iniciativa de atacar, mas o Alvinegro se defendia bem e vencia por 1×0 na jogada construída como o treinador imaginava.

A distância de Luis Ricardo para Guerrero, autor do cruzamento para Fagner balançar a rede logo no começo do 2° tempo, não é admissível no futebol profissional.

O resultado foi justo.

Espero que a arbitragem brasileira seja capaz de manter o padrão de sopro que Raphael Claus mostrou no Majestoso.

Mas não acredito nesta possibilidade.

Parabenizo o árbitro pela atuação no Majestoso, que teve Ganso no São Paulo e Ralf no Corinthians como destaques.

Propostas muito diferentes

O lateral-direito Fagner é veloz, gosta de apoiar, mas tem muita dificuldade na parte defensiva.

Mano Menezes preparou o Corinthians para protegê-lo e marcar bem em todas outras partes do campo.

Petros atuou bem perto do companheiro, aberto no meio de campo que contou com Danilo do outro lado, e Ralf e Guilherme, os volantes, entre eles.

Os laterais e zagueiros corintianos foram muito bem protegidos no ferrolho montado pelo treinador.

Romarinho, que formou a dupla de ataque com Guerrero, acabou participando também do sistema defensivo, pois Luís Ricardo, o lateral direito do São Paulo que não sabe jogar na lateral, pois é razoável na criação e sem menor noção de como marcar, avançou bastante.

O Alvinegro abriu mão de posse de bola ofensiva, do jogador para fazer a ligação entre o meio de campo e os atacantes, mas, mesmo sem atacar muito, tinha a chance de aproveitar o erro de Muricy ao permitir o apoio constante de Luis Ricardo e escalar Ademilson, do mesmo lado, na linha de três do 4-2-3-1 formada também por Ganso e Osvaldo .

Mano observou isso e pediu ao Romarinho, que no começo tinha liberdade de achar o espaço e tentar  receber a bola com liberdade, para ficar a maior parte do tempo na esquerda do ataque, ou trocar com Guerrero, que podia explorar as enormes avenidas deixadas pelo ex-atleta da Lusa mesmo com Souza se desdobrando para fazer a cobertura.

A proposta de Muricy foi oposta a do rival.

Armou um time ofensivo.

Deu liberdade aos laterais e preferiu Ademílson, ao invés de Pabon, junto com Ganso, centralizado, e Osvaldo na esquerda, os três à frente de Souza e Maicon, e atrás de Luis Fabiano, o centroavante.

O treinador pretendia melhorar a qualidade das finalizações e a criação na direita ao escolher Ademílson

Custo a crer que o comandante realmente acreditou que o atleta revelado em Cotia foi bem diante do Coritiba, coisa que não aconteceu,  e mereceu a chance.

Na prática, perdeu marcação em frente ao Luís Ricardo e não ganhou absolutamente nada na parte ofensiva.

Pabon está devendo, porém, na parte tática, física e nos chutes de fora da área, importantes quando se enfrenta equipes fechadas e que marcam bem tal qual neste clássico, ganha do jovem atacante, que é mole e precisa mudar de atitude caso queria destaque na carreira.

Rogério Ceni salva

A consequência das propostas dos treinadores foi o 1° tempo com o São Paulo no ataque tentando. em vão, achar espaço no competente bloqueio do rival, e o Corinthians, mal no contragolpe, quase sem ameaçar.

Houve duas exceções.

Uma quando Ralf avançou e apareceu na linha de fundo, do lado direito, e mesmo com Maicon perto cruzou para Guerrero perder ótima chance e Rogério Ceni fazer uma intervenção muito difícil.

O São Paulo ameaçou uma vez, no único momento que Osvaldo estava na direita e entrou na área para finalizar.

Tirante estes lances, dois chutes de fora, o de Danilo nas mãos de Ceni, e do Ganso, mais perigoso, que obrigou Cassio a executar boa intervenção, foram os únicos momentos de alguma ameaça aos goleiros.

Corinthians aproveita

O Alvinegro fez o gol três minutos depois do período de descanso.

Guerrero aproveitou a malemolência de Luis Ricardo, que ficou longe do atacante e permitiu o cruzamento rasteiro.

Fagner apareceu do ou outro lado, livre, e balançou a rede.

Osvaldo, responsável por marcar o lateral corintiano, acho que não acreditou que o cruzamento aconteceria daquele jeito.

Outro detalhe:

Se os companheiros dele estivessem posicionados corretamente, Osvaldo só precisaria ir até a entrada da área junto com Fagner.

Alvaro Pereira se equivocou ao acompanhar Danilo. Antônio Carlos devia fazê-lo, mas nem teve oportunidade, para o uruguaio ficar na esquerda.*

O Corinthians, apesar de atacar pouco, chegou duas vezes na cara de Ceni e aproveitou uma.

Mostrou inteligência para explorar as dificuldades e neutralizar as virtudes são-paulinos.

Mas, sem ousadia alguma, inclusive na hora de contra-atacar, precisava de uma apresentação perfeita do sistema defensivo, ou de mais um dos raros contragolpes para sair da Arena Barueri com os três pontos.

Mano conservador

Romarinho, aos 16, foi trocado por Luciano.

O titular jogou mal, mas eu teria feito outra mudança.

Danilo estava cansado, o Corinthians não fazia questão de ter a bola, e poderia sair.

O Alvinegro teria contra-ataques por ambos os lados e capacidade de marcação perto das linhas laterais.

Era óbvio que os laterais do São Paulo, que já participavam bastante da parte ofensiva na pior das hipóteses manteriam a postura.

Aos 22, Mano substituiu Danilo por Renato Augusto.

Genialidade, raça e vagareza

Muricy, aos 20, trocou o inoperante Ademilson por Pabon.

Posicionou o colombiano como atacante na direita.

Queria fortalecer a marcação na saída de bola, o chute de média distância e fazer as jogadas de linha de fundo acontecerem.

O time aumentou seu volume de jogo ofensivo.

O Corinthians teve um bom contra-ataque, mas Petros não deu sequência.

O gol de empate aconteceu por três razões.

Ganso achou o único espaço no ferrolho corintiano e deu o passe perfeito.

Lance genial do meia.

Luis Fabiano, na raça, conseguiu, mesmo caindo conseguiu finalizar.

Mas a bola estava mais para o zagueiro Cleber.

Ele bobeou e demorou um segundo a mais que o necessário para dar o chutão.

Foi devagar demais na hora de fazer o óbvio.

Igual

No minuto seguinte ao gol de empate, Boschilia substituiu o Osvaldo.

Aos 39, Bruno Henrique entrou no lugar de Petros.

O São Paulo continuou um pouco melhor no jogo e com dificuldade de superar a boa marcação do Corinthians.

Ninguém articulou mais alguma chance clara de gol.

Resultado justo

Raphael Claus, parabéns!

Aplaudo o árbitro do jogo por não se esconder atrás do apito, tal qual quase todos aqui no Brasil fazem, especialmente nos clássicos que são mais tensos.

Não deu faltas inexistentes.

Permitiu o contato físico normal do futebol.

E manteve critérios iguais na hora de definir se houve ou não as infrações.

No lance em que a bola bate no cotovelo de Fábio Santos dentro da área do Corinthians, acertou ao deixar a jogada seguir.

No futebol real, isso não é pênalti.

Muita gente pede a infração máxima porque torce pelo São Paulo e outros árbitros dão o que chamo de “pênalti brasileiro” em situações parecidas.

Espero que a Comissão de Arbitragem cobre dos colgas de Claus critérios iguais ao dele.

Isso vai melhorar o campeonato e não aumentará a quantidade de falhas de quem é responsável por cuidar das leis do jogo durante os 90 minutos.

Resultado justo.

Ficha do jogo

São Paulo – Rogério Ceni; Luis Ricardo, Rodrigo Caio, Antônio Carlos e Alvaro Pereira; Souza e Maicon. Ademílson (Pabon), Ganso e Osvaldo (Boschilia); Luis Fabiano
Técnico: Muricy Ramalho

Corinthians – Cássio; Fagner, Gil, Cléber e Fábio Santos; Ralf, Guilherme, Petros (Bruno Henrique) e Danilo (Renato Augusto); Romarinho (Luciano) e Paolo Guerrero
Técnico: Mano Menezes

Público: 14.000 pagantes – Renda R$ 244.775,00
Árbitro: Raphael Claus
Assistentes: Rogério Zanardo e Danilo Simon Manis

*Adendo às 23h36