Sicupira, 70 anos, “Zico do Furacão” também merece estátua

Leia o post original por Mion

sicupira   Ontem sábado, dia 10 de maio, Barcímio Sicupira Júnior completou 70 anos. Contar sua história muitos já fizeram, por onde jogou e os gols maravilhosos marcados, entre eles na estréia contra o São Paulo de bicicleta ( veja neste link o gol de estreia  em 1968  http://www.youtube.com/watch?v=EtOE_cJp_io ), entretanto faço esta homenagem ao Sicupa registrando a falta de reconhecimento no decorrer do tempo. Não tenho medo de afirmar, Sicupira está para o Atlético o que Zico representa para o Flamengo, inclusive no estilo de jogar. Sicupira dominava a bola e partia para cima, driblava com facilidade os adversários e fazia belos gols de fora da área, isto quando não servia companheiros com passes mágicos os deixando na cara do gol. Completo, talentoso e genial, enfim um craque.

No Paraná infelizmente há um desleixo e dificuldade em reconhecer seus talentos. Desde 1969 quando acompanho o futebol, ainda criança ao lado de meu pai Rubens, só vi três craques formados no futebol paranaense. Antes que surja algum protesto, estou falando em craque, algo supremo. Excelentes jogadores posso citar dezenas. Craque de verdade, apenas SICUPIRA, KRUGER E ALEX. O atual camisa 10 do Coxa recebe o respeito e veneração merecidos, espero que a torcida alviverde faça o mesmo daqui 20 ou 30 anos. No caso de Sicupira e até mesmo Kruger não aconteceu.  Nesta data tão especial, quando completa 70 anos, Sicupira merece uma estátua na Nova Baixada, assim como o Flamengo fez com Zico, Vasco a Romário e São Paulo fará de Rogério Ceni. O rubro-negro já fez justiça com o fantástico goleiro Caju dando nome ao seu CT. Colocar uma estátua de Sicupira (não interessa o tamanho) na Arena da Baixada será o acabamento ideal para uma obra tão maravilhosa e sonhada pelos torcedores atleticanos. Os deuses do futebol aprovam com certeza e também ficarão emocionados em ver que o tempo não apagou a passagem de um dos mais brilhantes  jogadores que brotaram em terras paranaenses.

Para os mais jovens que não conhecem a história de Sicupa transcrevo abaixo o texto do FURACÃO.COM:

 

ome:Barcímio Sicupira Júnior.
Nascimento:Lapa (PR), 10.05.1944
Posição:meio-campo
Clubes:Ferroviário, Botafogo, Botafogo-SP, Atlético e Corinthians.
No Atlético:1968 a 1976. Campeão paranaense em 1970.

“O craque da 8″. É assim que muitos atleticanos resumem a trajetória de Sicupira no rubro-negro. Como se ele houvesse sido o único jogador a ter vestido essa camisa. O eterno dono da camisa número 8. E não é por acaso. Em oito anos de Atlético, Sicupira marcou 154 gols, tornando-se o maior artilheiro da história do clube. A partir do momento em que vestiu as cores rubro-negras, deixou a sina de que o craque do time seria o dono da 8.

Barcímio Sicupira Júnior passou a infância dentro da Baixada, participando de torneios amadores promovidos pelo Atlético. Porém, por influência paterna, afastou-se do clube, iniciando a carreira profissional no Ferroviário. Em 64, foi jogar no Botafogo, no super-time que contava com estrelas como Garrincha, Didi, Zagalo e Nilton Santos. E, convivendo com tantos craques do futebol brasileiro, Sicupira foi logo aprendendo as lições e os atalhos para se consagrar como um dos maiores jogadores da história do Atlético.

Em 1966, transferiu-se para o Botafogo de Ribeirão Preto. Dois anos depois, um médico torcedor do Coritiba fez o convite para que ele voltasse para a capital paranaense. A proposta tentadora motivou o jogador. Mas, como o grupo coxa-branca estava muito envolvido com a disputa do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, não deu importância ao projeto de craque. Certamente, arrependeram-se anos depois…

Seu passe acabou sendo adquirido pelo atleticano Airton Araújo, que o doou para o clube. Com a camisa atleticana, Sicupira viveu a glória no esporte. Acostumado aos grandes times, manteve a tradição integrando a “seleção” montada por Jofre Cabral e Silva, ao lado de Djalma Santos, Bellini, Zé Roberto, Nilson, Dorval. Um timaço.

Logo em sua estréia no Atlético, deu o cartão de visitas para o torcedor, deixando a certeza de que ali nascia um dos maiores craques da história do clube. Era o dia 2 de setembro de 1968, num jogo contra o São Paulo, na Vila Capanema. Sicupira marcou, de bicicleta, o primeiro dos 154 gols que marcaria com a camisa atleticana, garantindo o empate por 1 a 1. E essa foi apenas a primeira pirotécnica protagonizada por ele, especialista em fazer jogadas que chamavam atenção da torcida: gols de voleio, peixinho, calcanhar, bicicleta, sem-pulo, virada, de cabeça, perna direita, esquerda… Tudo parecia muito simples quando caía em seus pés.

Apesar dos muitos gols que marcou pelo Atlético, Sicupira conquistou apenas um título pelo clube, o Paranaense de 1970, quando marcou 20 gols e foi o artilheiro da competição. Em 72, repetiu a dose, marcando 29 gols e sagrando-se o principal goleador do Estado.

Naquele mesmo ano , o Atlético decidiu emprestar os gols do craque ao Corinthians, para a disputa do Campeonato Brasileiro. Retornou ao Furacão, onde encerrou a carreira em dezembro de 75. Depois que pendurou as chuteiras, decidiu exercer a profissão de professor de educação física. Em 78, teve uma meteórica passagem como treinador do Atlético, mas preferiu seguir a carreira de comentarista esportivo.

Por causa da profissão de cronista, Sicupira vive uma relação distante, apesar de muito próximo, do clube. Preferiu adotar a postura da imparcialidade do que a do comentarista-torcedor. Em 2003, foi homenageado pelo clube com o “Projeto Sicupira”, que leva para diferentes regiões do Estado escolinhas de futebol para colher futuros craques atleticanos. Se as estrelas lapidadas seguirem os passos do padrinho do programa, certamente o futuro do Atlético será reservado por belas jogadas e gols espetaculares.

Sicupira foi eleito para integrar a Seleção dos 80 Anos do Atlético.