A política no Vasco e a política do Vasco

Leia o post original por Bruno Maia

Tem uma galera que fica cobrando que eu fale de política, que eu fale do goleiro mulambo, do julgamento ridículo sobre a final do Roubadão2014… Sério mesmo?! Deixa eu lembrar que isso aqui é VASCO! Nenhum desses temas tem o Vasco como prioridade. Isso é assunto de quem não é Vasco. Essa postura de ficar se preocupando mais com os outros do que com a gente já nos levou ao fundo do poço e eu não embarco nessa nau. Minha caravela é outra, é cruzmaltina e cruza oceanos em vez de ficar encalhada num brejo de urubus.

Dito isso, no reino da burocracia, a única coisa certa é que o mal tende a ganhar. Toda essa confusão envolvendo a eleição já é sintomática de que estamos longe de voltar a ser o Vasco que todos nós escolhemos torcer.

Minha posição é clara: sou contra a volta de Eurico em primeiro lugar. Depois disso, contra a permanência de Roberto. Sou um cara de poucas convicções políticas, talvez a única delas é que a alternância de poder é fundamental à democracia e o Vasco é, por princípio, história e direito, o clube com o maior compromisso ético com a democracia. A rotatividade nos cargos de comando deveria ser obrigatória em todos os níveis em instituições de interesse público e de tipo de poder. Ponto. Fora isso, no caso da presidência do Vasco, isso é uma questão de sanidade, de responsabilidade e de ter alguma esperança, pois sabemos o horror que representa as duas opções de continuísmo. Sendo assim, espero ver a real situação das chapas que vão, ao fim, concorrer, para ter alguma opinião. Sem dúvidas, a possibilidade da entrada de Fernando Horta no pleito, dá uma outra cara a disputa. A questão continua sendo se os eleitores do mensalão terão realmente direito a voto. Se tiverem, isso não será uma eleição e sim uma disputa cretina, digna de intervenção do Ministério Público e todas as esferas jurídicas possíveis.

Sobre a disputa no TJD, também é ridículo acreditar que isso é exigir respeito ao clube. Não é. É nos humilhar ainda mais. Todos sabem que isso não irá acontecer. Além de tensionar mais a relação do clube com as esferas jurídicas, nos expõem a um papel de choro, de constrangimento, de humilhação, que nada tem a ver com a grandeza do clube. Se a diretoria quer exigir respeito, deveria se fazer mais presente e altiva na vida política do futebol brasileiro. Romper com a federação e organizar uma liga. Não entrar em campo quando a Comissão de arbitragem escala árbitros que já prejudicaram o clube antes. Não aceitar que um juiz, cuja esposa disse que o resultado já estava acertado numa rede social, seja mantido para apitar a partida. Isso é ter postura. Ser sério exige correção, cumprimento de deveres, dar exemplo e se fazer respeitado. Gritar no tribunal é ridículo. Fazer alguma questão desse título, mais ainda. Mudar o futebol nunca se fez em tribunais. Nunca. Se fez com medidas fortes e claras, assumindo os riscos que elas tragam. Isso que a gente está vendo, me parece mais jogo de cena de um grupo de advogados e alguém (leia-se, Vasco) vai pagar esses honorários.

Se o clube quer mesmo mudar a relação da arbitragem com o futebol – o que eu defendo piamente -, deveria se posicionar de forma mais contundente. Isso passa por uma gestão mais profissional do interesse de todos os clubes. Enquanto isso for tratado de forma a jogar um time contra o outro, todos saem perdendo e só ganha quem é pago pra ver os circo pegar fogo: leia-se, as federações. Clubes fracos, federações fortes. Vejam o faturamento da CBF e as receitas dos clubes brasileiros. Bater de frente com isso é bem mais complicado do que entrar com recurso, fogos de artifício e papagaiada em qualquer tribunal.

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Dito isso, não pretendo voltar tão cedo a esses assuntos aqui no blog. O Vasco é maior do que todos eles. Temos começar dando exemplo das mudanças que queremos. Mas infelizmente nossas últimas diretorias não são exemplo de nada.