Cruzeiro luta muito, joga pouco futebol, cai diante do San Lorenzo e encerra a pífia participação dos brasileiros na Libertadores

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Cruzeiro 1×1 San Lorenzo

Os times brasileiros, apesar de seus orçamentos muito maiores que os de qualquer equipe doutros países sul-americanos, conseguiram ser, todos, eliminados antes da semifinal.

Na verdade, o único que jogou bem foi o Grêmio durante a fase de grupos.

O Cruzeiro oscilou durante todo torneio.

Diante do San Lorenzo, mais uma vez não conseguiu mostrar o mesmo futebol do título no campeonato brasileiro.

Discordei da escalação de Júlio Baptista entre os titulares no lugar de Ricardo Goulart.

O time perdeu qualidade no passe.

A Raposa também falhou no posicionamento defensivo, situação que aconteceu noutros jogos do torneio.

O San Lorenzo, pragmático e com as linhas do meio e de ataque do 4-4-2 muito próximas uma da outra, tirou proveito de ambas os problemas do rival para fazer o gol e sofrer pouca pressão antes do intervalo.

Além da competência, “El Santo’ teve sorte na última jogada, na qual Marcelo Oliveira chutou e viu a bola bater nas duas traves.

O Cruzeiro só melhorou após Goulart entrar na vaga de Júlio Baptista durante o segundo tempo.

Empatou e ameaçou reverter o momento psicológico muito favorável ao adversário até o momento do empate.

Mas, curiosamente, depois de ficar com um atleta a mais porque o veterano Romagnoli esbanjou falta de inteligência, equilíbrio emocional e foi expulso, a Raposa parou de colocar a bola no chão e apelou para o bombardeio de cruzamentos, que favorecia o adversário.

E desperdiçou a chance de ouro de ser tricampeão da Libertadores, pois tinha o grupo de jogadores de melhor qualidade técnico entre os que ainda disputavam o título.

Discordei

Marcelo Oliveira escalou o 4-2-3-1 com Marcelo Moreno no comando de ataque, Éverton Ribeiro na direita, William do outro lado e Júlio Baptista entre eles na linha de três.

Não entendi a opção pelo último.

Ricardo Goulart é mais habilidoso, criativo e técnico que ‘la Bestia’.

Diante do time fechado, defensivo, com uma linha de quatro no meio e outra na defesa bem era fundamental ter em campo o boleiro que pode, com um passe, achar espaços para colocar o companheiro na cara do gol.

O treinador também devia ter iniciado o confronto com Dagoberto, mas acho que não o fez porque o jogador não está bem na parte física.

Se não foi por isso ou devido a algum problema extra-campo, errou.

O jogo

O Cruzeiro começou pressionando.

Ficou com a bola no campo de ataque, passou bem mais tempo com ela, até sofrer o gol, aos 9 minutos, num dos vários erros defensivos que cometeria ao longo do jogo.

Foi o 1° ataque do San Lorenzo.

O lance teve Bruno Rodrigo marcando na lateral, Samudio fora do lance, Dedé estabanado tentando tirar a bola da área e permitindo o toque de Mauro Matos para Piatti, que balançou a rede ao driblar com muita facilidade o lateral Ceará.

O ‘Ciclón’, após ficar em vantagem, adquiriu enorme tranquilidade.

Frio, passou a tirar proveito da ansiedade do campeão brasileiro.

Bauza posicionou Ortigoza e Mercier como volantes; Villalba, na direita, e Piatti, na esquerda, atuaram na mesma linha deles e tiveram mais responsabilidades.

Os volantes apenas marcaram, enquanto eles precisaram proteger os laterais Buffarini e Emmanuel Más, e ajudar na criação.

Tudo que o San Lorenzo construiu na parte ofensiva começou pelos lados.

Como de novo o espaço entre a defesa e o meio de campo do Cruzeiro foi maior que o aceitável, os zagueiros e principalmente os laterais ficaram desprotegidos.

Nilton, o mais defensivo dos volantes, e Henrique, o que teve mais liberdade de apoiar, não acertaram o posicionamento.

Diante do time bem postado defensivamente, a primeira parte do confronto foi quase toda confortável para ‘El Santo’.

William praticamente sumiu na marcação do lateral Buffarini e Villalba.

Do lado direito, onde Piatti tem dificuldade defensiva e Éverton Ribeiro atuou, a Raposa deu mais trabalho.

Outra opção para tentar o empate antes do intervalo foi a saída de Marcelo Moreno da área para fazer o pivô e permitir a aproximação de seus companheiros, que puderam arriscar chutes de média distância.

A equipe foi incapaz de exercer a pressão tal qual precisava.

Ao contrário: o San Lorenzo, com muito menos posse de bola, perdeu uma chance claríssima de ampliar.

Fabio, como de costume, salvou a equipe no chute de Piatti, livre, depois do contra-ataque argentino com três atletas contra apenas um defensor celeste.

Samudio, mal no confronto, acabara de sair e Egídio, que gosta de atacar e marca mal, de entrar.

A jogada foi articulada no espaço que o reserva deixou.

Azar

O último lance antes do intervalo foi de uma crueldade futebolística imensa com a nação celeste.

No raríssimo ataque pela esquerda, Marcelo Moreno, após o cruzamento, desviou a bola e viu a dita cuja bater nas duas traves antes de sair e ser chutada para longe por um defensor.

O gol podia mudar o momento psicológico que era favorável aos hermanos.

Necessário

Marcelo Oliveira trocou Nilton por Dagoberto na volta do vestiário.

Júlio Baptista recuou um pouco para ajudar Henrique.

Mesmo assim, ambos os volantes participaram da criação.

A troca não funcionou.

O San Lorenzo começou melhor.

Tocou a bola no meio e conseguiu, por alguns minutos, manter o Cruzeiro longe do goleiro Torrico.

A entrada de Ricardo Goulart na vaga de Júlio Baptista, aos 10, deu vida ao sistema ofensivo da Raposa.

Bauza ‘respondeu’ ao trocar o atacante Correa pelo meia Romagnoli.

Queria congestionar o setor, melhorar o passe, aumentar a posse de bola e usar o experiente boleiro para catimbar e cadenciar o jogo.

Mais na base da raça que de forma inteligente, o Cruzeiro continuou em busca do gol.

Obrigou Torrico a fazer duas difíceis defesas no chute de Marcelo Moreno e cabeceio do Dedé, aos 19 e 20 minutos.

Aos 23, após o lançamento de Dagoberto, Marcelo Moreno, que não chegaria na bola, pediu pênalti quando Buffarini o segurou dentro da área.

Na Libertadores, em  regra, os árbitros não sopram penalidades assim, apesar de realmente o atleta do San Lorenzo ter impedido o centroavante de tentar alcançar a redonda.

O Cruzeiro já havia reclamado de pênalti no 1° tempo, sem razão, quando Júlio Baptista provocou o contato com Buffarini e se atirou no gramado.

A arbitragem acertou ao não validar o gol de William em posição de impedimento.

Faltou futebol

Aos 25, Dagoberto, que jogou bem depois de ir atuar na esquerda, cruzou e Bruno Rodrigo balançou a rede.

O empate mudou radicalmente o comportamento do San Lorenzo.

Se perdeu na parte emocional e viu Marcelo Moreno obrigar Torrico a fazer mais uma difícil intervenção.

Bauza mexeu no time para tentar reorganizar o sistema defensivo.

Não esperava que o experiente Romagnoli perdesse a cabeça e fosse expulso.

Com um a mais e melhor em campo, o Cruzeiro podia ir todo para cima, pois o adversário não deixou ninguém no ataque.

Mas os Celestes fizeram isso de forma atabalhoada.

Esbarraram na falta de criatividade da maioria de seus atletas.

Até o final, o Cruzeiro apelou, em vão, para o bombardeio de cruzamentos na tentativa de achar outros gols.

Tentou resolver na marra aquilo que podia fazer com jeito e perdeu a chance de conquistar o tricampeonato nesta temporada.

Ficha do jogo

Cruzeiro – Fábio; Ceará, Dedé, Bruno Rodrigo e Samudio (Egídio); Nilton (Dagoberto) e Henrique; Éverton Ribeiro, Júlio Babtista (Ricardo Goulart) e William; Marcelo Moreno
Técnico: Marcelo Oliveira

San Lorenzo – Torrico; Buffarini, Valdés, Gentiletti e Más; Ortigoza, Mercier, Villalba (Kalinski) e Piatti (Kannemann); Correa (Romagnoli) e Mauro Matos
Técnico: Edgardo Bauza

Árbitro: Martín Vázquez (Uruguai)
Assistentes: Miguel Nievas e Carlos Pastorino
Público: 44.220 pessoas – Renda: R$ 6.678.135,00

Placar Uol

Comentei o jogo, ao vivo, no Placar UOL.

Eis o link para quem tiver curiosidade de ver o que escrevi ao longo do confronto.

http://n.placar.esporte.uol.com.br/futebol/libertadores/?id=2014/05/14/cruzeiro-x-san-lorenzo