Osvaldo e Ganso comandam o São Paulo na vitória contra o Flamengo; movimentação do meia e plano de jogo de Ney Franco ajudaram o time de Muricy

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Flamengo 0×2 São Paulo

A diferença de qualidade individual entre o São Paulo e o Flamengo é grande.

Mas no futebol, o plano de jogo inteligente e bem executado pode esconder a vantagem técnica de uma equipe e tornar o confronto equilibrado.

O de Ney Franco não funcionou.

O São Paulo mandou no 1° tempo e só não fez mais gols porque seus jogadores erraram finalizações simples.

Osvaldo e Ganso foram os melhores em campo.

A boa movimentação do quarteto de atletas que atuam mais adiantados no time de Muricy, formado pela dupla que se destacou, além de Pato e Luis Fabiano, confundiu o sistema defensivo do rival.

Depois do intervalo, após mudanças táticas e na proposta de atuar, o Flamengo passou a marcar no campo de ataque e deu algum trabalho.

Quase empatou no começo.

A equipe foi caindo de rendimento na medida em que o tempo se esgotava e a situação natural, tal qual prevê o futebolês quando a agremiação gigante perde dentro de ‘casa’, é ir para cima e correr riscos.

O São Paulo aproveitou e garantiu os três pontos no contra-ataque puxado por Luis Fabiano e encerrado com outro gol de Ganso.

Não funcionou

Cobrar o treinador que chegou faz menos de uma semana é algo sem cabimento.

Ney Franco, que se enquadra nesta situação, mudou a forma como o Flamengo estava acostumado a atuar com Jayme de Almeiras, mexeu na escalação, e viu seu plano de jogo ruir no 1° tempo.

Ciente da superioridade técnica do adversário e da dificuldade são-paulina de marcar as jogada aéreas, armou a equipe com Paulinho, na direita, e Éverton, na esquerda, do meio campo que contou também com os volantes Luiz Antonio e Márcio Araújo.

O ataque foi formado por Alecsandro e Hernane Brocador, dois centroavantes que podiam entrar na área para o cabeceio.

Eles deveriam tomar a atenção de Lucão e Antonio Carlos, zagueiros escolhidos por Muricy.

O Flamengo atuou nas laterais com Léo Moura e André Santos, perigosos na parte ofensiva e instáveis na marcação, o que reforçava a possibilidade de o time construir lances perigosos pelos lados.

Mas era preciso ter a bola e ficar com ela no campo de ataque ou, na pior das hipóteses para quem atuou em ‘casa’, mostrar qualidade na hora de contragolpear.

O 4-4-2 do novo comandante sequer ameaçou transformar sua ideias táticas em bom futebol.

São Paulo, muito superior

A apresentação de Pato foi de razoável para a boa. jogou de maneira razoável.

Luis Fabiano jogou melhor que ele.

Osvaldo e Ganso foram superiores a todos outros em campo.

O quarteto ofensivo do time de Muricy deu muito trabalho ao sistema defensivo flamenguista e ditou o ritmo do confronto.

O Flamengo não conseguiu fazer a transição da defesa ao ataque com bola e nem impedir o rival de realizá-la.

Viu o São Paulo trocar passes no campo de ataque, criar chances e mandar no 1° tempo.

A movimentação e os dribles de Osvaldo algumas vezes desmontaram o sistema defensivo do adversário.

Ganso também se mexeu mais que de costume.

Se aproximou dos companheiros para tabelar articular os lances de gol, entrou na área do Flamengo no intuito de finalizar e cooperou nos desarmes.

De fato dentro do jogo, e não apenas do campo, por causa do empenho, coordenou junto com Osvaldo o sistema ofensivo do São Paulo.

Maicon e Souza, alternadamente, também ajudaram na criação.

Os laterais Reinaldo e Paulo Miranda avançaram pouco.

Foram bem mais conservadores que Douglas, Luis Ricardo e Alvaro Pereira, os últimos que atuaram nessa função.

Mais de meio gol para Osvaldo

Aos 22, Osvaldo forçou o erro do rival e recuperou a bola.

Recebeu a dita cuja um pouco atrás da linha do meio de campo, avançou com ela, superou o marcador, deu o passe na medida, perfeito, para Ganso, cara-a-cara com Felipe, fazer o gol.

Foi o mentor da jogada desde o começo da mesma.

Ganso também merece destaque não só por causa do chute preciso de frente para o goleiro.

A movimentação dele, tão cobrada pelas pessoas que gostam mais de futebol que de tietar jogador talentoso, foi fundamental porque deu ao Osvaldo uma opção de para criar o lance de gol.

Depois, o São Paulo continuou melhor e só não ampliou a vantagem porque não foi bem na hora de finalizar as jogadas.

Flamengo finalmente entra no jogo

Aos 41, Hernane torceu o tornozelo e precisou sair.

Como o time de Ney Franco não contava com um meia, tinha pouca posse de bola ofensiva, perdia o duelo no meio-campo, falhava na marcação e precisava adiantar todo sistema defensivo, o treinador optou por colocar Elano.

Após o intervalo, o Rubro-Negro cresceu.

Conseguiu fazer a transição de bola da defesa ao ataque, marcou a saída de jogo, dificultou o São Paulo de permanecer com a redonda e explorou algumas fragilidades do sistema defensivo do rival para tentar fazer gol.

Teve chance.

Éverton acertou a trave de Rogério Ceni e pouco errou na hora de servir Alecsandro na pequena área.

Nos bons momentos do Rubro-Negro durante cerca de 20 minutos, a má qualidade no último passe e finalizações atrapalhou a ameaça de reação.

Ney Franco arrisca

Aos 16, o volante Luiz Antonio saiu e o meia argentino Lucas Mugni ocupou o lugar dele.

A ideia de Ney Franco era tornar o meio de campo mais criativo.

Isso não aconteceu porque o reserva não jogou bem.

A saída do volante deixou Marcio Araujo sobrecarregado e abriu mais espaços para os contra-ataques, que o São Paulo pouco aproveitou.

O time de Mauricy caiu de rendimento depois do intervalo.

Só depois de 25 ou 30 minutos conseguiu de novo ganhar o duelo no meio de campo.

Ney Franco, cansado das falhas do esforçado e sem inspiração Éverton, mandou ele descansar e Negueba entrar para ver se o reserva conseguia começar e terminar direito os lances pelos lados do ataque.

Não aconteceu.

Em seguida, Muricy substituiu Osvaldo, que se cansou, por Boschilia.

Aos 39, mandou Pabón entrar no lugar de Pato.

O colombiano marca melhor e tem velocidade para os contragolpes, apesar de não estar jogando bem.

Aos 43, Hudson ocupou o lugar de Maicon também para ajudar o meio de campo nos desarmes.

Demorou para acertar o contra-ataque

O São Paulo tinha muito espaço para contra-atacar desde a entrada de Lucas de Mugni, mas caiu de rendimento no 2° tempo e poucas os aproveitou para ameaçar Felipe.

Aos 45, Luis Fabiano avançou com liberdade na avenida deixada por Léo Moura, cruzou, e Ganso, livre, cara-a-cara com Felipe, chutou.

O goleiro defendeu e, no rebote, o meia ampliou a vantagem e garantiu, de vez, os três pontos ao São Paulo.

Resultado justo.

Ficha do jogo

Flamengo – Felipe; Léo Moura, Wallace, Samir e André Santos; Luiz Antonio (Lucas Mugni), Márcio Araújo, Paulinho e Everton (Negueba); Alecsandro e Hernane (Elano)
Técnico: Ney Franco.

São Paulo – Rogério Ceni; Paulo Miranda, Lucão, Antonio Carlos, Reinaldo; Souza e Maicon (Hudson, aos 43′/2ºT); Alexandre Pato (Pabon, aos 39′/2ºT), Ganso e Osvaldo (Boschilia, aos 31′/2ºT); Luis Fabiano
Técnico: Muricy Ramalho

Público pagante: 19.871 – Renda – R$ 968.230,00
Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro
Assistentes: Guilherme Dias Camilo e Pablo Almeida da Costa