José Maria Marin pede intervenção na seleção! Em 1970

Leia o post original por Mauro Beting

Em 13 de abril de 1970, o então vereador da Arena (partido que apoiava o governo militar em seus piores dias) José Maria Marin pedia intervenção na CBD.

O então edil paulistano, que desde 2012 preside a mesma entidade (CBF, desde novembro de 1979) entendia que a responsabilidade pela crise de então da Seleção de Zagallo não se devia apenas aos dirigentes. “Mas também a uma minoria de comentaristas que confunde patriotismo com bajulação e interesses subalternos”.

Foi o discurso na Câmara Municipal de São Paulo. Marin reclamava da desorganização da equipe e mesmo da comissão técnica, menos de um mês depois da substituição de João Saldanha por Zagallo. “Não há esquema, não há padrão de jogo e nem um quadro de base”. E, de fato, Zagallo ainda não havia definido o time, embora já estivesse diferente daquele de Saldanha.

Na tribuna paulistana, o vereador-comentarista reclamava que nem Pelé estava garantido na equipe titular. E era verdade. Tanto quanto a crítica quanto ao esquema indefinido pelo treinador.

“Somente a dedicação [dos atletas] poderá sanar tudo que vem sendo feito de errado pelos vaidosos e irresponsáveis dirigentes.” Foi além o atual presidente, futuro vice-presidente eleito na chapa única de Marco Polo del Nero: “Para grande infelicidade do futebol brasileiro, não existe limite para a vaidade e irresponsabilidade dos dirigentes, que usando e abusando da seleção como propriedade particular, jamais se preocuparam em dar satisfação a quem quer que seja”.

Depois das críticas, o vereador Marin (que seria eleito indiretamente vice-governador de São Paulo, em 1978, na chapa com Paulo Maluf) pediu ao ministro da Educação (Jarbas Passarinho) que fizesse uma intervenção na seleção (por tabela, na CBD), então presidida por João Havelange. “Para evitar que a entidade seja tratada como um time da casa, um clube particular”.

Marin dizia que o clubismo atrapalhava a seleção tanto quanto os gastos excessivos na preparação de quase quatro meses.

O pedido do vereador Marin ao ministro Passarinho não foi à frente, em 1970. Dois meses depois, o Brasil seria tricampeão mundial com o melhor time de sua história. Com os mesmos dirigentes. Mas com uma equipe que só seria realmente definida um mês depois do discurso de Marin, proferido na Câmara paulistana em 13 de abril de 1970.