Times brasileiros não aprendem a lição com os humildes. A questão é de preguiça, soberba ou de falta de auto-crítica?

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

O River Plate foi campeão argentino.

Somou 5 pontos a mais que Boca Juniors, Estudiantes e Godoy Cruz, equipes que mais se aproximaram dos ‘millonarios’.

Se você olhar os jogos da equipe comandada por Ramon Dias e que tem Lanzini com a camisa 10, precisará fazer força para entender como conquistou o título.

Não conseguiria uma vaga entre os 5 mais bem classificados se jogasse o Brasileirão.

Talvez não ficasse entre os dez.

Isso mostra que a péssima participação dos times brasileiros na Libertadores não foi culpa do declínio técnico deles, tal qual muitos afirmam.

A questão é outra.

O vexame pode ser usado como aprendizado, apesar de eu achar difícil que alguém faça isso.

Quase ninguém cobra as mudanças básicas e óbvias.

Falei disso na minha coluna do último sábado no Lance!

Reproduzo o texto aqui.

A lição dos humildes

O desempenho dos times brasileiros na Libertadores foi de corar até os maiores caras de pau.

Você pode chamá-lo de vergonhoso, fraco, inaceitável e não cometerá injustiças.

Três equipes caíram na segunda fase, entre elas o Botafogo e o Flamengo como lanternas de seus grupos, duas foram eliminadas nas oitavas-de-final e o Cruzeiro, campeão nacional, chegou tropeçando nas quartas e parou no San Lorenzo, dono do título argentino apenas até amanhã, quando River Plate, ou Estudiantes, ou Gimnasia conquistará o ‘Torneo Clausura’.

A participação pífia deveria fazer dirigentes, treinadores e jogadores refletirem.

Passou da hora de trocarem as desculpas pela auto-crítica.

Não acredite no papo da moda, que aponta o declínio técnico dos representantes do Brasil como maior causa do fracasso.

Apesar do nível ter piorado desde o ano passado, nenhuma equipe que disputará a semifinal tem atletas de qualidade superior aos de, por exemplo, Atlético e Cruzeiro.

Na Libertadores, os brasileiros várias vezes perdem ou equilibram os jogos quando são melhores tecnicamente, mas raramente vencem se contam com boleiros inferiores aos dos rivais no trato da bola.

Por que a regra é esta e não muda?

Os jogadores são mimados – não todos, claro – no Brasil.

Alguns pecam pela arrogância ou indiferença.

Os dos vizinhos, cientes da própria inferioridade ao lidarem com a redonda, se dedicam bastante na questão tática e provocam, pois sabem que na parte psicológica o profissional do futebol, aqui, é fraco.

Os argentinos, uruguaios, paraguaios… pensam no benefício coletivo ao catimbarem, e os brasileiros reagem como se a briga fosse pessoal e o objetivo do time secundário.

E os treinadores?

A regra, aqui, também é clara.

Se os que falam português equilibrarem a disputa tática contra os gringos, está ótimo. Ganhá-la com sobras é raro.

Temos, sim, o que aprender com os menos talentosos.

Preguiçosos

No Brasil tem gestor e coordenador técnico de futebol que não vê sequer o campeonato argentino.

Os times daqui são, de longe, os mais ricos do continente.

Mas a política mantêm os preguiçosos nos seus cargos.

Eles não fazem o trabalho básico de garimpar bons reforços na América do Sul.

Tal ignorância a respeito do mercado no continente é exclusividade brasileira.

Parabenizo

O San Lorenzo nunca passou das semifinais da Libertadores.

Jogou as de 60, 73 e 88.

O Bolívar participou apenas de uma, em 86, quando havia dois grupos com três times nessa fase.

Tenta ser a primeira equipe do país a ser finalista.

O Defensor tinha chegado nas quartas-de-final em 2007 e 2009, e perdido ambas.

O Nacional do Paraguai jamais havia superado a fase de grupos.

OBS: quando o texto foi enviado ao L!, a última rodada do campeonato argentino não havia acontecido.