O pior jogo do ano

Leia o post original por Bruno Maia

Que coisa horrorosa foi a atuação do Vasco contra o Sampaio Corrêa. Uma série de decisões erradas – a começar por termos aceitado jogar no Piauí nas condições apresentadas – não passou batido e o desempenho dentro de campo refletiu a confusão. Não é o caso de entrar em parafuso e desdizer tudo que escrevi aqui nas últimas semanas, até porque, se Adílson Batista não teve a lucidez que eu espero para escalar o time e fazer mudanças durante a partida, pelo menos a teve na entrevista ao fim do jogo, quando admitiu o óbvio: foi a pior partida do Vasco em 2014 – e olha que a concorrência é alta!

Adílson deve entender que bancar Diogo Silva é insanidade. Primeiro, porque ele não tem condição técnica e nem psicológica de responder positivamente a essa confiança. Segundo, porque a influência dos erros do goleiro na ira da torcida é incendiária. Ver Diogo Silva errar é ver o Vasco ser rebaixado. Há uma conexão direta entre os dois sentimentos no torcedor, não dá para ignorar. Então, qualquer mínima confiança que o time adquira após vencer dois, três, quatro jogos, irá por terra imediatamente com um erro deste rapaz. É insustentável a posição dele no clube. Para o bem de todos os envolvidos, seria importante que saísse. A medida dessa raiva é justamente o fato de eu começar o texto falando disso. Não que Diogo Silva tenha sido a causa maior da partida bisonha que o time fez ontem. Longe disso, aliás. Mas é uma raiva que não cabe no peito de nenhum vascaíno. Ela se sobrepõe à lógica, ao racional, para se conectar às piores emoções possíveis. Não dá pra insistir nisso mais.

A meu ver, a pior notícia do jogo foi a nulidade da presença de Marquinhos do Sul enquanto esteve em campo. É hora de tirar o garoto um pouquinho, para não queimá-lo. O meio-campo foi inexistente durante todo o confronto, tanto no sentido de criação, quanto na marcação. O Sampaio Corrêa dominou as ações. E a única coisa que dá para comparar com a raiva que senti da escalação de Diogo Silva, era ver o lado esquerdo da defesa ser bagunçado, revirado, destruído, pelo tal do Pimentinha. Depois de ver Misael, do Luverdense, ontem foi a vez do tal Pimentinha. O cara era horroroso, não tinha nenhum fundamento bem desenvolvido, chutava mal, errava passes ridículos, mas quando ia para cima dos jogadores vascaínos parecia um gênio. Tinha todo o espaço do mundo para dar arrancadas e aí cara fez o que quis, costurou todo mundo e nos assustou constantemente.

A quantidade de passes errados superou a (alta) média que o time já tem. Com a ausência de Douglas e a má noite de Marquinhos, Yago ficou sozinho na tentativa de criar algo para o ataque. Pedro Ken voltou mal e Dakson demorou muito a entrar. Na ausência de Douglas, me parece que ele era a melhor opção para a função, tanto pela capacidade de finalização, quanto por conseguir distribuir um pouco melhor o jogo. Rafael Silva não conseguiu receber muitas bolas e também não se mostrou um cara capaz de vir buscar o jogo e criar alternativas. O aguardado retorno de Edmílson ficou muito prejudicado pela notável falta de ritmo do atacante – bem mais acentuada do que eu esperava, apesar das seis semanas parado. A entrada de Biteco também demorou a acontecer e, quando veio, não trouxe novidade. O garoto conseguiu achar um gol no último minuto e nos salvou da derrota, mas não encheu ainda ninguém de esperança.

Ainda sou a favor do esquema com um atacante de área e dois moleques propondo correria pelas pontas e três no meio campo. Me parece um formato um pouco diferente do que a maioria tem feito no futebol brasileiro e também conectado aos melhores momentos que tivemos na história recente do clube. Porém, dependemos muito de um trabalho criativo de meio-campo para saber variar a distribuição de jogo e as possibilidades que essa distribuição pode trazer. Ontem, com o principal nome do meio-campo fora de combate, Pedro Ken voltando de contusão e Fellipe Bastos era fácil imaginar que não seria possível atuar bem dessa forma. Adílson fez sua aposta e devia ter razões pra isso. Porém demorou a mexer e, quando o fez, não chegou a mudar significativamente a forma de jogo. A armação continuou igual e improdutiva. Talvez nesse caso, devemos voltar a um 4-4-2 com apenas um ponta, como era em 2011.

Não é hora de desespero, mas o jogo deixa lições. Ainda acredito que estamos no caminho certo, mas não dá pra sustentar Diogo Silva e é preciso buscar alternativas para a eventual ausência de Douglas, tanto em termos de jogador quanto de variação de esquema para o time.