Glória e crueldade futebolísticas na decisão da Uefa Champions League: Real Madrid mereceu o título; Atlético também fez jus a ele

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner 

Real Madrid 1×1 Atlético de Madri (3×0 na prorrogação)

O torcedor colchonero vai demorar anos para digerir a perda do título inédito para o maior rival.

O gol nos acréscimos, que levou o confronto para a prorrogação, fez a equipe desmoronar.

O Real Madrid aproveitou o abalo emocional do rival que estava esgotado na parte física, e sobrou na prorrogação.

Cristiano Ronaldo não brilhou.

Di María foi o melhor da decisão.

Também destaco Gabi, capitão e símbolo deste guerreiro time comandado por Simeone.

Ambos os times merecem aplausos pelo que fizeram no torneio e na decisão.

Concordo com Simeone

Diego Costa estava machucado e mesmo assim aguentou participar do treino no dia anterior à decisão.

O centroavante é fundamental para o time que tem elenco inferior ao do adversário.

Simeone, então, decidiu correr o risco de perder uma substituição no caso do atleta sentir o problema muscular, ao invés de tirá-lo definitivamente do momento mais importante da história do time.

Não podia deixá-lo no banco como opção, tal qual muitos defendem.

Se colocasse o Diego Costa no time durante o jogo, o jogador poderia ter que sair pouco depois e, como tirou alguém, não haveria como o treinador organizar o time sem ele.

Eu, no lugar do técnico argentino, faria o mesmo que ele.

Diego Costa saiu de campo machucado, aos 9 minutos do 1e tempo, e Adrián Lopez entrou.

Quase perfeito

O sucesso do Atlético de Madri na temporada tem como alicerce a grande força coletiva da equipe.

Traduzindo:

O meio de campo do time dá aulas de marcação e quando a o time tem a bola vai ao ataque sem abrir mão da compactação.

Os atletas estão quase sempre muito perto uns dos outros e bem distribuídos em campo tanto quando defendem quanto na hora que atacam.

Fazem tudo isso com a raça que todo torcedor sonha ver em seus times.

Na parte ofensiva, as jogadas aéreas, são as principais armas.

Em especial as que nascem em cobranças de faltas e escanteios, pois Miranda e Godín podem ir para a área adversária.

O Real Madrid, com Cristiano Ronaldo, Bale, Di María, Modric… tem mais recursos com a bola.

O repertório ofensivo madridista é bem maior que o colchonero.

Por isso, o Madrid, ao contrário do que fez diante do Bayern de Munique, teria a iniciativa de atacar.

Ancelotti, ciente disso, preparou o 4-3-3, com Bale e Cristiano Ronaldo pelos lados do ataque, Benzema de centroavante, e Khedira, Modric e Di María no meio de campo.

O galês, sem a bola, recuou para formar a linha de quatro no meio.

A opção por Khedira só pode ter sido baseada na experiência do atleta.

A última partida dele, inteira, foi em novembro.

Depois se machucou e desde a volta, há algumas semanas, ainda não mostrou bom futebol.

Além disso, não é primeiro volante como Xabi Alonso, atleta sem substituto a altura, e que ficou fora por estar suspenso.

No choque de estilos, de propostas de jogo, os colchoneros levaram a melhor no 1° tempo.

Cometeram apenas um erro, quando Tiago falhou no passe na saída de bola, e bale fez uma grande jogada ao levar a redonda até a área, mas a estragou na hora de finalizar.

Tirante essa falha individual, o Atlético foi perfeito dentro de suas possibilidades.

Anulou, por exemplo, Cristiano Ronaldo, que, desconfio, não tinha condições físicas ideais.

Erro do mito madridista

Aos 35, Casillas saiu muito mal do gol para interceptar o cruzamento.

Khedira subiu com Godín, que ganhou a dividida por cima, mas tocou na bola sem força.

Se o goleiro estivesse no lugar certo, faria a defesa sem a menor dificuldade.

Mas não havia ninguém entre as traves e a bola, lentamente, ultrapassou a linha do gol enquanto o o mito madridista corria, em vão, para evitar.

O Atlético de Madri foi superior ate o intervalo.

Cansaço

O Real Madrid voltou do período de descanso pressionando.

O Atlético, muito recuado, conseguiu suportar a pressão.

Ancelotti, ao ver a dificuldade de seus comandados criarem chances claras, trocou, aos 11 minutos, Fabio Coentrão por Marcelo, pois precisava de um lateral-esquerdo mais ofensivo, e o volante Khedira pelo meia Isco.

Simoene, aos 20, substituiu Raul Garcia por Sosa para manter a pegada no meio e evitar a expulsão do titular que havia recebido cartão amarelo.

Aos 30, Ancelotti mandou o sumido Benzema sair e Morata entrou no jogo.

Na mesma medida em que os merengues ficaram desesperados porque o tempo passava, os colchoneros foram se cansando.

O sistema defensivo da equipe de Simeone viveu seu pior momento nos últimos 20 ou 15 minutos do tempo regular do confronto.

Crueldade e justiça, ao mesmo tempo, no futebol

O Real Madrid ainda vai disputar diversas decisões da Uefa Champions League.

O Atlético de Madrid, ninguém tem ideia.

Aos 48, os colchoneros sofreram o golpe de misericórdia para quem nitidamente não tinha pernas para encarar a prorrogação.

E da pior forma. na jogada aérea, a sua especialidade.

Sérgio Ramos aproveitou a cabeça de escanteio para empatar e mudar radicalmente a cara da final.

Se o futebol foi de uma crueldade ímpar com os colchoneros, premiou o atleta que fez a diferença na semifinal diante do Bayern de Munique e que tem jogado em alto nível.

Quase protocolar

O Atlético de Madri precisava não desmoronar emocionalmente na prorrogação.

Na parte física, havia ultrapassado os seus limites.

Mesmo assim, conseguiu suportar o 1° tempo da prorrogação sem sofrer o gol.

Depois, sucumbiu.

Di María, o melhor do time na decisão, arrancou com a bola no contra-ataque e encarou o esgotado Juanfran que não teve ajuda de ninguém.

Bale, de cabeça, aos 5, deixou o Madrid em vantagem e com uma das mãos e quatro dedos da outra na taça.

O restante do tempo foi protocolar.

O meio de campo colchonero, pilar do time, acabou.

Alguns atletas ficaram no ataque tentando aproveitar os lançamentos longos, enquanto outros permaneceram atrás com o objetivo de recuperar a bola.

Entre eles, havia um enorme vão.

Estou falando de no mínimo 20 ou 30 metros.

Aos 13, de fora da área, sem marcação, Marcelo acabou com a irrisória chance de o adversário igualar o placar.

O goleiro Cortouis falhou.

Aos 15, de pênalti, Cristiano Ronaldo ampliou a vantagem e encerrou a decisão.

Justo

A arbitragem não mudou o resultado do jogo.

Os atletas, apenas eles, decidiram o título.

Por isso, foi justo.

Lembro que o Real Madrid jogou futebol superior ao do Atlético de Madri na Uefa Champions League.

Aplaudo os merengues pela conquista e o vice-campeão por atuar sempre no seu limite.

Ambos estão na história.

Ficha do jogo

Real Madrid – Casillas; Carvajal, Varane, Sergio Ramos e Coentrão (Marcelo); Khedira (Isco), Modric e Di María; Bale, Cristiano Ronaldo e Benzema (Morata)

Técnico: Carlo Ancelotti.

Atlético de Madri – Courtois; Juanfran, Godín, Miranda e Filipe Luís (Alderweireld); Gabi, Tiago, Koke e Raúl García (Sosa); Villa e Diego Costa (Adrián)
Técnico: Diego Simeone.

Local: Estádio da Luz, Lisboa (POR)
Árbitro: Björn Kuipers (HOL)
Público: 60.976 presentes