Chapecoense ganhou do Palmeiras depois que acertou a marcação; Alberto Valentim percebeu e fez o possível para resolver

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Chapecoense 2×0 Palmeiras

Nos primeiros 20 ou 25 minutos, o Palmeiras jogou melhor que a Chapecoense.

Esbarrou na má atuação de seu sistema ofensivo, pois o trio de criação foi mal e os laterais não apoiaram tal qual o necessário, e no goleiro Danilo.

A Chapecoense demorou um pouco para acertar a marcação.

Quando conseguiu, passou a levar perigo nos contra-ataques.

O fator essencial para o crescimento do time foi a região do campo em recuperou a redonda.

Passou a retomá-la no meio de campo ao invés de perto da sua área, tal qual antes.

Isso abriu a possibilidade de apostar nos lances de velocidade com a defesa palmeirense aberta, além de manter a bola longe do seu goleiro.

Fez 1×0 assim, após ter perdido duas ou três chances, todas em contragolpes.

O outro gol, logo após o período de descanso, tranquilizou o ex-lanterna do Brasileirão e permitiu que controlasse a segunda parte do jogo.

Alberto Valentim tentou dar vida ao sistema ofensivo mexendo nos três principais responsáveis pela criação, mas as alterações nada ajudaram.

O treinador interino não tinha, na reserva,  um trio de atletas em condições de mudar o que acontecia em campo.

A vitória do time de Chapecó foi inquestionável.

No 1° tempo

Alberto Valentim repetiu o 4-2-3-1 da vitória contra o Figueirense.

Posicionou Diogo e Marquinhos Gabriel pelos lados da linha de três, e Mendieta entre eles.

O centroavante Henrique atuou na frente para fazer o pivô ou finalizar as jogadas.

Os volantes Renato e Wesley, por vocação e necessidade do confronto, executaram funções diferentes.

O primeiro priorizou a marcação.

O outro também tinha que ajudar a proteger os defensores, mas como a Chapecoense atuou com Wanderson, Dione e Dedé posicionados como volantes na marcação do trio criativo do Palmeiras, acabou sendo o principal responsável pela saída de bola, participou bastante da articulação na meia, e apareceu pelos do ataque para tentar confundir a marcação.

A agremiação do Palestra Itália teve a iniciativa de atacar, mas não conseguiu mandar no confronto.

O time de Chapecó esperou o adversário no meio-de-campo para diminuir os espaços, recuperar a bola ali e sair em velocidade com Tiago Luis.

Nenén, o meia, também ajudou nos contragolpes, assim como o centroavante Roni.

A marcação bem executada com 9 ou 10 jogadores (de vez em quando Tiago Luis ou Roni ficaram na frente) entre a linha da entrada da grande área e a que divide o gramado quase sempre funcionou nos 45 minutos iniciais.

O Palmeiras sofreu para trabalhar a bola no campo de ataque.

Henrique teve que sair várias vezes fora da área para tentar tabelar com seus companheiros.

Ele rende mais dentro dela. Finaliza melhor do que passa. Além disso, é a referência ofensiva nos lances por cima quando eles não começam em cobranças de escanteio ou de falta.

Mesmo assim, o Palmeiras criou algumas chances.

Os laterais Fabiano, na direita, e Neuton, na esquerda, não passam confiança na parte defensiva.

Wesley e Medieta, este em cobrança de falta, obrigaram Danilo a trabalhar.

Marquinhos Gabriel,  na região em que atua Fabiano, perdeu uma oportunidade muito boa.

O goleiro Danilo, assim como fez em todo jogo, foi bem e evitou o 1×0.

O desempenho do Palmeiras foi piorando e o da Chapecoense melhorando ao longo do 1° tempo.

Os contra-ataques começaram a levar perigo ao gol de Fabio.

Duas vezes ele saiu bem e evitou que seu time ficasse em desvantagem no placar.

Aos 41, ele não tinha como fazê-lo.

Fabiano cruzou com liberdade e Tiago Luís, também sem marcação, fez a sua torcida vibrar.

Fundamental

Logo no começo do 2° tempo, a Chapecoense ampliou de fora da área graças ao chute de Neném.

Fabiano, autor da assistência no outro gol, chutou de fora da área, Marcelo Oliveira, parceiro de Lucio na zaga, não conseguiu rebater e Dedé, no rebote, chutou bem no canto e sem chance para Fabio defender.

O gol aumentou a confiança do time do interino Celso Rodrigues e acabou com o suposto ímpeto de reação, nem deu tempo de saber se realmente havia, do Palmeiras após a conversa no vestiário.

Mudou, em vão, o trio

Alberto Valentim, após o gol, trocou Mendieta, que estava machucado, por Felipe Menezes.

Ao ver que a Chapecoense impedia seu time de criar lances de perigo e contra-atacava pelos lados, ele decidiu alterar os dois outros atletas do trio de criação.

Aos 16, colocou Patrick Vieira no lugar do Diogo e aos 23 Bernardo no de Marquinhos Gabriel.

O time piorou tanto na parte ofensiva quanto na defensiva.

Criou menos que no seu melhor momento do 1° tempo e ainda viu os laterais Fabiano e Neuton levarem perigo nos contra-ataques.

Chapecoense, superior

Sem nenhuma vitória no campeonato brasileiro, atuando em casa e com vantagem de gols, a Chapecoense tratou de se defender.

E sequer deu a chance de o adversário esboçar a reação.

Quando teve a bola, saiu para o jogo sem abrir lacunas na defesa.

Aos 19, Celso Rodrigues trocou Tiago Luís por Fabinho Alves, pois queria aumentar a velocidade do contra-ataque.

Mas por questão técnica, de desempenho individual, a mudança não ajudou.

Aos 34, Wescley substituiu Nenén.

O padrão de jogo continuou igual.

A última substituição foi aquela, como se dizia antigamente, para gastar o tempo e o reserva ganhar o bicho e o time .

Aos 44, diante do adversário que vivia de cruzamentos e chutes de média distância, a troca do centroavante Roni pelo volante Abuda não era necessária do ponto de vista tático.

Resultado justo

Ficha do jogo

Chapecoense – Danilo; Fabiano, André Paulino, Rafael Lima e Neuton; Wanderson, Dedé, Diones e Nenén (Wescley); Tiago Luis(Fabinho Alves) e Roni (Abuda)
Técnico: Celso Rodrigues

Palmeiras – Fábio; Wendel, Lúcio, Marcelo Oliveira e William Matheus; Renato e Wesley; Diogo(Patrick Vieira), Mendieta (Felipe Menezes) e Marquinhos Gabriel (Bernardo); Henrique
Técnico: Alberto Valentim.

Árbitro: Emerson de Almeida Ferreira
Assistentes: Guilherme Camilo e Celso da Silva
Público: 14.992 – Renda: R$210.275,00