Brasil da Copa: Circo sem palhaços e macacos amestrados

Leia o post original por Mion

Parreira e Felipão estão decepcionados. Esperavam, um brasileiro alienado e festeiro para a Copa.

“Não respinga nada na seleção. Nada mesmo. Os jogadores não estão nem aí para isso”. Esta declaração no mínimo impensada e alienada do técnico Luis Felipe Scolari, sobre as manifestações nas ruas, ao “Estadão”, reflete bem o espírito da seleção  para com o país da Copa do Mundo, que por acaso é o Brasil. O coordenador Carlos Alberto Parreira não fica atrás, ratifica a desconsideração e esnobismo que cerca esta seleção. Concedeu entrevista coletiva sempre falando em tom ufanista, desafiador e arrogante, chegou ao ridículo de chamar o atual selecionado de timaço (?). Este conceito poderia até partir de alguém que não tivesse trabalhado com a seleção de 70, mas Parreira não pode em sã consciência colocar este grupo em tal patamar. Mesmo ganhando a Copa, todo brasileiro sabe das limitações do selecionado. Além de ser formado por jogadores apenas competentes e dedicados, nada talentosos ou brilhantes, não atrai o brasileiro, não é simpática e conforme as atuações pode até se tornar antipática. Está a um passo disto. Com exceção de Neymar, é um pessoal sem luz, nem o capitão Thiago Silva, com todo respeito, não desperta nenhum apelo popular … sem sal.

Além da responsabilidade de motivar o elenco e trabalhar em busca do hexa, a atual comissão técnica tem outro desafio: acordar a população para a Copa, entretanto começou mal. Os desabafos de Felipão e Parreira externaram preocupação, tensão e falta de comprometimento de todos na CBF com o país e sua população. É de conhecimento público a situação privilegiada dos atuais jogadores brasileiros. Terminada a Copa voltarão para o primeiro mundo e lá cercados das vantagens de viverem em países onde a sociedade tem pouca violência e os índices sociais estão muito acima da esmagadora maioria da população brasileira.

O comportamento de Felipão e Parreira escancara decepção. Tinham convicção do clima de festa dias antes da Copa. Bandeiras, gente pulando, dançando nas ruas e todas aquelas peripécias dignas de circo. Nada disto acontece, ao contrário, se vê nas ruas desânimo, mau humor, introspecção, desprezo e manifestações reivindicando maior seriedade com dinheiro público e soluções para os problemas sociais. Se eles pensavam que após o circo montado o povo brasileiro entraria no embalo e esqueceria de todas as suas necessidades, assumindo a condição de palhaço ou macaco amestrado, quebraram a cara, pelo menos por enquanto. Falam tanto em racismo, mas lá fora desconsideram o brasileiro exatamente por ser festeiro independente da gravidade da situação. Por isso nos consideram irresponsáveis, relaxados e inconsequentes.
O brasileiro amadureceu, está longe de ser um povo culto, educado como o de primeiro mundo, porém não quer mais se sujeitar a aceitar migalha como se fosse um grande favor. Não bastam momentos alegres, as pessoas descobriram que o melhor é felicidade constante, conquistada através de justiça social e dignidade. A Copa caminha para ser histórica, não por nenhuma conquista esportiva, mas porque pela primeira vez o povo brasileiro mostrou senso apurado de cidadania, comparado ao Movimento das “Diretas-Já”.

Deixa claro que está consciente dos malefícios do evento para a vida da população. Apesar de amar futebol e fazer parte de sua essência cultural, não permitirá que seja novamente usado como instrumento de alienação. Este sim, o maior legado da Copa do Mundo no Brasil: a bola não será mais símbolo de apenas uma nação de chuteiras que ignora seus direitos e anseios por uma sociedade mais justa, segura e decente.

 

PS. – Não considero sensata a decisão de vaiar ou gritar nos estádios. O mais simples muitas vezes tem resultados mais diretos: SILÊNCIO. Enquanto as câmeras procuram desesperadamente por pessoas pulando, fazendo festa, um público sentado em silêncio será a maior resposta a todos aqueles que ainda pensam em vender a imagem do brasileiro como um povo alienado e só preocupado em fazer festa. Será uma resposta educada e civilizada sem ofender ou agredir bilhões de telespectadores que estarão acompanhando o evento. Fifa, CBF e governantes saberão respeitar um povo que assim proceda. É só brasileiro não dar aquilo que tanto querem para faturar e conquistar mais audiência.