A Copa inequecível

Leia o post original por carlos cereto

Dizem que a primeira Copa a gente nunca esquece. São vários os depoimentos a essa época do ano, sobre os momentos marcantes registrados na memória afetiva dos apaixonados pelo futebol.

Mesmo para quem não se liga tanto assim no que acontece dentro de campo, é impossível ficar indiferente a um evento que mexe com a paixão de milhões de pessoas no mundo.

Ser brasileiro  em ano de Copa é uma delícia. Ruas pintadas, bandeira na janela, nos carros, cidades coloridas de verde amarelo, reunião de família, festa, e às vezes, decepção.

 Há quem diga que se o brasileiro levasse tanto a sério o Brasil como leva a Seleção o país seria bem diferente. Se bem que o que se diz é que o Gigante acordou. Será?

Fato é que teremos Copa, não tem mais como voltar atrás, e como jornalista esportivo me sinto privilegiado em cobrir na linha de frente, em minha casa, a competição mais importante do mundo, o que não significa que seja alienado ou que ignore os problemas em torno da organização do evento.

 Minhas primeiras lembranças de uma  Copa são de 82, apenas flashes de um time que encantou o Mundo, mas não conquistou a taça.

Em 86, já com 9 anos de idade, curti a Copa pra valer, colecionei figurinhas, do chiclete pingue pongue,  vi com atenção os jogos do Brasil, torci pra Sócrates, Carlos, Careca, Muller, Casagrande, Alemão, Josimar, quem é esse Josimar? Que golaço! Foi a Copa de Osmar Santos, meu ídolo das narrações do rádio, agora na telinha da Globo, a Copa do Araken, o show man, do ginga pra cá, ginga pra lá, do mexicoração e do pênalti desperdiçado por Zico. Foi a Copa de Maradona, que espetáculo, de Platini, e da minha primeira decepção como torcedor verde amarelo.

Nessa história é melhor pular 90, seleção feia, com a cara de Dunga e Lazaroni, de novo, Maradona deitou e rolou pra cima da gente, mas nessa nem fiquei triste.

 Em 94 a minha Copa inesquecível. Reunião de amigos, festa em todos os jogos. Ouvia os “professores” na TV dizendo que a Seleção jogava na retranca, que o futebol era feio, que não respeitava as tradições da “escola” brasileira. Que nada. Eram 24 anos sem títulos e o que interessava à minha geração era ver o Brasil ser campeão pela primeira vez. E foi. Carregada nas costas por Romário. Como jogava o baixinho! Final contra Itália e decisão nos pênaltis. Antes a lembrança que tenho é de Viola, que entrou na prorrogação, e por pouco não fez o gol do título. Sobrou pra Baggio. É tetra!! É tetra!!! Narração inesquecível de Galvão Bueno.

Em 98 tive a experiência de ver a primeira Copa ao lado de minha namorada, hoje esposa e mãe dos meus filhos, por isso a lembrança é  especial ,  apesar da “convulsão” de Ronaldinho e   banho de bola da França na final.  De marcante a decisão nos pênaltis contra a Holanda e os gritos de Zagallo: “Nós vamos ganhar isso!!” e o “ Vai que é sua Taffarel!!! De Galvão Bueno.

 O Penta ficaria pra Copa seguinte. Em 2002 o ineditismo da Copa  do outro lado do mundo  e  minha primeira cobertura, já como profissional do SporTV. Fiquei no Brasil acompanhando as madrugadas do paulistano e terminei o meu trabalho em meio à festa na avenida paulista. Foi uma experiência muito bacana. Um misto de sentimento de torcedor e jornalista, sentimentos que se confundem quando se trata de Seleção.

 As Copas seguintes, 2006 e 2010 também  foram  acompanhadas por mim na cobertura profissional aqui do Brasil.

Prefiro esquecer 2010.  Ano em que perdi pessoas queridas, exatamente no período da Copa. É como se aquela Copa não tivesse existido.

Acho que o papai do céu resolveu me compensar esse ano. Tenho o orgulho e a responsabilidade de chefiar a cobertura do SporTV na seleção brasileira. Vou acompanhar de perto passo a passo da Seleção.  Quase dois meses  fora de casa, longe dos meus filhos, da minha esposa, família.  Cobertura desgastante, cansativa, mas extremamente prazerosa. Tomara Deus com final feliz para todos nós brasileiros. Tenho certeza absoluta que essa será a minha Copa inesquecível.