Figurinhas

Leia o post original por flavioprado

É uma febre. Quem não tem um album da Copa está fora de moda. As trocas estão em todos os lugares. Bares, lojas, no vão livre do Masp, em parques, bancas de jornais e por aí vai. Numa cidade como São Paulo os albuns são bençãos. Pessoas que não se conhecem, conversam, fazem “negócios”, trocam sorrisos, coisas que fazíamos no dia a dias anos atrás, e que ficaram num passado distante. Hoje as relações estão nas redes sociais. O cara acha que têm amigos virtuais. Que são virtuais não há dúvida. Já amigos são outra coisa. Lembrei da minha infância lá na Penha. Tinha album de tudo. Desde bandeiras dos países, até museus pelo mundo. De futebol então, qualquer campeonato virava album. O jeito era diferente. Valiam prêmios. Para isso precisava completa-los com as famosas figurinhas carimbadas, normalmente os craques dos times. Nunca consegui nada, mas era uma grande curtição. E olha que eu estava totalmente envolvido no processo. Minha família trabalhava empacotando as figurinhas. Tínhamos uma mesa enorme onde netos e avós separavam, fechavam e colavam os pacotinhos. As carimbadas não vinham para nós. Das outras, a gente cuidava. Dava um dinheirinho legal, para a  “mistura”. O trabalho, que ajudava nas despesas, servia também como agradável encontro familiar, que durava horas. E bem novinho, a gente já aprendia o gosto pelo trabalho. Trabalhar e receber algo em troca. Hoje me assusto quando proíbem crianças de trabalhar. Eu fui balconista, feirante, empacotador de figurinhas, enquanto estudava e tinha que apresentar resultados na escola. Não tenho nenhum trauma por causa disso. Ao contrário, só me fez bem. Atualmente os menininhos não podem ter essas atividades, sei lá por que. Algum gênio definiu e acabou. No tempo ocioso eles servem de aviõezinhos para traficantes, ou ajudam quadrilhas, aproveitando o fato de serem “dimenor”. Acho que empacotar figurinhas era bem melhor e você internauta, o que acha?