Avenida Diego Renan

Leia o post original por Bruno Maia

Mais uma vez, o Vasco não mereceu vencer. Resultado foi melhor do que merecíamos, se considerarmos que achamos um gol bizarro, numa falta cobrada do meio de campo por um zagueiro, num chute que só por acidente poderia dar certo – sorte nossa que aconteceu – e que só prova a falta de alternativas que o time apresenta para o ataque. Entre os muitos problemas que vemos se repetir, tem um que eu vinha evitando tocar aqui por até gostar do jogador envolvido: Diego Renan. Ele já teve boas atuações no apoio ao ataque, principalmente no estadual, mas a muito tempo vem sendo uma avenida por onde todos os adversários do Vasco chegam. Ele está sempre atrasado, é facilmente superado em arrancadas dos atacantes adversários ou simples triangulações, em cruzamentos (como o do gol do Bragantino hoje) costuma estar olhando a bola em vez do atacante adversário, e Adílson ainda não achou uma alternativa para cobrir essas sucessivas falhas defensivas. Hoje, a Avenida Renan nem foi tão explorada pelo time paulista, mas no lance do gol – um cruzamento da direita – em uma nova falha de marcação, somada ao nosso grande Diogo Silva contemplando a bola cruzar toda a pequena área sem sair do gol, e a casa desandou. Nossa alternativa seria o Marlon, que é mais consistente na defesa e chegou a ter bons lampejos este ano, como no jogo contra o Atlético-GO. Ele, em geral, cria menos do que Diego Renan costumava fazer no inicio do ano e que lhe rendeu créditos. O problema é que o cara vem caindo muito em termos de ataque, não vem sendo uma opção útil no apoio e então não me parece fazer sentido mantê-lo jogando, já que na defesa é pífio.

Complementando a fraqueza do apoio dos laterais, hoje o setor de meio-campo também teve mais uma atuação medíocre, sem qualquer capacidade de articulação. O ataque fica isolado e nossos homens de frente não voltam pra buscar jogo. Ficam uns toquinhos sem rumos no meio-campo até que o adversário resolva roubar a bola ou erremos um passe de dois metros – o que acontece muito também. Sinceramente, não vejo muitas alterações de time que Adílson poderia fazer, além de trocar o goleiro e, agora, experimentar o Marlon. Isso vai mudar o futuro do Vasco? Difícil, me parece pouco. Dentro das quatro linhas, o problema tá parecendo bem complicado de resolver. E, como já disse, infelizmente também não acredito que trocar o treinador vá resolver. O problema do Vasco é interno e tem que ser resolvido por quem está lá.

Hoje perdemos a desculpa de estar fora do G-4 por ter um jogo a menos. Deixar essa partida para depois da Copa, aliás, foi mais uma derrota política do clube. Não interessa que estaríamos sem o Martín Silva. Agora, se não nos recuperarmos, passaremos o período de pausa, com os ânimos abalados. O efeito psicológico desse momento é muito importante e não devíamos ter aberto mão de correr atrás de recuperar o máximo de pontos agora antes da pausa.

Só nos resta esperar o resto da semana, com mais notícias confusas e desalentadoras sobre as nossas eleições, nenhuma perspectiva de mudança real e um meio de tabela de amargar.