Virada à brasileira

Leia o post original por Mauro Beting

 

Na Copa das Confederações, mesmo sem ter conseguido falar com o pai pelo celular como faz desde o início da carreira (momento essencial para a preparação dele para cada jogo), Neymar fez um gol magnífico aos 2min52s da estreia contra o Japão. Golaço que deu confiança a ele e ao time para vencer por 3 a 0.

Na segunda partida, 8min38s, outro belo gol de sem-pulo. E de canhota. Brasil 2 a 0 no México. No terceiro jogo, demorou para Dante abrir o placar contra a Itália. O zagueiro marcou apenas aos 45min51s. Mas fez primeiro o Brasil nos 4 a 2 contra os italianos.

Na semifinal, Júlio César defendeu o pênalti de Forlán aos 13min59s. Aos 40min29s, Fred enfim abriu o placar no 2 a 1 contra o Uruguai. O mesmo artilheiro que, na decisão contra a Espanha, fez 1 a 0 com 1min31s, no Maracanã que foi nosso, como o caneco, de modo indiscutível e irrepreensível, em 2013.

Com Felipão, o Brasil só deixou de vencer três das partidas em que abriu o placar, em três empates por dois gols nos amistosos contra Itália, Chile e Inglaterra. Virado, o Brasil ainda não foi com Scolari. Mas, virar um placar, a equipe já conseguiu contra Portugal, quando tomou um gol de Raul Meireles em desatenção de Maicon e foi buscar o 3 a 1 final.

Mas era amistoso. Campo neutro. Outra realidade. Esse Brasil se saiu bem naqueles 3 a 1. Este Brasil mundialista ainda não passou por esse estresse compartilhado com a torcida e o estádio em Copa do Mundo. É um dos nossos desafios.

Não que não possa mais uma vez tirar de letra e fazer escola, como em 2013. Mas é realidade ainda a ser vivida. A capacidade de reação. Com a pressão de uma Copa por cima. Para um elenco de bom nível. Mas ainda inexperiente. Apenas com seis remanescentes de derrotas doloridas em Copas. Com o protagonista muito jovem. E sem ninguém de tanta categoria e experiência para ajudar Neymar a segurar a bronca e virar um eventual gol sofrido primeiro. E que sofrimento sempre!

Em 1958, o Brasil virou apenas um placar. E que placar! Tomou um gol com menos de 5 minutos da Suécia, mandante da festa. A Seleção virou ainda no primeiro tempo, e fez cinco ao final da decisão.

Em 1962, no jogo decisivo do grupo, viramos 2 a 1 em cima da Espanha, com o substituto de Pelé fazendo os dois gols. Na final, nova virada. Devolvemos o gol de Masopust com mais três gols contra a Tchecoslováquia. Isso para um time que estava “envelhecido”. Em barris de camisa canarinho.

Em 1970, tomamos com menos de dez minutos um outro gol dos tchecoeslovacos. Mas estreamos com 4 a 1. Na semifinal, fantasmas de Maracanazos recentes, viramos 3 a 1 para cima do Uruguai depois de péssimo primeiro tempo. Viramos lindo.

Em 1994, não foi preciso virar placar, apesar do sufoco sempre e do calor nos campos dos EUA. E nem gol marcar na decisão vencida nos pênaltis. O ótimo sistema defensivo garantia a festa de Romário e Bebeto. Até quando não fizeram gols.

Em 2002, tomamos da Turquia o primeiro gol na primeira virada por 2 a 1. Nas quartas-de-final, na falha de Lúcio, a Inglaterra saiu na frente, para Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho virarem com jogadas magistrais. Ou de sorte mesmo.

Em 2010, nosso último jogo em Copas, foi de virada que perdemos, depois do melhor primeiro tempo em Mundiais desde 2002 – aquele contra a Holanda.

Em 2006, a derrota anterior foi para Zidane. Foi 1 a 0 França. Em 1998, de novo para a França, de novo para Zidane, também não fizemos gols. Na mesma Copa em que fomos vencidos pela Noruega na fase de grupos. 2 a 1 para eles. De virada.

Derrota de virada, em Mundiais, além de 2010 para a Holanda (fatal), 1998 para a Noruega (fase de grupos), apenas…

O Maracanazo.

Fiquemos por aqui.

Ou melhor, não fiquemos no Maracanazo.