Na Fazenda Brasil a vaca do Felipão é de todos nós

Leia o post original por Milton Neves

FELIPAO

Felipão amoleceu para a imprensa?

Lógico que não.

Só está afastando a dureza de Dunga e dando uma colher de chá para as TVs.

Mas só nessas preliminares, tenham a certeza.

Aquele confronto “dunguista” fez um mal danado para seleção, para o Brasil, para os jogadores, para os jornalistas e para o hexa, que viria quatro anos antes, creio.

Experiente, Felipão, a quem considerava superado, só está soltando um pouco as rédeas sem perder o controle.

Sim, coisa de macaco velho.

Aliás, essa de “macaco velho” resiste no dito popular ao contrário do “lápis e papel na mão”, do “caiu a ficha” (ora, não existe ficha mais e nem orelhão, quase), do “nem que a vaca tussa” (vaca tosse, e muito) ou do “disque para mim” nesses tempos dos iPads, iPhones e Androids.

Mas quem resiste mesmo é o eterno “não adianta chorar o leite derramado”.

Então o negócio é ter muito cuidado no trabalho, seja qual for.

O “retireiro” Felipão sabe disso e já está segurando firme o balde debaixo das tetas da vaca.

E que vaca tão dócil, hein?

Nunca tivemos um treinador tão em paz perante a opinião pública e a tradicional feroz imprensa esportiva hoje está parecendo a “Correnteza”, famosa vaca holandesa que dá 300 litros de leite por dia, segundo o fazendeiro Cláudio Skaf Zaidan, de Uberaba-MG, o berço leiteiro do Brasil.

Sim, ele exagera quando diz que sua “Correnteza” tem cinco tetas, algo único no mundo, e que a quinta teta produz leite com café, já misturado e pronto.

Produção incomum, como seria o Brasil hexa campeão mundial agora em 2014.

Mesmo com campo, torcida, ausência de apito inimigo e pressão natural, não somos favoritos, viu, Parreira?

Tomara que eu erre mais uma vez.

Temo é a vizinha Argentina sempre competente e jogando em “casa” e sem problemas de adaptação por existir logo ali no “fundo da horta” do Brasil.

E temo também os invasores Espanha e Alemanha à nossa frente, muito perigosos e com pinta de predadores.

O resto é zebra, até Itália e Inglaterra.

E não é que deu zebra com o Alex Escobar na Rede Globo?

Estava na cara.

Narrador esportivo de TV não se forja da noite para o dia como pão na padaria.

E isso escrevi aqui faz uns dois meses.

Será que nisso não deram uma de “Professor Pardal” talvez para baixar o facho de quem está se achando e causando problemas “de vestiário”?

Sei lá, mas na verdade, queimaram o pão do Escobar.

Aquele bom jornalista que não brigou com o Dunga.

O Dunga é que brigou com ele.

E Escobar será apresentador de novo ou repórter e não brigará com o Felipão.

Ele e ninguém.

Isso se o Brasil começar vencendo e se avançar ganhando, ganhando e ganhando.

Tropeçando de cara com a Croácia, a coisa muda do vinho Barca Velha para a água do “Volume Morto” do Geraldo Alckmin.

Não é só o torcedor que é passional, nós da crônica esportiva, a melhor do mundo para futebol, também.

Viu, Felipão?

E isso está escrito em todo gibi do mundo de nosso futebol.

E, aí, acima, contrariando mais um clichê famoso de nosso dia a dia.

Afinal, jornalista esportivo top é como um bom cabrito: aquele que berra e aponta as falhas de treinadores como Flávio Costa-50, Feola-66, Cláudio Coutinho-78, Lazaroni-90, Zagallo-74 e Dunga-2010.

Mas, até agora, Felipão dirige seu boeing com céu de brigadeiro lá em cima e ordenha sua “Correnteza” cá embaixo no belo curral de Teresópolis, onde convivem animais P.O.I (puro de origem importado) e P.O. (puro de origem), mas com algumas cabeças apenas “raçadas”, sem “pedigree” de alta linhagem.

É uma razoável mistura, mas o importante é que a vaca de Felipão não vá para o brejo sob pena de irmos juntos também para a areia movediça da Copa.