Botafogo arranca o empate no Itaquerão; Corinthians não venceu por causa do erro do Cléber e dos vários contra-ataques que perdeu

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Corinthians 1x 1 Botafogo

O jogo foi muito equilibrado no 1° tempo.

O Corinthians terminou em vantagem por causa do belo gol de Jadson.

Depois do intervalo, Mancini fez mudanças de escalação, táticas e de posicionamento de Zeballos e Edilson para o Glorioso começar a criar chances claras de gol e ter alguém, além de Ferreyra, na área.

As alterações não resolveram os problemas do sistema ofensivo.

A marcação corintiana venceu o duelo na maior parte do tempo.

O time de Mano Menezes não ganhou porque perdeu diversos contra-ataques e Cléber errou no gol do Botafogo.

Diante de tais circunstâncias, uma equipe encerrou o confronto irritada e a outra satisfeita com o empate.

O 4-4-2 de Mano Menezes

O treinador repetiu o time que mais elogiou desde o retorno ao Corinthians.

Escalou o meio-de-campo com Ralf, Bruno Henrique, Petros e Jadson, este último mais perto dos atacantes.

Bruno Henrique e Petros, especialmente o segundo, participaram da  criação.

Fagner ou Fabio Santos, os laterais, um de cada vez, também ajudaram na parte ofensiva.

O Corinthians, por isso, chegou na frente, quando se posicionou direito, com 6 ou 7 jogadores.

Botafogo diferente

Sheik, suspenso e impedido de entrar em campo também por causa de uma cláusula contratual, desfalcou o Glorioso.

Vágner Mancini optou por Ferreyra no lugar do titular.

O argentino tem características completamente diferentes.

Com ele, o time perdeu velocidade e movimentação na frente, além de ficar mais fraco no contragolpe, que é uma arma importante quando se atua fora de casa.

Por outro lado, melhorou na jogada aérea, ganhou um pivô e maior presença de área.

Mancini, por isso, escalou Edílson, na direita, e Wallyson, na esquerda, abertos, no meio de campo.

Além de tentarem as jogadas pelos lados, eles foram encarregados, quando o time não tinha a bola, de formar a linha de quatro no meio-campo.

Os volantes Airton e Bolatti, que jogaram mal, ficaram entre eles na proteção aos laterais Lucas e Junior César, e aos zagueiros Bolívar e André Bahia.

Zeballos permaneceu mais adiantado para tentar fazer a ligação do contra-ataque, coisa que não conseguiu em nenhum momento.

Jadson, a diferença

Como a bola precisava chegar ao centroavante, todo sistema ofensivo botafoguense precisava se adaptar a mudança.

Os laterais tinham que apoiar bastante e isso exigia mais atenção dos volantes Bolatti e Airton.

O meio-campo, de posse da bola, necessitava se aproximar do atacante.

Isso não aconteceu.

No 1° tempo pautado pela intensa disputa no meio de campo e boa atuação de ambos os sistemas defensivos, apenas uma vez o Glorioso ameaçou.

Foi o único erro coletivo do Corinthians na marcação.

Fabio Santos, ao invés de Cléber ou de Gil, subiu de cabeça com o centroavante hermano, perdeu a dividida por cima tal qual era a tendência, e Walter fez difícil intervenção para evitar o 1×0 favorável aos botafoguenses.

No lance seguinte, Jadson, aos 23 minutos, driblou o Bolatti com muita facilidade e de pé esquerdo chutou exatamente aonde pretendia, e sem chance para Renan defender.

Foi um belo gol do meia.

A individualidade do jogador garantiu a vantagem ao time no confronto, até então, muito equilibrado.

Corinthians melhor

O time de Mano voltou do período de descanso jogando melhor que o Botafogo.

Continuou marcando bem e teve chances para ampliar a vantagem nos contra-ataques.

Precipitação na hora do último passe, erros de finalização como o de Bruno Henrique no rebote de Renan, o azar de Ralf quando acertou a trave, a boa apresentação do goleiro do Botafogo e o egoísmo de Luciano, que entrou no lugar de Romarinho aos 22, ao tentar fazer o gol ao invés de tocar para Petros na área, impediram a equipe de balançar as redes mais vezes.

Vágner Mancini passou a segunda parte do confronto tentando, com seu elenco de poucas opções, arrumar soluções para o time reverter o cenário desfavorável.

Voltou do intervalo com Daniel no lugar de Lucas.

Edilson foi recuado para a lateral e o meia ocupou o lado direito do ataque.

Mancini queria fazer a bola chegar, pelo alto, ao Ferreyra.

Cansado de ver seu time atacar, não ameaçar e correr riscos nos contragolpes, decidiu fazer mais alterações.

Tirou Wallyson, que praticamente havia abandonado, provavelmente por vontade própria e não do técnico, a marcação e na parte ofensiva não fazia quase nada, e apostou em Gegê.

O substituto é meia e gosta de atuar centralizado, ao contrário do titular que prefere jogar pelos lados.

Um minuto depois, o esforçado e limitado Airton, que tinha levado cartão amarelo e pelas circunstâncias do confronto corria sérios riscos de ser punido novamente e expulso, saiu machucado para Jorge Vágner entrar.

Apesar não ser veloz o bastante para atuar como volante, o reserva executou a função de segundo volante.

Como tem boa qualidade nos lançamentos, a bola chegou mais em Ferreyra.

O centroavante até conseguiu dominá-la na área, de costas para o gol, mas seus companheiros não se aproximaram e ele ficou perdido no meio de Cléber, Gil e um lateral ou Ralf.

A última medida de Mancini para solucionar este problema foi mandar Zeballos para a área como se fosse centroavante.

O preço

O Botafogo, na verdade, não se acertou.

Ficou, em vão, buscando espaços no bem posicionado sistema defensivo corintiano.

Também deixou diversas lacunas no sistema defensivo, pois foi à frente em busca da igualdade no placar.

Mano, aos 35, colocou Renato Augusto na vaga de Jadson.

Queria melhorar o contragolpe do time com o atleta descansado e veloz.

Três minutos depois, optou por Zé Paulo no lugar de Petros, alteração da qual discordei e pode ser explicada por um suposto cansaço, não sei se foi isso, do titular.

Aos 41, o treinador viu o futebol castigar seu time por causa dos erros nos contra-ataques.

Edilson entrou na área, chutou cruzado e mal.

A bola passaria a alguns metros da trave se Cleber não colocasse o pé nela e a tocasse contra o próprio gol.

O zagueiro cometeu duas falhas; uma de compreensão do lance e outra de fundamento.

O Corinthians lamentou o empate enquanto o Botafogo ficou satisfeito.

Sem interferência

A arbitragem de Leandro Vuaden foi boa.

Os auxiliares também não merecem críticas.

O resultado foi consequência apenas dos erros e acertos do jogadores.

Ficha do jogo

Corinthians – Walter; Fagner, Cléber, Gil e Fábio Santos; Ralf, Bruno Henrique, Petros (Zé Paulo) e Jadson (Renato Augusto); Romarinho (Luciano) e Guerrero. Técnico: Mano Menezes

Renan; Lucas (Daniel), Bolívar, André Bahia e Junior César; Airton (Jorge Vágner), Bolatti Edilson e Walysson (Gegê) ; Zeballos e Ferreyra. Técnico; Vágner Mancini

Árbitro: Leandro Pedro Vuaden
Assistentes: Rafael da Silva Alves e Marcelo Bertanha Barison

No Placar UOL

Comentei o jogo lá.

Se quiser ver o que eu escrevi, ao vivo, durante os 95 minutos, contando os acréscimos, eis o link.

http://futebol.placar.esporte.uol.com.br/futebol/brasileirao/2014/06/01/corinthians-x-botafogo.htm