“Chave do sucesso” é a mesma. Só não usa quem não quer

Leia o post original por Mion

Fla gastava 550 mil com jogador mediano como Carlos Eduardo e pagava apenas 20 mil a Luiz Antonio. Valores distorcidos por falta de competência administrativa. Tem que viver em crise!

Fla gastava 550 mil com jogador mediano como Carlos Eduardo e pagava apenas 20 mil a Luiz Antonio. Valores distorcidos para falta de competência administrativa. Tem que viver em crise!

Desde que o Brasil tornou-se país do futebol aconteceram muitas mudanças, algumas beneficiaram o esporte, outras nem tanto. A partir da década de 90 virou business e hoje movimenta bilhões de reais por ano. O negócio engoliu o esporte como um todo. Nada é feito sem buscar retorno financeiro. Se antes era popular, hoje atende exclusivamente interesses comerciais, além de elitizar os seus adeptos. Neste clima consumista, dirigentes de clube entraram numa ciranda financeira sem precedentes causando caos e falência de clubes como Flamengo, Corinthians e todos os demais grandes do futebol brasileiro.

Empresários e dirigentes dividem espaços, buscam soluções para os seus anseios. Atrás de jogadores que resolvam problemas em campo, diretores recorrem a empresários cheios de jogadores que precisam colocar nos clubes para a sobrevivência de ambos, empresários e jogadores. Ganham salários irreais ficam encostados, os clubes montam elencos acima de 30 atletas quando normal seria 23 até 25. Alguns chegam a ter 40, 50 atletas tudo em nome de acordos e necessidades de empresários. Para ter o “João” precisa engolir “Jorge” e “Silvio”contratados para que fiquem empregados e é claro o empresário possa ganhar sua comissão. A queda técnica resultou em um monte de jogadores limitados.

As bases formam garotos em busca do mercado internacional, quem não mostra qualidades é encaixado por aqui mesmo. Fica claro este sistema quando na atual seleção brasileira temos jogadores que não são craques, mas se destacam no futebol mundial como David Luis e Hulk eram totalmente desconhecidos do brasileiro. Saíram bem jovens, vejam o caso de Diego Costa hoje defendendo a seleção espanhola. Neste rolo, com o tempo, dirigentes esqueceram da fórmula básica de formar times de qualidade sem perder o rumo financeiro. A “chave do sucesso” tanto dentro como fora de campo. Desde o Inter da década de 70, passando por Flamengo de 80, Santos na última década, algo em comum existe: mescla de jogadores jovens formados em casa com um pessoal mais cascudo. Vejo times de ótima qualidade sub-20 de grandes clubes, logo em seguida esta meninada some, é vendida ou simplesmente sucumbe por faltar oportunidade.

Os dirigentes contratam uma série de jogadores meia boca ganhando 40, 50 e até 100 mil reais quando a meninada ficará feliz da vida em ganhar 20. Não estou falando daqueles que surgem como craques esses em pouco tempo vão ganhar mais, os empresários tratam de valorizar. Cito como exemplo de má administração e falta de bom senso, Luiz Antonio, um dos destaques do Flamengo na conquista da Copa do Brasil, ganhava 20 mil enquanto no banco tinha Carlos Eduardo vindo da Rússia com salários de 550 mil.

O Inter da década de 70 tinha Manga, Figueroa, Marinho Peres, Dario, e Lula mesclados com Falcão e uma garotada lá do sul. No Flamengo, em 80 Raul Plasmannm, Marinho, Carpegiani e Nunes junto com Zico e aquela geração maravilhosa de meninos formados na Gávea, tanto que o clube assumiu o slogan : “craque se faz em casa”. O Santos repetiu a dose no início da década passada com Diego e Robinho, recentemente com Neymar e Ganso. Prova de que a fórmula continua mesma. Elenco de 25 jogadores, sendo a espinha dorsal: goleiro, zagueiro, volante, meia atacante e centroavante composta por jogadores acima da média e caros, equilibrando com garotos da casa ou jovens promissores descobertos, direciona o clube ao rumo do sucesso em campo e equilíbrio financeiro. Matemática pura, preferível cinco jogadores ganhando 200 mil e seis ganhando 20 do que 11 meia boca ganhando 50, 80 ou 90 mil.

Esse pessoal jovem pode ser negociado e dar retorno financeiro. Os clubes que não seguem esta fórmula antiga e eficaz porque vivem nas mãos de empresários e pior, também possuem interesses escusos entre eles participações de dirigentes e técnicos. Enquanto o Brasil continuar sem controlar todo este emaranhado de negociatas, o futebol brasileiro continuará produzindo jogadores eficientes e bons para Europa sem se preocupar em buscar qualidade técnica, talento e diferenciados craques brasileiros..