Família reunida, com sombra, água fresca e frango*

Leia o post original por Antero Greco

O título da crônica é uma licença poética. Ok, de segunda classe, meio gaiata. Mas não desprovida de sentido. Vou provar por que se dispuser de cinco minutos, enquanto toma cafezinho, ou brunch, se for mais sofisticado.

O papo de “família Scolari” voltou nesta semana de treinos em Teresópolis. Se não com esses termos, famosos na campanha vitoriosa de 2002, no Mundial da Ásia, mas com sentido semelhante. Vários dos jogadores que falaram nas indefectíveis entrevistas dos últimos dias ressaltaram a relação afetuosa que há no grupo. Deram ênfase à cumplicidade estimulada por origem, percalços e objetivos comuns. Enfim, fizeram questão de mostrar que vai tudo bem, obrigado, na seleção.

Não tenho razão, por enquanto, para desconfiar da sinceridade dos moços. Pelo menos em público, houve demonstrações de simpatia recíprocas – dos goleiros entre si, de Hernanes com Marcelo, de David Luiz com Willian. Fora as provocações, as zoeiras nos treinos. Faz parte do perfil dos atletas se comportar como colegiais com a testosterona a mil nos bate-bolas.

Já que se trata de família – e aí chego ao título –, nada melhor do que aproveitar o domingo para curtir massa, frango assado, sombra e água fresca. E colocar o papo em dia, mesmo que seja por meio de what’s up (é assim que se escreve?!). Ou até mesmo lavar roupa suja. Ora, me diga uma família em que não haja uma rusga sequer? Tem de ter. Caso contrário, a relação é frágil. Tem de haver, nem que seja um mal-entendido, para em seguida provocar reconciliação.

Sombra e água fresca, de certa maneira, a turma teve na Granja desde segunda-feira. As sessões de treinos não se mostraram estafantes, como se poderia supor diante do tempo exíguo antes da estreia na Copa. A dosagem de esforço foi camarada – a ponto de Felipão suspender atividades anteriormente marcadas para as tardes de ontem e de hoje.

Por falar em tarefas, o coletivo da manhã foi útil: 45 minutos de teste bem movimentado, no qual sobressaíram Hulk, Oscar e Neymar, e ainda teve Thiago Silva no time reserva, pois ficará fora do amistoso de terça-feira com o Panamá, em Goiânia. E ainda deu pra ver que a turma não alisa com Bernard. O baixinho apanhou um bocado, a ponto de sair antes do fim.

A programação mais light faz sentido. Com exceção do pequeno grupo que atua no Brasil, os demais se encontram em fim de temporada. Inútil expô-los a desgaste adicional. Um ano atrás, a pegada foi forte na preparação para a Copa das Confederações. Naquela ocasião, era necessário apertar porque se buscava um time. Esse nasceu ao longo da competição, e o momento agora é de ajustes.

A adrenalina precisa agitar-se nestes 11 dias que precedem a abertura. E aumentar à medida em que as etapas se sucederem. Não adianta nada botar pilha de uma vez e ficar sem energia antes do tempo. Que a seleção discuta isso no almoço dominical, talvez com visita da presidente Dilma. É o que se falou.

*(Minha crônica publicada no Estado de hoje, domingo, 1/6/2014.)