Brasil 4 x 0 Panamá

Leia o post original por Mauro Beting

O melhor do amistoso contra o Panamá não foi apenas Neymar. Foi o camisa 10 do Brasil em Goiânia querer ser Neymar. Não ficar apenas preso à esquerda, como tantas vezes foi sacrificado taticamente por Martino no Barcelona. Além de rodar a criação e o ataque, como muito bem libera Felipão, Neymar deu rolinho até no árbitro. Deu passe de calcanhar. Fez um golaço de falta. Fez o que nem sempre conseguiu fazer pelo Barcelona.  Fez o que precisa fazer para o Brasil ser em 2014 o que Neymar quis que a seleção fosse em 2013.

O camisa 10 disposto como esteve contra o Panamá é o começo de um grande caminho. Mas pode não ser suficiente como bastou na Copa das Confederações. É preciso de muito mais de Fred, que nem sempre Jô conseguirá dar. É preciso que Oscar volte para articular e criar, como fez em algumas partes do amistoso. É necessário que Hulk marque sem a bola como fez, que se mexa bem pela frente como deu opções, que possa ter outras chances como o belo gol que fez, que possa enfim ser mais reconhecido pelo importante jogador que é…

Willian entrou muito bem, e é ótima opção para dar velocidade para a equipe em qualquer momento. Até por ter aprimorado a finalização.

Sem Paulinho, Ramires pode ser o segundo volante que quase vira o quarto armador, mas com menor poder de fogo, e pior passe. Hernanes deixa a equipe mais lenta. Porém mais técnica, inteligente, que pode dosar o ritmo, e aproveitar o tiro longo. De qualquer lado.

Pelos lados, apesar do gol de Daniel Alves, os laterais estiveram presos demais para o meu gosto. Mas é compreensível. O medo de que as bruxas que estão vassourando nomes de 2014 dê o ar da desgraça é mais que compreensível. Tanto quanto alguns problemas defensivos. Luiz Gustavo, quando esteve mais próximo dos zagueiros, lembrou o volante fundamental de 2013. Tão titular absoluto quanto todos os 10 companheiros que começaram e terminaram muito bem a Copa das Confederações. E merecem, por todos os motivos, continuarem na primeira escalação de 2014.

Se o time do primeiro jogo contra a Croácia será o da segunda partida contra o México é outra história. Mas é importante para um time que não terá nem três semanas para se preparar que se mantenha a base que deu liga ano passado. Não há tempo para mudanças. Nem outros nomes importantes que peçam para que tudo mude de primeira.

Só lamento que a boa atuação brasileira pode, eventualmente, mascarar alguns problemas. Ou não dar o tranco necessário para que a equipe entre mais antenada para a estreia em São Paulo.