A camisa vascaína

Leia o post original por Bruno Maia

Ontem foi lançada a bonita camisa comemorativa, em homenagem à seleção portuguesa, com a cruz de malta. Se Portugal a utilizasse, estaria dando uma moral e tanto para o Cristiano Ronaldo. Junto com o lançamento, voltam as questões sobre o fornecedor principal de material esportivo do clube, já que está chegando o fim do contrato com a Penalty. A tendência é não termos novidades no nosso fornecedor de camisas ao fim de julho. Isso por conta de uma cláusula que permite à empresa atual igualar a maior oferta recebida pelo Vasco e assim exercer sua preferência. Ou seja, só no caso de uma proposta estratosférica – algo pouco provável neste momento combalido que vivemos em campo e fora dele – o cenário mudará.

Curti a camisa que a Penalty fez em 2011. Fora isso, nada mais. Excluindo toda a análise comercial que envolve essa escolha – e este, sem dúvidas, deve ser um aspecto importante -, das marcas que já se fala que poderiam entrar, prefiro a Kappa. A razão é histórica, afetiva e emocional: era a fornecedora do momento mais glorioso que eu vivenciei. Por anos, tive uma calça preta da Kappa, que comprei antes mesmo da empresa italiana assinar contrato com o Vasco em 1997, que tinha uma listrinha vermelha e os bonequinhos símbolos da marca em branco. Não tinha nenhuma referência ao Vasco. Usei essa calça por mais de uma década, dada a estimação que tinha por ela. E por muitos e muitos anos, mesmo após vários outros fornecedores, sempre achavam que era uma calça do Vasco.

Todas as questões simbólicas são muito importantes na construção de uma identidade cultural. No futebol, isso é evidente. Associar-se com uma marca interfere em toda a percepção que temos do clube. Quem não tem raiva até hoje do maldito dia em que assinamos com a Champs?! Independente de ser feio o uniforme deles, a questão era que a Champs está associada a times pequenos. A conexão direta que fazemos é com isso. O Vasco se igualou aos menores.

Em termos de futebol, a Nike tem sido a empresa com os uniformes mais interessantes. Para esta Copa, inclusive, mudaram uma política horrorosa que tinham de padronizar um modelo para todas as seleções, alterando apenas as cores. Recentemente, eles voltaram a valorizar mais a personalização e o respeito à história de cada um e tem tido ótimos resultados. Afora que ter a Nike nos associa a uma empresa de exposição mundial e atualmente sem atender clube nenhum do Rio. É curioso, pois quem acompanha um pouco o marketing esportivo sabe que o Rio de Janeiro atualmente é uma das quatro cidades chaves para a Nike no mundo, sobretudo no futebol. Tanto é que, recentemente, abriram na cidade a sua primeira loja do mundo exclusiva para futebol.

Continuo extremamente descrente de que seja possível que alguém faça algo pensando no bem do Vasco esse ano. Seja quem está lá agora, seja quem venha a entrar. Nenhum grande contrato será assinado sem que se saiba o resultado das eleições, ainda mais contando o passado nefasto do principal favorito que nós temos. Estamos em um estado de espera e letargia no qual só quem se dá mal é o torcedor. A disputa pela nossa camisa é mais um capítulo dessa história que se espalha por todos os setores do clube.

De qualquer forma, a camisa deve ser entendida como um símbolo de força e a decisão de quem vai assumi-la deve estar acima da mera necessidade de mais dinheiro. Se fosse para votar, só pelo coração, o meu iria para a Kappa. E vocês?