Neymar, o mais jovem protagonista

Leia o post original por Mauro Beting

Em 1930, a base do Uruguai bicampeão olímpico (logo, mundial para aqueles tempos pré-Copa) ganhou a primeira disputa da Fifa liderada pelo ponta-direita Scarone. Ele tinha 31 anos. Era o mais velho do time. A mesma idade do treinador Alberto Suppici. O médio Andrade (28), o capitão Nasazzi (29) e os meias Castro (25) e Cea (29) eram outros nomes de uma equipe experiente.

Em 1934, a Itália foi campeã com o meia-atacante Meazza (23), o centromédio Monti (33) e o ponta Guaita (23) como protagonistas. No bi, em 1938, Piola (24) foi o nome do time que ainda tinha o meia Meazza (27) e o ponta Colaussi (24) como suportes.

Em 1950, Schiaffino (24) era o craque. Ghigghia (23) fazia os gols pela ponta. Maspoli (32) segurava a bronca na meta e Obdulio Varela mandava no time e nos rivais, no meio-campo, já com 32 anos.

Em 1954, o ponta Rahn tinha 23 anos. Mas a referência do time da Alemanha era o capitão Fritz Walter, meia de 33 anos.

Em 1958, Pelé, de outro planeta, tinha apenas 17. Fez o gol da vitória contra Gales, acabou com os jogos contra França e Suécia. Mas o craque da Copa foi Didi. Tinha 29 anos. E a companhia de Gilmar (27), Nilton Santos (33), Garrincha (24), Zito (25). Muitos canarinhos velhos.

Em 1962, Amarildo (21) jogou muito na função de Pelé, mas foi Garrincha (28) o nome do bi. Ao lado de 13 companheiros campeões de 1958.

A Inglaterra foi campeã em 1966 com Bobby Charlton (28), Bobby Moore (25) e Banks (28). Quase todos no auge do atleta, dos 26 aos 28 anos.

Em 1970, Pelé tinha 29. Jairzinho, 25. Rivellino, 24. Tostão, 23. Gerson, 29. Clodoaldo tinha apenas 19. O craque da Copa, além de ser Ele, tinha 29. Foi a melhor Copa Dele. Ele mesmo afirma.

A Alemanha ganhou 1974 com Muller (28), Beckenbauer (28), Overath (30), Maier (30), Breitner (22). O lateral jogou demais. Mas a base mais experiente garantiu o caneco.

Em 1978, Kempes foi o astro argentino. Tinha apenas 23 anos. Fillol (27), Ardiles (25) e Passarella (25) garantiram o caneco.

A Itália foi tri em 1982 pelos gols nos últimos três jogos de Paolo Rossi (25), pelas defesas de Zoff (40), pela segurança de Scirea (29) e talento de Bruno Conti (27) e Cabrini (24).

Em 1986, Maradona foi campeão com 25, depois de decepcionante Copa de 1982. Com ele foram campeões os argentinos Valdano (30) e Burruchaga (23).

Em 1990, Matthaus (29) liderou a Alemanha. Com Klinsmann (25), Völler (30) e Brehme (29).

Romário nos trouxe o tetra em 1994 com 28. Bebeto tinha 30. Taffarel (28), Aldair (28), Dunga (30).

Zidane foi campeão em 1998 com 26. Thuram tinha a mesma idade. Djorkaeff estava com 30.

No penta, em 2002, Ronaldo tinha 24 – mas na terceira Copa. Rivaldo estava com 30. Ronaldinho Gaúcho tinha 22.

Em 2006, Cannavaro ergueu o tetra italiano com 32. Buffon tinha 28. Totti, 29. Pirlo, 27.

Em 2010, a Espanha enfim campeã com Iniesta (26), Xavi (30), Casillas (29), Villa (28).

Em 2014, o Brasil será hexa por Thiago Silva (29), Fred (30), David Luiz (27), Júlio César (34) e, claro, e mais que tudo e que todos, Neymar (22).

Nunca, na história das Copas, um campeão terá como protagonista alguém tão jovem. E com tão pouca gente experiente para ajudá-lo.

(Todo este longo texto serve apenas para realçar a dificuldade que o Brasil terá em campo. A responsabilidade sobre os ombros de Neymar. E como faz falta uma melhor condição de Kaká, Ronaldinho Gaúcho…)