Seedorf já foi demitido do Milan? Ué, mas não era o futebol europeu que dava exemplo e segurava os seus técnicos?

Leia o post original por Milton Neves

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Acordamos hoje com a notícia que o Milan demitiu o maravilhoso Clarence Seedorf.

Ué, não havia um “surto” pró-Europa sobre a organização e paciência no trabalho técnico e tático?

Sim, eles estão adiantados em muitos quesitos, mas em outros são tão vulneráveis quantos nós, latinos.

A luta por resultados e a “corda” sempre romperá para o lado mais fraco, é uma prática mundial.

E veja a situação do bom holandês, que se aposentou no Botafogo, apenas para comandar o time rossonero.

Nelson Rodrigues dizia “No Brasil, cochicha-se o elogio e berra-se o insulto”.

Eu escrevi na última sexta-feira que ando orgulhoso de ver na TV o rosto de TODOS os jogadores e membros de comissões técnicas de tantos países, que já desembarcaram em nosso país para o mundial, um ar de admiração, tranquilidade, felicidade e até de surpresa pelo que já encontraram.

E olha que não viram nem 5% do que os espera.

Belos CTs, comida sem igual no mundo, hospitalidade de primeiro nível, shoppings monumentais, arquitetura ímpar, cidades verticais como nos EUA, nossos estádios lindos, mesmo que com saltos orçamentais, paisagens deslumbrantes e um povo bonito e acolhedor.

Gente, já ganhamos a Copa só no bom susto que nossos visitantes levaram no primeiro piscar de olhos.

Eles sacaram que estão no melhor lugar do mundo e voltarão para seus países tendo descoberto o Brasil como nossos novos Pedro Álvares Cabral e nunca mais falarão mal da gente.

Portanto sem esta de que vamos passar vergonha.

O maravilhoso jornalista Eduardo Castro, da EBC, escreveu excelentes linhas a respeito do tal “Fracasso” que transcrevo abaixo e vale pena uma reflexão:


“Fracasso é sheik entrar em campo e fazer juiz anular gol – e teve na Espanha.

Fracasso é torcedor agarrar atleta pelo pescoço e mudar resultado de competição – teve na Grécia.

Fracasso é a bola bater um metro fora e juiz validar gol do time da casa na final – teve na Inglaterra.

Fracasso é explodir bomba dentro do parque olímpico – teve em Atlanta.

Fracasso é sequestrarem metade de uma delegação e matarem um monte de gente – teve na Alemanha.

Se rolar um troço assim, ou algo parecido, daí sim terá sido um fracasso. Mas, como se percebe, superável. Vai dizer que você lembrava disso tudo? Atrasar vôo ou obra não ficar pronta não tem nada a ver com sucesso do evento. É problema de outra ordem, e mereceria uma atenção maior do que disputa política.

Copa é um troço supervalorizado pelas partes interessadas; e há gente interessadíssima, tanto a favor quanto contra. Não é a origem de todas as mazelas, nem a culpa da sua perpetuação. Também não é manifestação cultural, patrimônio do povo ou a solução para o caos urbano. É um evento – e
privado. Fazendo cinco ou seis contas isso fica claríssimo.

Greve é parte da coisa e direito de quem quiser fazer – desde resguardadas as regras de civilidade. Sempre tem: teve greve de metrô em Londres, teve greve do Louvre em Paris, teve greve da companhia de energia na África do Sul. Lá, aliás, teve greve até de segurança privada que atuava dentro de estádio, resolvida duas horas antes de jogo do Brasil, com dinheiro vivo na mão dos caras.

Sempre tem suspeita. Em todas. E vi de perto, em três copas e uma olimpíada, que “legado”, mesmo, nesses eventões, é só de imagem. De quem faz – para o bem ou para o mal. Mas fundamentalmente na imagem do lugar e de seu povo, tanto pra fora quanto pra dentro. Na Coréia e na África do Sul, por exemplos, foi um banho de auto-estima.

Aqui não vai ter isso. Somos craques em nos auto-sabotar. Nisso não fracassamos nunca.”

E aí, torcedor? Vamos parar com essa síndrome de “vira-lata” ou vamos continuar nos boicotando no maior evento esportivo do planeta?