Para Tite, não basta o Brasil ser campeão,tem que ser completo

Leia o post original por blogdoboleiro

Não basta ser campeão do mundo. É preciso jogar bem, convencer e vencer com eficiência e eficácia. O técnico Tite pensa assim e quer o Brasil deste jeito: ganhando o Mundial com autoridade. Em entrevista ao Blog do Boleiro, o técnico campeão do mundo pelo Corinthians (2012) reafirmou a crença de que um futebol bem jogado, completo desde a marcação até a finalização, vai dar o título ao time de Luiz Felipe Scolari e ainda estimular melhorias dentro de campo no futebol brasileiro.

Aos 53 anos, Tite está terminando um semestre “Sabático” que se impôs depois que deixou o Corinhians no final do ano passado. Ele estudou, viajou, acompanhou finais e jogos decisivos pela Europa, viu como trabalham Carlo Ancelotti, Pepe Guardiola e Simeone. Tem olhado de perto os clubes brasileiros. Repete bastante que também vê, ouve e estuda o que os comentaristas de futebol andam falando.

Reciclado, ele volta ao mercado depois da Copa do Mundo. Com a certeza de que a montagem de um grupo de jogadores faz a diferença num universo onde os esquemas táticos variam muito pouco.  

Blog do Boleiro – Por que não basta o Brasil ser campeão, mas precisa jogar bem?
Tite – É coisa de treinador. A gente sempre acredita que sua equipe tem que ser melhor. Tem que criar mais, ter mais posse de bola, marcar mais, criar chances de gol e ser efetivo. Quero que o Brasil vença jogando igual ao que jogou na Copa das Confederações. Foi um futebol de excelência.

Você acha que, se o Brasil jogar deste modo, será uma sinalização para onde o futebol brasileiro poderá seguir?
Acho, acho. Eu vejo assim: nossa característica é ter o domínio do jogo, manter a posse de bola e ser efetivo. Não como, por exemplo, a Itália que controla o jogo, esperando o adversário, marcando forte e tentando a saída do contra-ataque. A escola do Brasil tem esta afirmação, a do domínio, do controle e não podemos perder esta essência.

Você recusou convites para comentar jogos e participar de programas durante o Mundial. Vai ver os jogos?
Vou, vou sim. Na primeira fase, em que teremos até três partidas no mesmo dia, devo assistir em casa. Será bom para analisar os esquemas táticos, as variáveis dos times, ver como será a cobertura de vocês (televisão). Depois das oitavas de final em diante fica mais fácil de acompanhar ao vivo. Mas quero ver se consigo ingressos para dois jogos: Holanda e Espanha, no dia 13, e Portugal e Alemanha. Quero tentar acompanhar ao vivo. Se não der, vejo lá de casa no sul.

Qual seleção será a campeã do mundo?
(pausa) Temos quatro equipes muito boas: Brasil, Argentina, Alemanha e Espanha. Acho que as surpresas devem chegar, no máximo, até a semifinal.

Você não enjoou de fazer nada?
(riso) Não fazer nada é? Acompanhar o trabalho de vocês, ver jogos, acompanhar as partidas, fazer uma reciclagem de ideias, é trabalhar. Claro que me sinto mais à vontade com o trabalho de campo. Mas é trabalho estudar esquemas táticos, como funcionam as transições, observar jogos. Quando estou dirigindo um clube não há tempo para isso. Então estou me permitindo isso.

O que você viu lá fora neste período sabático?
Vi “in loco” a vitória do Barcelona sobre o Manchester City (2 a 0), a do Bayern de Munique sobre o Arsenal (2 a 0) e vi a final da Liga dos Campeões entre Atlético de Madrid e Real Madrid. Acho que pude observar exemplos fortes como o campeão inglês (City), o campeão alemão (Bayern), o campeão da Copa da Inglaterra (Arsenal), o campeão espanhol e o campeão da Liga.

E viu alguma novidade?
Em termos táticos, não existe muita novidade. Os sitemas têm variado do 4-4-2, com 4-4-1-1 e outras variações. O que existe de diferente é como estas equipes são montadas. Você tem uma alternativa que é mais lenta, mas aposta na técnica dos jogadores. É o que acontece no City que aposta na imposição técnica de um Yaya Touré, um Davi Silva, um Fernandinho, um Nasri. O Real Madrid joga com uma transição de muita velocidade, especialmente quando forma com Benzema e Cristiano Ronaldo mais na frete, Di Maria pelo lado, Bale de outro, com Xabi Alonso vindo de trás é um time muito forte.

E o Atlético de Madrid?
o Atlético tem ótima marcação, mas possui variáveis ofensivas mais limitadas. Sem o Diego Costa, o time fica com menos opções na frente.

A seleção brasileira tem alguma das características destes times?
O Brasil tem uma transição ofensiva de muita velocidade. Se o adversário agredir com cinco, seis jogadores, corre o risco na volta. O time brasileiro tem esta mobilidade e pode funcionar bem também com pressão alta.

O “período sabático” termina então no final da Copa?
Termina.

Clubes interessados poderão então procurar você?
Podem sim.