Base abandonada, Copa sem graça

Leia o post original por Bruno Maia

A partir de hoje, o noticiário esportivo será engolido de vez pela Copa do Mundo. E para a torcida vascaína, o que nos resta é torcer para Martin Silva, nosso único representante no torneio. Pior do que não ter nenhum jogador convocado pelo escrete canarinho- e sem a menor chance de termos tido – é ver que nenhum dos convocados sequer teve alguma relação com o clube. Se considerarmos que a média de idade dos convocados por Felipão é 27,7 anos, vamos ver que trata-se de uma geração cuja formação da base foi feita entre 2000 e 2007. Quando vemos isso e lembramos o que esses anos representaram em termos de gestão política no clube, tudo faz sentido. Esse foi mais um dos péssimos legados da passagem de Eurico Miranda pela nossa presidência.

O cenário nos anos seguintes, sob a gestão de Roberto Dinamite, a coisa melhorou um pouco, mas não de forma decisiva. Alguns nomes que, ou foram formados em São Januário ou foram contratados ainda jovens para as categorias de base e foram promovidos em São Januário, apareceram. Voltamos a ter jogadores importantes também nas seleções brasileiras mais novas. Mas aí veio o outro problema: a falta de capacidade de mantê-los no clube. A base foi usada para desafogar os altos custos gerados por contratações de nomes mais velhos, com custo mais alto. Foi quando chegou ao futebol brasileiro essa convicção de que time grande tem que vender dois jogadores por ano para manter as contas em dia. No caso do Vasco, nossa renovação não conseguia ser maior do que dois jogadores por ano, com isso as jóias iam embora e a mudança de panorama não se refletia no time principal. Outro problema grave da gestão Dinamite-Rodrigo Caetano foi a total incapacidade de criar alternativas à eterna dependência do interesse de empresários. Por mais que tenha sido a única forma de trazer alguns nomes, é verdade, o problema foi a falta de alternativas. Os melhores jogadores de empresários iam embora porque o interesse financeiro dos envolvidos falavam mais alto e os da base se mandava para fechar a conta deixada pelos dos empresários. Somadas, essas duas características, os vascaínos se acostumaram a sucessivas decepções, com saídas indesejadas, que não só abalavam a confiança da torcida, como o planejamento a longo prazo de termos times consistentes.

Enquanto isso, vemos aqui pertinho o trabalho que nossos fregueses tricolores fizeram de base em Xerém, que levou Marcelo a titular e Thiago Silva a capitão, nomes incontestáveis. Fora o artilheiro emprestado a 5 anos pela Unimed aos tricoletes e que traz consigo muito das esperanças de gol do time de Scolari. Cavalieri ainda ficou fora por pouco. E nós, chegamos hoje, torcendo por Martin Silva, que acabou de chegar, ainda não escreveu sua história no clube, não foi por causa dela que garantiu seu lugar na maior competição do planeta, mas é o que nos resta. Quando a Copa acabar, faltará três semanas para as eleições e a verdade é que nada ainda nos faz crer que o futuro próximo trará mudanças.

No alto do texto, a foto de uma geração que, se não foi brilhante, mostrou a força que o time já teve na formação de base e que foi campeão da Taça São Paulo em 1992. E seguimos, pois, afinal, #vaitercopa.