A Copa na Paulista

Leia o post original por flavioprado

Foto: AFP

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Sai caminhando. Nem acreditava que era 12 de junho. Finalmente a Copa do Mundo começou no Brasil. Sou apaixonado por Mundiais e até divido fases da minha vida, entre períodos do torneio. Logo vejo um grupo de croatas. Os carros passam e buzinam. Eles sorriem e gesticulam. Nos postes discretas bandeiras do evento, como já vi tantas vezes, em tantos lugares do planeta. Ontem passei o dia em Itaquera acompanhando a seleção brasileira. A sala de imprensa fala as mais variadas línguas. Voltei de metro como não faço aqui, porém cansei de utilizar nas copas da França e da Alemanha  e o melhor é que, depois de várias estações, cheguei em casa, não no hotel.

Voltando à Paulista velhos, jovens, crianças, todos têm algo amarelo ao redor do corpo. Um chato helicóptero sobrevoa, pela milésima vez, o hotel onde estão os jogadores americanos. Mais croatas. Agora um casal. E lá na frente outro grupo bebendo cerveja. Nunca imaginei que veria tantos croatas, fora da Croácia. O “Elvis Presley” da esquina com a Augusta ajeita seus play backs com mais capricho. É dia especial. Passam dois mexicanos. Volto no tempo e lembro, como me encantou, o domingo em que cheguei a Buenos Aires para cobrir o Mundial de 1978.

Essa mistura de gente nunca saiu da minha cabeça. Fico emocionado com a lembrança. Aquele foi o primeiro. Hoje começa o décimo que participo como jornalista. Sempre fui e continuo sendo absolutamente contrário à Copa no Brasil. Sabia que seria um roubo antológico e foi. Temo pela nossa economia com tantos desfalques. Mas agora não tem jeito. É como se roubassem seu cartão de crédito e organizassem uma enorme festa, que você não queria e nem poderia pagar, usando o seu dinheiro. Cancelar a festa não ia ser mais possível. Então o jeito é aproveitar e depois ver no que dá.

Se a seleção brasileira não for campeã do mundo deveremos ter enxurradas de CPIs, explicando os gastos absurdos com o evento. Se ganhar vão deixar para lá. Eu gostaria que todos os ladrões da Copa acabassem na cadeia. Com ou sem título dos jogadores. Agora, no entanto, darei uma trégua. Como disse a Joana Havelange, com conhecimento de causa, é claro, “o que tinha que ser roubado, já foi”. Lamento e cobrarei punições. Mas darei uma trégua.

O futebol, que amo, está no seu máximo. Veremos grandes jogos em campos brasileiros, coisa que faz tempo não acontecem. Vou viver a Copa intensamente, vendo todos os jogos, fazendo anotações e trabalhando com enorme prazer. Minha agenda está fechada para todo o resto até dia 13 de julho. Em seguida voltarei com carga toda contra a bandidagem do futebol.