Espanha 1 x 5 Holanda. Fonte de rejuvenescimento

Leia o post original por Mauro Beting

Alguém, sem ser o deputado João Alves da Loteca, acertou o palpite do bolão?

 

 

Espanha no 4-4-1-1 ou estranho 4-2-3-1; Holanda no 3-4-1-2

Espanha no 4-4-1-1 ou estranho 4-2-3-1; Holanda no 3-4-1-2

 

Algo eu acertei no carnaval de gols de Salvador: esta será a melhor Copa das últimas.

Algo eu e o mundo que ainda é espanhol errou: a Espanha não está tão viva.

Alguém renasceu na Fonte Nova.

Não foi a Laranja Mecânica 2.0. Talvez apenas o bagaço físico espanhol.

Não que eu desse tanta pelota aos espanhóis. Eles já ganharam muito desde 2008. Mas eu não esperava grandes coisas dos envelhecidos Sneijder e Robben, e mesmo muitos gols de Van Persie.

No primeiro tempo, de fato, a Espanha foi pouco melhor. Se Sneijder teve aos 8 minutos chance de ouro perdida à frente de Casillas, como Robben em 2010, nos primeiros 45 minutos a Espanha foi melhor. Com mais chances. E com uma linda troca de bola que deu no pênalti cavado por Diego Costa – absurdamente vaiado pelo pachequismo inconsequente. Pênalti bastante discutível.

Teve outro belo lance de Iniesta para David Silva parar nas mãos de Cilessen. Era jogo para a Espanha dominar sem maiores sustos até Van Peixe, opa, Van Persie, em belo peixinho, empatar.

E tinha mais na segunda etapa: Blind, que já lançara lindo RVP no primeiro gol, enxergou outro companheiro livre. Robben matou a bola, comeu Piqué, e desempatou.

E tinha mais: Sneijder cruzou no segundo pau, um clone (cone?) de Casillas pulou e não achou, De Vrij ampliou de cabeça, em lance em que se pode discutir falta sobre o goleiro espanhol, que não pode ser tocado quando está com os braços abertos na pequena bola para fazer a defesa, em lance parecido com aquele (bem) anulado sobre JC, contra a Croácia.

E tinha mais: Casillas emulou o Zubizarreta da estreia da Copa de 1998, perdeu bola dominada, e RVP se inscreveu na lista VIP do RSVP.

E tinha mais: Saída rápida no contragolpe, outro erramos de Sergio, que foi ainda mais lento que Piqué, e o impressionante Robben selou a virada. Santa vingança, Batman!

E só não teve mais por Casillas, aí sim, fazer três defesas importantes. Cerrando a porteira aberta pelas mexidas de Del Bosque que devastaram a armada espanhola. Busquets, Xavi e Iniesta não viram a cor da bola no 4-3-3 então formado. Bola que era branca como a camisa espanhola. Pálida como a atuação na Bahia. Como algumas das partidas do Barça com esses mesmos grandes nomes.

Gente de linda história que teve um segundo tempo fisicamente sofrível. A Espanha foi irreconhecível defensivamente. O time que estava a 85 minutos de bater o recorde de invencibilidade da meta em Copas levou mais que o dobro dos gols sofridos em 2010.

A pior estreia de um campeão mundial desde 1934. Somados os 6 a 1 de 1950 para o Brasil, no Rio, e os 5 a 1 para Espanha, em Salvador, em capitais coloniais, parece que há uma tardia vingança do Tratado de Tordesilhas.

Não sei se a Holanda é tudo isso que foi na segunda etapa. Não sei mesmo.

Não sei se a Espanha acabou na Euro-12. Não sei mesmo.

Mas eu sabia ainda menos quando apostei mais na Espanha e muito menos na Holanda.

Ainda tem muito jogo no grupo.

Mas onde a Espanha vai reencontrar gás e moral?

Parece até que a Laranja Mecânica vingou a Dinamáquina destroçada pelo artilheiro espanhol Butragueño. Também em um 5 a 1, em 1986. Também com um gol de erro tolo em saída de bola.

Há como comparar histórias.

E ainda assim, em Copas, vai ser difícil comparar esta história.

Holanda espetou um pouco mais os alas; Espanha voltou ao 4-3-3. Mas mal fisicamente

Holanda espetou um pouco mais os alas; Espanha voltou ao 4-3-3. Mas mal fisicamente