A Copa dos cepas que xingam Dilma e Diego

Leia o post original por Mauro Beting

– Ei, vó do Gabriel, vai tomar no!

É o que se ouviu no estádio que pagou caro pelo ingresso raro para a abertura da Copa em Itaquera ainda mais cara. Gente que não gosta do governo – seja qual for. Gente que não vota no PT – seja quem for. Gente que não gosta de presidenta – seja quem for.

Dizem que o torcedor tudo pode no estádio por pagar ingresso. Sei…

Dizer o que, então, de quem é convidado de quem realmente pagou pelo ingresso? Não sei.

Pode vaiar craque em estádio – embora não seja tão esperto.

Pode virar claque na arquibancada – profissional, partidária, sectária, organizada, o que for.

Pode quase tudo.

Mas uma coisa é UUUUUUU.

Outra é vai tomar na rima.

Enquanto o povo sem muita educação não entender que vaiar é diferente de xingar, vamos trocar as bolas como trocamos de partidos.

Xingar a avó é como xingar a minha mãe. E a minha mãe é Nonna do mais lindo Gabriel.

Coloque-se não na pele da presidente. Mas da avó do Gabriel que ouviu parte do Brasil xingar não a Dilma. Não o Lula. Não o PT. Não o governo. Não o Minha Casa, Minha Vida. Não a reeleição. Mas xingar a própria vó.

Coloque-se no R.G. de brasileiro. Não se xinga a Dilma. Xingou-se a presidência da República. A república. O Brasil.

Vaiar pode. Não é de bom tom pra festa, é mais producente apertar outros números na urna, o que for.

Mas xingar é diferente.

Como é diferente vaiar e também xingar um brasileiro que optou por jogar pela seleção da Espanha que o recebeu e reconheceu. Sim, o Brasil havia chamado antes Diego Costa para a Seleção. O Brasil onde nasceu o cidadão de Lagarto que virou real cidadão espanhol.

Por querer. Por poder. Por precisar.

Como os meus bisavós alemães e italianos vieram ao Brasil criar família brasileira com ascendência alemã e italiana.

Vieram por querer. Por poder. Por necessitar. Por precisar. Por tudo. Por todos.

Vieram ao Brasil. Viraram Brasil. Viveram no Brasil. Fizeram vidas no Brasil.

Mas sempre voltaram em sonhos para a Alemanha de berço, para a Itália de pátria.

São emigrantes de lá, imigrantes cá. São mezzo Europa, mezzo América.

Mas são 100% respeitosos de onde saíram para onde vieram.

São não sei quantos por cento mais respeitosos, educados e cidadãos que a talibancada que vaiou e xingou Diego Costa por optar vestir a camisa do país que o quis mais. Da seleção que ofereceu mais.

Mercenário? Quinta-coluna? Traidor? Carreirista? Dinheirista?

Não. Sempre não.

Mas, mesmo que não quisesse não ser mais Brasil (como, por exemplo, o campeão mundial de 1958 Mazola virou Altafini italiano na Copa de 1962), ele não merecia a vaia velha da Fonte Nova.

Não merecia Diego Costa a vaia do povo do país que ainda é o berço, mas não o leito de onde tira o leitinho de casa.

Diego fez uma escolha profissional que a vida o levou.

As pessoas que o vaiaram podem ficar contrariadas.

Mas em um país colônia como o nosso, rico de cores e credos como o nosso, vaiar um brasileiro que vira estrangeiro no Brasil é virar do avesso o que nos fez virar Brasil.

Triste talibã que vaia a vida.

Das piores manifestações de estádios da história das Copas.

A Copa dos cepas dos estádios.

 

P.S.: Caríssimos. Por favor, como já acontece na minha fanpage, gostaria de um debate em alto nível. Podem concordar. Podem discordar. Isso é democrático. Falar. Ouvir. Entender. Desentender. Mas dialogar. Deixar com resposta. Deixar com pergunta. Xingar é fácil. Respeitar, nem tanto.

E, mais uma vez, como explicado no início do texto. Eu não tomei partido. Eu não tenho partido. Apenas gostaria que as pessoas defendessem mais ideias e pessoas que partidos. Ou, então, não ataquem sem ideias os de outro. Respeitem. Virulência verbal é violência.

Vamos discutir sem patrulha. E, por favor, dentro do possível, sem rótulos de quinta-colunistas a leste e a oeste.