Momento para a história

Leia o post original por Gaciba

Estádio Beira Rio, Porto Alegre, Brasil. No dia 15 de Junho de 2014, aos 3 minutos do segundo tempo na partida entre França e Honduras, Karim Benzema chuta ao gol defendido pelo goleiro Noel Valadares. A bola beija a trave e corre sobre a linha do gol, instintivamente o goleiro Hondurenho tenta, e consegue tirá-la para fora de sua meta. O árbitro brasileiro Sandro Meira Ricci apita um segundo depois e aponta o centro do campo. Após 150 anos, pela primeira vez na história do futebol moderno a tecnologia é responsável pela confirmação de um gol. Você viu?

Foi especial estar no estádio e vivenciar este momento único. Após o apito de Ricci, suspense no estádio! Ninguém queria ver Benzema comemorando, olhos voltados para os telões. A FIFA, também está aprendendo e tornou a história mais dramática.

O primeiro replay já mostra a bola na trave e pela camera de cima do gol a “sensação” que a bola ultrapassou completamente a linha mas, depois escolhem outro ângulo que deixa a dúvida se ela havia entrado completamente na meta. Aí o replay com tecnologia. Bola na trave (não gol) e o estádio solta um “óh”, a bola corre e é mostrada a imagem aérea do primeiro replay. Congelamento e a mensagem “GOL”. O Beira Rio solta um novo “óh”, este mais aliviado mas não menos encantado!

Paramos a imagem depois do jogo diverasas vezes e realmente a bola ultrapassou a linha completamente. Quando o goleiro tem o contato com ela “no ar”, para ser mais exato. Como é um sistema novo, a FIFA também está aprendendo. Creio que, nestes casos o melhor será mostrar PRIMEIRO a imagem da bola no exato momento em que ultrapassou a linha do gol para depois animar ou repetir por outros ângulos a jogada. Para evitar polêmicas, afinal, o sistema DAG (Detecção automática de gol) está ali para esclarecer com credibilidade o ocorrido.

Que o sistema era confiável, não tinha dúvida. Por este fato demorou tanto para ser implementado. Imaginem a tecnologia necessária para que tudo o que vimos acontecer em menos de 2 segundos?

Confesso, foi um barato. Ver a dúvida e a certeza! Ver a polêmica e o esclarecimento lado a lado. E o mais legal foi que ficou claro  do olho humano não podemos cobrar esta precisão. Perceberam como a cada ângulo diferente temos uma sensação de que a bola entrou ou não? Será que os criadores das regras em 1863 poderiam imaginar algo parecido com isso?

Lembrei de um teste que fizemos de forma muito amadora com fotos no Maracanã no ano 2006. Colocamos uma bola no chão no limite de uma linha e tiramos diversas fotos “sem movimentá-la”! Cada foto, cada ângulo, dava uma impressão diferente. Como cobrar que árbitros e bandeiras acertem nestas situações? confiram:

 

No lance de Porto Alegre, como instinto natural de um ex-árbitro, ao ver a bola no limite de entrar ou não, corri o olho para o assistente número 2, Marcelo Van Gasse. Imóvel, ele estava olhando para Ricci. Ao ver o árbitro apontar o centro, correu. Sem erguer a bandeira, como seria o procedimento padrão se fosse responsável pela decisão. Ou seja, confirma-se a decisão da máquina, provando que, valeu o investimento em nome da justiça.

Foi muito legal participar desta transmissão do “primeiro gol tecnológico do mundo”! Como falei, quiseram os Deuses do futebol que a equipe de arbitragem do País anfitrião da Copa do Mundo tivesse a honra de inaugurar uma nova página na história do futebol…