Espanha 0 x 2 Chile. La Roja vence o rojão de Rojas

Leia o post original por Mauro Beting

 

Em 3 de setembro de 1989, no Maracanã, o grande goleiro chileno Roberto Rojas cortou o próprio supercílio para simular lesão por um rojão atirado por uma torcedora brasileira que virou Playboy.

O Chile deixou o gramado para tentar ganhar no tapetão a classificação na Copa de 1990. Não deu. Rojas foi banido do futebol. Resgatado por Telê para ser preparador de goleiros no São Paulo onde atuava então, é ótimo profissional. Muito sério. Tão bom quanto era como goleiro de grande reflexo. Não como o canastrão que eliminou o Chile. Não sozinho, embora tenha expiado todos os pecados coletivos daquela seleção. E que não eram poucos.

Quase 25 anos depois, um goleiro chileno, no Maracanã, em jogo válido por um Mundial, foi enorme. Mais até do que é. Ele foi Bravo. Bravíssimo. Segurou a pressão espanhola na segunda etapa com várias grandes defesas. Uma especial contra o especialíssimo Iniesta. Um que jogou pouco do que sabe. E ainda mais que muitos que não sabem tanto.

Bravo foi o nome entre tantos de La Roja chilena. Honrando o Rojas goleiro que se queimou com um rojão em 1989.

Esperava um grande Mundial. Mas não tão bom assim depois de mais uma temporada estressante e esgarçante na Europa – e, pelo não visto, ainda mais na Espanha… Muitas boas equipes buscando o gol com intensidade e qualidade. Com método e meios para tanto. Botando a pelota no chão. Abusando de bons passes e velocidade. Fazendo a bola girar. Sem ligação direta no bumba-meu-bagre. Querendo mais jogo e muito mais bola. Seleções jogando futebol com espírito de quem quer jogar bola. Como adoram dizer na Espanha, “desfrutando” o jogo. Frutificando um esporte ainda melhor.

Jogando como a campeã mundial de 2010, como a bicampeã europeia de 2008-12. Berço do Barça multicampeão. Do agora decampeão europeu Real Madrid. Espanha que nunca jogou tão bem. Mas que voltou agora a perder como quase sempre.

O mundo está jogando em 2014 como Espanha. Pena que, para as peñas espanholas, a Espanha não jogou como Espanha no Brasil. Ex-panha. A-panha. A piada infeliz que quiser. La Roja da Espanha desbotou.

Fúria? Só a torcida. A escola espanhola só fez festa fora de campo em 2013. Desde a final contra a Seleção de Neymar, no ano passado, não reencontrou o futebol por ora perdido de Iniesta, e, pelo visto, a bela bola apenas na memória deliciosa do que já jogou Xavi. Desolado que ficou no banco à deriva com a barba por fazer. Como todo a Espanha entrou no Maracanã chileno com muito mais que a barba por fazer. Quase nada fez a nau à deriva. A não mais invencível armada espanhola não marcou, não armou, não atacou. Não, Espanha!

Sim, Chile! Valente e guerreiro, de ótimo futebol. Sim, Holanda (que eu achava que já tinha ido para o saco antes de entrar em campo, pfff…). Sim, Alemanha, ainda melhor e mais experiente com as tantas derrotas recentes.  Sim, Argentina de Messi, Messi da Argentina. Sim, França que pode crescer. Como a jovem Bélgica. Como as velhas Itália e Inglaterra.

Sim como o Brasil de sempre. Ainda mais no Brasil. Ainda que sem a compactação de 2013 – que vem com os jogos, oremos. Ainda que sem uma criação mais articulada, que pode vir com mais de Oscar e muito mais de Paulinho ou Hernanes ou até Fernandinho – torcemos. Ainda que sem Fred jogando o que pode – e o que ele jogou a partir da terceira partida em 2013. Ainda que sem um jogo mais coletivo de Neymar. Ainda que com alguns senões ainda contornáveis para um grupo tão qualificado, ainda que inexperiente.

Vai dar jogo, Brasil. Como tem tanto jogo bacana nesta Copa. Tão boa que até um dos mais lindos gols é de Cahill. Golaço da Austrália.

Que Copa, amigos. Que Mundial, Brasil!