Felipão e o mau humor pra inglês ver

Leia o post original por Antero Greco

Felipão é bom ator – a qualidade para representar sempre ficou evidente, nas caretas, na entonação da voz, no timing durante entrevistas e, mais recentemente, na desenvoltura em comerciais de TV. Há ocasiões em que assume o papel de homem mau, durão, sargentão. E convence.
Agora, por exemplo, vive uma fase de cara fechada e recolhimento. Desde o empate com o México, no começo da semana, em Fortaleza, o técnico da seleção guarda distância da imprensa. Após a partida no Castelão, deu respostas curtas, evasivas, bufou e saiu da sala de entrevistas bravo por um pênalti não marcado sobre Marcelo. Falta que, por sinal, não existiu, e o lateral teve desempenho de canastrão ao jogar-se no lance.
O chefe da trupe brasileira também defendeu a equipe das críticas pelo pouco futebol no 0 a 0, sob o argumento de que viu evolução etc. e tal. Insinuou até que não faria mudanças para pegar Camarões. De quebra, disse que o rumo do time era problema dele. Lembra? Não é bem assim.
Felipão abandonou, ao menos temporariamente – e assim espero –, o estilo “paz e amor” que adotou como parâmetro para a maratona do Mundial. O tipo afável nas coletivas das duas primeiras semanas de trabalho deu lugar ao personagem carrancudo, de maus bofes, o estereótipo do gaúcho casca-grossa. Mais ou menos como o analista de Bagé, criação clássica do Verissimo.
 Felipão sabe quais os aspectos que funcionam na equipe, quais os pontos negativos. O que pode ser mantido, o que exige mudanças. O que funciona e o que requer melhoramentos.
Mas optou por enveredar pelo caminho da proteção ao grupo, com a tática da carranca. A maneira de passar recado aos atletas de que podem confiar nele veio com a preservação da imagem do elenco para o público externo. A cobrança, em vez disso, fica para as longas horas de convívio na concentração, em Teresópolis.
Esse é o jeito de Felipão lidar com situações delicadas. Deu certo em muitas ocasiões e cada um tem suas idiossincrasias – ou cismas, como se dizia no Bom Retiro. Mesmo com essa postura, não se fecha a modificações na formação titular. A seleção necessita de chacoalhada – e a oportunidade está no jogo de amanhã, em Brasília.
O desafio diante dos africanos vale a vaga para as oitavas, e em primeiro lugar. O Brasil está em dívida, pois não convenceu nas duas apresentações iniciais, e ainda pode dar-se o luxo de fazer ajustes. Das oitavas em diante, o menor vacilo significará eliminação, ainda mais com a perspectiva de topar com rivais do calibre de Holanda, Uruguai (ou Itália), Alemanha ou França.
Daí Felipão ficará realmente bravo, assim como o torcedor. E não haverá volta.

Felipão e o mau humor pra inglês ver

Leia o post original por Antero Greco

Felipão é bom ator – a qualidade para representar sempre ficou evidente, nas caretas, na entonação da voz, no timing durante entrevistas e, mais recentemente, na desenvoltura em comerciais de TV. Há ocasiões em que assume o papel de homem mau, durão, sargentão. E convence.
Agora, por exemplo, vive uma fase de cara fechada e recolhimento. Desde o empate com o México, no começo da semana, em Fortaleza, o técnico da seleção guarda distância da imprensa. Após a partida no Castelão, deu respostas curtas, evasivas, bufou e saiu da sala de entrevistas bravo por um pênalti não marcado sobre Marcelo. Falta que, por sinal, não existiu, e o lateral teve desempenho de canastrão ao jogar-se no lance.
O chefe da trupe brasileira também defendeu a equipe das críticas pelo pouco futebol no 0 a 0, sob o argumento de que viu evolução etc. e tal. Insinuou até que não faria mudanças para pegar Camarões. De quebra, disse que o rumo do time era problema dele. Lembra? Não é bem assim.
Felipão abandonou, ao menos temporariamente – e assim espero –, o estilo “paz e amor” que adotou como parâmetro para a maratona do Mundial. O tipo afável nas coletivas das duas primeiras semanas de trabalho deu lugar ao personagem carrancudo, de maus bofes, o estereótipo do gaúcho casca-grossa. Mais ou menos como o analista de Bagé, criação clássica do Verissimo.
 Felipão sabe quais os aspectos que funcionam na equipe, quais os pontos negativos. O que pode ser mantido, o que exige mudanças. O que funciona e o que requer melhoramentos.
Mas optou por enveredar pelo caminho da proteção ao grupo, com a tática da carranca. A maneira de passar recado aos atletas de que podem confiar nele veio com a preservação da imagem do elenco para o público externo. A cobrança, em vez disso, fica para as longas horas de convívio na concentração, em Teresópolis.
Esse é o jeito de Felipão lidar com situações delicadas. Deu certo em muitas ocasiões e cada um tem suas idiossincrasias – ou cismas, como se dizia no Bom Retiro. Mesmo com essa postura, não se fecha a modificações na formação titular. A seleção necessita de chacoalhada – e a oportunidade está no jogo de amanhã, em Brasília.
O desafio diante dos africanos vale a vaga para as oitavas, e em primeiro lugar. O Brasil está em dívida, pois não convenceu nas duas apresentações iniciais, e ainda pode dar-se o luxo de fazer ajustes. Das oitavas em diante, o menor vacilo significará eliminação, ainda mais com a perspectiva de topar com rivais do calibre de Holanda, Uruguai (ou Itália), Alemanha ou França.
Daí Felipão ficará realmente bravo, assim como o torcedor. E não haverá volta.