Fenômeno: por que amamos detestar Ronaldo?

Leia o post original por Mauro Beting

Ronaldo jogou 19 partidas em três das quatro Copas em que foi bicampeão, uma vez vice, e outra eliminado nas quartas-de-final.

Klose acaba de fazer o 20º jogo em quatro mundiais. Foi terceiro colocado em 2010 e 2006. Vice em 2002.

Três vezes melhor do mundo, R9 é muito melhor centroavante, atacante, jogador. É craque. Um dos gênios do esporte.

Klose é ótimo. Letal. Preciso. Cirúrgico. Não é o melhor centroavante alemão. Não mesmo. Mas iguala a marca fenomenal de um torneio desde 1930 disputado.

Ronaldo fez o 15º gol em Copas contra Gana, na Alemanha, em 2006, pedalando à frente do goleiro e fazendo bonito. Klose fez o 15º gol em Copas 114 segundos depois de entrar em campo no Brasil, contra Gana. Mais um gol de artilheiro. Não de beleza.

O polonês-alemão é um monstro, também. Por não ser tão bom, tão técnico, tão rápido, tão forte. Mas ser igualmente decisivo como deve ser um atacante.

Ronaldo marcou 13 dos 15 gols de dentro da área. Klose fez todos os dele lá dentro. É o habitat dele. Direto, marcou 13 dos 15 gols em toque único na bola. Cerebral, hábil, Ronaldo fez oito dos 15 gols em toque de primeira. Os demais foram em jogadas individuais, muito mais bonitas que quaisquer dos 15 de Klose.

Na pequena área, R9 fez quatro gols. K11 marcou três. De canhota, o pé frágil de ambos, Ronaldo marcou mais (quatro contra três). De pênalti, o brasileiro fez um. Klose, nenhum.

De cabeça, o alemão é impressionante. Marcou sete gols. Os cinco primeiros foram assim. Maior (única) deficiência de Ronaldo, o Fenômeno só fez um. De fora da área, Ronaldo fez dois. Klose, nenhum.

Agora, o alemão pode superar R9. Faz parte, embora, para o meu gosto, e não por ser brasileiro (e mesmo por ser Beting alemão), eu gostaria que a história das Copas tivesse Ronaldo como artilheiro máximo. Ou até Gerd Muller, que foi melhor que Klose, marcando 14 em duas Copas. Ou, quem sabe, Thomas Muller, mais completo, e já com oito gols em dois Mundiais.

Mas é Klose que iguala. É Miroslav que pode superar.

O intrigante é o porquê de não poucos brasileiros gostarem dessa ideia de um alemão superar um brasileiro como se fosse um Schumacher dando voltas em cima de Rubinho. O próprio Ronaldo foi elegante e simpático em redes sociais ao cumprimentar o alemão pelo feito. Tão educado quanto é um gentleman Miroslav. De atitudes como atleta e como homem sempre elogiáveis. Dentro e fora de campo.

O que, talvez, tenha levado essa torcida de brasileiros no apoio explícito ao alemão.

Ou típico do brasileiro que adora detonar ídolos.

Ronaldo bem sabe disso. Mas é dever dizer, também, que o empresário, o comentarista, o membro do COL, o cidadão, o político Nazário também criou inimizades, animosidades, zonas de desconforto.

Por conta disso, mais se critica o RG e a PJ de Ronaldo de Bento Ribeiro e da 9ine que o R9 de todos os campos do mundo.

Adoramos a ideia de que o alemão possa superar o brasileiro como se fosse Schumacher dando muitas voltas em Rubinho.

Em rápida pesquisa por redes sociais, levantei a bola a respeito do tema:

Por que gostamos detestar Ronaldo? Ou por que queremos que Klose o supere?

Tem para todos os gostos e desgostos.

Torcedores do Flamengo por ele ter optado em atuar pelo Corinthians.

Torcedores de Santos, Palmeiras, São Paulo e outros clubes pelo mesmo motivo.

Cidadãos pelas declarações a respeito de hospitais, repreensão às manifestações e atitudes como membro do COL.

Brasileiros insatisfeitos com as várias atuações dele dentro e fora de campo, nos negócios e na vida privada – que, aqui, apenas a ele cabe, mas que, pelo tamanho de R9, acaba entrando em pauta.

Eleitores do PT pelo explícito apoio a Aécio.

Eleitores do PT pelas últimas críticas ao governo.

Eleitores do Aécio por ele não entrado antes na barca tucana.

E mais um monte de motivos. Alguns embasados. Outros pesados. Mas todos com suas razões e emoções.

Ainda assim acredito que o mundo estranhe tanto brasileiro torcendo contra um ídolo nacional. Mundial.

É próprio do Brasil.

Algo que R9, pelo zelo que tem pela imagem, precisa reconstruir.

Urgente. Se não pelas pretensões profissionais, pelo respeito a uma carreira que jamais deveria ser colocada em questão.

Como o mundo do futebol muito bem viu em 2002.

Quando, em 2002, no confronto direto, ele encerra discussões em relação a Klose. Dois gols no Japão, dois gols que valeram o mundo.