E não é que a tecnologia ajuda?*

Leia o post original por Antero Greco

Futebol sem polêmica não tem graça nenhuma. Igual carne sem sal, chope quente e lanchinho de avião. Um lance rápido, como o do pênalti de Chiellini sobre o costa-riquenho Campbell, rende discussões intermináveis, seguidas de teorias de conspiração. Um impedimento mal marcado ou mal ignorado não se esquece jamais. Enfim, o que seria do joguinho de bola se não houvesse a dúvida?

Continuo na turma dos que gostam de boa conversa fiada a respeito de momentos cruciais de uma partida, seja amistosa ou de Copa. Mas admito: bacana essa bossa de colocar chip na bola e sensores nas traves, sob a grama e sei lá onde. Só para apontar se ela atravessou a linha fatal, mesmo que não tenha beijado as redes.

Gol é sagrado, com ele não se brinca. Angústia danada sente torcedor ao ver gol legítimo anulado por dúvida do árbitro. Ou irregular confirmado por motivo semelhante. Até hoje, ingleses e alemães trocam acusações por lance na prorrogação da final do Mundial de 66.

Sabe como foi? O jogo estava no 2 a 2, quando o inglês Hurst arrematou para a meta de Tilkowski, aos 11 minutos do primeiro tempo suplementar. A bola bateu no travessão, no chão e o suíço Gottfried Vinst confirmou o gol. Depois, veio o quarto, e o título para os súditos da rainha Elizabeth.

Na África do Sul, em 2010, Lampard fez um golaço para a Inglaterra, contra a mesma Alemanha, que passou batido pela arbitragem. Injustiça que se evitou em dois momentos, nesta fase de grupos do nosso Mundial: no gol de Benzema, o segundo da vitória da França sobre Honduras, e no de Ruiz diante da Itália, no Recife.

A Fifa dá muita bola fora, mas essa foi dentro – a tecnologia comprova. Nem por isso seca a fonte de divergências. As controvérsias continuarão a existir em diversos outros momentos que dependem só do olhar e da interpretação humanas. Para dar tempero ao jogo.

*(Parte de minha crônica publicada no Estado de hoje, domingo, 22/6/2014.)