Tik Taka nasceu em 70 encantou 82 e reviveu com a Fúria

Leia o post original por Mion

O alívio de muitos brasileiros ao ver a queda do “império espanhol ” no futebol comprova a mediocridade que cercou o futebol brasileiro tanto dentro quanto fora de campo. Parece até a queda da Fúria solucionar todos os problemas do nosso futebol e recuperar aquilo que perdemos ao longo dos anos. A Espanha derrotada, não significa Brasil voltar a ser país do futebol. Talvez a maior mágoa seja a falta de capacidade de entender: Tik Taka nasceu no Brasil, com jogadores altamente técnicos e talentosos. Largamos porque determinaram que jogar assim era ultrapassado. Espanhóis, como o próprio Pep Guardiola já declarou dezenas de vezes, apenas copiaram e adaptaram ao futebol atual.

Voltando ao passado, a seleção de 70 que encantou o mundo e decretou Brasil como o melhor do mundo, tem muita semelhança à Espanha e muito mais com o Barcelona. A sorte das demais seleções mundiais é Messi ser argentino. Na Copa do Tri a seleção jogava com Clodoaldo único volante, Gerson, Rivelino, Pelé, Tostão e Jairzinho. Todos em seus clubes atuavam como meia armador ou meia atacante. No Barça não foi diferente: Busquets é o único volante, Xavi, Iniesta, Fábregas, David Villa e Messi executavam funções equivalentes. Tostão nunca foi 9 assim como Fábregas também. A diferença da Espanha para o Brasil, é que o Pelé deles, Messi, jogou apenas no Barça. Não estou comparando jogadores, apenas falando em termos de estrutura tática.

As coincidências são interessantes. Busquets (Clodoaldo) dava início às jogadas, passava para Xavi (Gerson) que distribuía ou lançava. Messi (Pelé) partia driblando em direção ao gol. Iniesta (Tostão) esbanjava talento tanto na armação quanto finalização. Veloz, David Villa (Jairzinho) sempre entrava em diagonal para fazer gols e Fábregas (Rivelino) jogava mais pelo lado esquerdo para ludibriar marcação. O desenho parecido e todos talentosos.
O Brasil tem plenas condições de recuperar as suas características, basta largar a tendência europeia de formar jogadores apenas velozes e fortes. Na verdade o futebol brasileiro deve ser grato aos espanhois. Conseguiram acabar com aquela história de que jogando bonito não ganha nada imposta após a derrota daquela seleção maravilhosa de 82. A Fúria quebrou esta escrita e mostrou que dá sim para jogar bonito e ganhar títulos. Em quatro anos venceu duas Eurocopas (melhor seleção europeia) e ganhou a Copa. A dica está aí é só o Brasil acordar e entender a Espanha apenas emprestou algo que naturalmente é brasileiro.

PS. – Pode ser coincidência, mas em 70 o quarto-zagueiro era Wilson Piazza, originalmente volante no Cruzeiro. No Barça o volante Masquerano jogou de quarto-zagueiro com Guardiola.