Brasil precisa parar de tremer e Felipão tem que chamar a responsabilidade; jogo diante de Camarões é uma chance de ouro

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Felipão convocou o grupo de jogadores sem experiência em Copas do Mundo.

Rivellino, tricampeão em 70, me disse que a pressão é realmente diferente. Até quem não treme em decisão de clubes pode fazê-lo nos confrontos importantes das seleções.

O saudoso Dr. Sócrates certa vez também comentou comigo isso.

Scolari sabia da possibilidade quando escolheu os 23 atletas.

Precisa ter um plano para lidar com o problema.

O confronto diante de Camarões é a grande chance de começar a mudar o cenário desfavorável.

Obrigação do comandante

A lista de seleções que jogaram na Copa do Mundo ao menos uma partida superior às do Brasil diante de Croácia e México é enorme.

A fortíssima Alemanha, a competente França, a inacabada Argentina, o guerreiro Uruguai, a surpreendente Costa Rica, o inteligente e leve Chile, a ofensiva Itália, a veloz Holanda e até a eliminada Inglaterra, além de algumas outras, já mostraram mais futebol.

Sou da turma dos que confiam no trabalho de Felipão e creem na evolução do selecionado, entretanto fiquei com impressão ruim do time no 0×0 da última terça-feira.

A quantidade de atletas rendendo aquém do normal nas partes técnica e tática foi impressionante.

Me questiono se a equipe está suportando a pressão de atuar em casa.

Repare nas entrevistas dos brasileiros; são cheias de desculpas e explicações vazias, protocolares, ditas de maneira serena com palavras premeditadas pelos boleiros incapazes de esconderem suas expressões de preocupação.

Os representantes doutras nações mantêm a espontaneidade. Sofrem, vibram, se divertem, cada qual de acordo com a própria realidade.

Vivem o empolgante torneio sem o objetivo de moldar os pensamentos de quem os apoia.

Os únicos postulantes ao hexa parecem amarrados.

Aqui de fora, a impressão é que a tensão ruim, aquela capaz de travar qualquer equipe dentro de campo, tomou o lugar da boa que impulsiona os campeões nas horas das dificuldades e costuma acompanhar as vencedoras ‘famílias Scolari’.

O treinador tem de resolver isso.

É dele a liderança do grupo de profissionais da bola sem experiência em Copas do Mundo.

Deve achar o jeito de absorver quase todo peso.

A sorte dele é que Camarões tem problemas maiores, como o elenco rachado e o estrelismo de Eto’o, além de jogadores piores.

Se fosse uma equipe humilde e ajeitada, poderia tirar proveito do momento do anfitrião. Mas, em tese, não possui condições de fazê-lo.

Maior desafio

Quem não gosta dos trabalhos de Scolari ao longo de sua carreira recheada de títulos importantes, costuma dizer que ele não é competente ao preparar os times e nem possui grande conhecimento tático, mas sabe motivar o elenco e mantê-lo unido.

Eu discordo.

De qualquer jeito, o treinador rodado, experiente, vive seu maior desafio da carreira como líder

O texto do post é a reprodução da minha coluna de sábado no Lance