Itália 0 x 1 Uruguai. Jamais dê às costas ao Uruguai

Leia o post original por Mauro Beting

 

Não tem Copa do Mundo sem “grupo da morte” – e este foi ainda mais letal pelos imensos méritos de Costa Rica.

Não tem Copa do Mundo sem “Batalha” de algum lugar. E esta cancha foi Natal.

Batalha terrestre em solo nada santo com pancadas para todos os desgostos. Batalha aérea vencida pelo gigante Godín que deu de ombro (não de ombros à peleja) para vencer o insuperável Buffon e dar a vitória ao Uruguai.

Buffon foi Buffon. A Itália foi quase sempre a Azzurra. Mas o Uruguai também foi o espírito impressionante que consegue se superar em um jogo igual. Definido pela infelicidade de Marchisio, que foi merecidamente expulso, aos 14 do segundo tempo, ao deixar o pé na perna de Arévalo Rios. Suárez mordeu e cabeceou Chiellini, que também deixou o cotovelo no rosto do atacante uruguaio mais tarde. O correto seria o vermelho para os dois. O árbitro mexicano nada fez. Logo depois, de ombro, o zagueiro Godín subiu mais que todos e fez o gol da classificação celeste.

A Azzurra ainda tentou buscar o empate que classificaria a tetracampeã. Criou lances, Buffon foi ao ataque, mas não foi possível como foi em 2006. Em 1982. Em 1938. Em 1934. E ainda será tantas vezes a Itália quando for guerreira e valente e técnica e tática e física. Algo que nem sempre conseguiu ser mesmo na vitória em Manaus. E, principalmente, em dois jogos disputados 13 horas, em cidades quentes como Recife e Natal.

Não é a temperatura que justifica. O calor é para todos – um pouco mais para os europeus. Nem pode, como bem disse Buffon, dar todo o débito pela eliminação prematura à arbitragem. Ainda mais com duas derrotas seguidas e sem um gol sequer marcado. E com o pênalti muito claro não marcado de Chiellini em Campbell.

Os azzurri tentaram. No primeiro tempo, uma falta perigosa de Pirlo, e só – embora tenha sido um pouco melhor que o Uruguai, que teve um lance apenas, em que Buffon fez duas defesas que só um jovem de 36 anos poderia fazer.

Prandelli mudou novamente a equipe. Montou o núcleo duro da Juve com três na zaga, Darmián e De Sciglio pelas alas (mas um tanto presos), Pirlo como regista arretratto pensando o jogo, Verratti (muito bem marcando e saindo para o jogo) com Marchisio, Balotelli saindo mais da área (mas sentindo o jogo) e Immobile mais por dentro (mas com menos mobilidade).

O Uruguai começou com o 4-4-2 esperado, quase um 4-3-1-2 com Lodeiro chegando mais. Mas, logo depois, espelhou taticamente o 3-1-4-2 italiano. Mas adiantando Cebolla Rodríguez como enganche, transformando González e Alvaro Pereira como alas, em um 3-4-1-2. Giménez e Cáceres foram os zagueiros pelos lados, e o caudilho Godín foi o zagueiro e líder na sobra.

Na segunda etapa, sem Mario (que parecia ter sentido várias pancadas durante o jogo), o meia Parolo entrou para cadenciar o jogo, com Immobile apenas à frente. O Uruguai veio à frente, mas sem tanta contundência até a expulsão de Marchisio. Prandelli trancou a Itália no 5-3-1, mas sem esquecer do ataque. Ainda era jogo igual. Placar também pela defensa monumental de Buffon em tiro de Suárez.

Parecia que, mesmo com um homem a mais, e melhor fisicamente, o Uruguai não criava tanto. Estaria entregue e sem ideias não fosse o time que é. Os jogadores que são. A camisa que vestem. O Uruguai o que é.

Não jogou tão bem. Não joga tão bonito. Arrepia a regra como também os italianos arrepiaram. Mas é o Uruguai.

Respeite-se.

Sempre.

Um time que morde ombro e faz gol de ombro.

Jamais dê de ombros ao time celeste.

Jamais vire as costas para os uruguaios.