Chuteira é pra estrear. Não para estrelar

Leia o post original por Mauro Beting

Sei que faz parte do jogo. Do negócio do futebol cada vez mais negócio e menos futebol. Mas chuteira é para estrear. Não para avisar ao mundo antes de calçá-la que ela é dourada, tem nomes das pessoas queridas, ousadia e alegria.

Falo da dourada de Neymar. Garoto de ouro. Craque cada vez melhor e maior. Ainda mais se soltar mais a bola que tanto adora. E por ela é idolatrado.

Do Jornal Nacional a todos os noticiários das nações se falou e se mostrou a chuteira. Claro que, na Globo, e creio que em outras emissoras, tanto se tentou não mostrar a marca. A Nike.

Mas até Ricardo Teixeira, que nada sabe de futebol, sabe muito bem quem patrocina o craque. Entre as marcas esportivas. Por que nem o competente e atento staff do atleta deve saber de cor o tanto de marcas que merecidamente patrocinam Neymar. Sem contar as outras tantas que adorariam ter um craque jovem, com ousadia e alegria, para apresentar seus produtos e serviços. Neymar é cracketing. Adoro. Como jogador e pessoa. Como fã do futebol e brasileiro. Como jornalista e autor da autobiografia dele e do pai dele.

Até por isso a Nike poderia deixar quieto a berrante e marrenta chuteira. No solo das Minas Gerais, no sol das 13 horas, não há quem não verá o brilho da chuteira dourada calçando pés tão brilhantes. Não precisa avisar antes. Deixa jogar. Just do it!

Mesmo se fosse um par de chancas quaisquer, elas valeriam ouro por calçar os pés privilegiados. Focados. Talentosos. Aqueles que seriam os melhores em campo mesmo descalços. Pela capacidade rara de jogar vestido como se estivesse nu.

A Nike é craque de mídia. Mas também dá brazucas fora – não fosse a pelota da Copa da Adidas. Anunciar aos tantos ventos e todas as mídias a estreia de uma chuteira de ouro é pedir para a Nike – e não Neymar – levar ferro. É pedir para cada jogador chileno dar um pisãozinho em Neymar durante o jogo para “estrear” a chuteira, como se faz em escola com tênis novo de colega.

Em jogo eliminatório, em partida que vale o mundo, não há dinheiro no planeta que justifique tanto auê que também compramos na mídia. Era só calçar e jogar. Dando certo, como tem tudo para dar, aí sim vira pauta a chanca de ouro do menino dourado. Dando errado, como pode dar mais gana para o ótimo time chileno que pode exacerbar a questão para um exibicionismo caro (mas cada vez mais comum no mundinho Fashion da bola), vão cobrar da Nike (e, por tabela, de Neymar) uma conta que não passa pela cor da chuteira.

Mas que fica como imagem. Como tudo agora é mais a imagem externa que a qualidade imensa de quem calça a chuteira.