Mordidazo

Leia o post original por Mauro Beting

Ghigghia calou o Brasil no Maracanazo de 1950.

Suárez cravou os dentes proeminentes calando fundo no ombro de Chiellini como presente de Natal em 2014.

Um lance é futebol. O outro também é. Ainda mais com Suárez. Ainda mais quando a camisa celeste está em campo.

Não é do uruguaio isso. É do futebol deles. Nem sempre devidamente admirado. Muitas vezes pouco respeitado.

E aí o mundo se perde como Suárez se perdeu nesta Copa do Mundo que vai se tornando a melhor Copa América da história.

Suárez que sai mordendo não por ser do Uruguai. Talvez pela infância infeliz de Salto. Mas, certamente, por ser Luisito o cara sem pavio. Explosivo. Impulsivo. Colérico. Nada cordial.

Um animal. Canibal. Fosse tibetano ou do Vaticano, Suárez seria esse cara pouco confiável.

Mas um senhor atacante.

Ele não perde lances. Mas se perde mordendo inimigos mais que adversários. Ele se perde insultando Evra por ser negro.

Perde muito. Quase tanto quanto ganha.

Merece perder a Copa por suspensão.

O Uruguai é que não merece perdê-lo como ficou sem ele na semifinal de 2010 contra a Holanda. Expulso que foi no Soccer City nas quartas ao fazer a melhor defesa com as mãos de um uruguaio naquela Copa. O que Muslera só foi defender nos pênaltis contra Gana, Luisito defendeu ao salvar aquela bola sobre a linha.

Naquele lance, o mesmo instinto que o fez perder a cabeça e os dentes em Chiellini (outro que não é chuteira que se cheire) o fez se sacrificar pelo Uruguai.

Ali tinha motivo. Agora, não.

É irresponsável. É injustificável.

Mas é Suárez.

Não é cruel como outro sobrenome forte. Ele não bate mais e não é tão desleal quanto Forlán. O pai do seu atual companheiro.

Na Copa de 1974, no baile holandês, entre outras patadas dele e dos companheiros, Pablo Forlán derrubou Neeskens e não pisou sobre o joelho do rival. Ele pulou sobre a perna caída do holandês. Por sorte nada aconteceu. Por sorte dele não tinha comissão disciplinar da Fifa atuante.

Para sorte dele, o pai Pablo, o filho Diego levou o nome Forlán a outro patamar em 2010. Algo que Suárez botou a boca onde não devia em 2014.