Crise de Gana começou no dia 17; Fifa pressionou por pagamento

Leia o post original por blogdoboleiro

No último dia 18, a rádio Joy FM de Acra revelou que os jogadores de Gana estavam revoltados com a falta de pagamento e com o técnico Kwesi Appiah. Os jogadores ganeses não gostaram da história revelada e Asamoah Gyan, capitão do time, interpelou o repórter Tony Bieble que chegou a garantir que a notícia não tinha partido dele.

O assunto foi tratado em público pelo site oficial da Federação de Futebol de Gana.

Mas o clima na delegação de Gana já estava ruim. Kevin-Prince Boateng já tinha entrado em atrito com o técnico Appiah, por ele ter tomado a defesa dos dirigentes da Federação. O jogador foi um dos líderes do movimento que ameaçou uma greve nesta quinta-feira se a premiação referente à classificação para a Copa do Mundo não chegasse em 24 horas e em dinheiro.

A ameaça de greve com o W.O. diante de Portugal no horizonte fizeram com que a Fifa entrasse no circuito, cobrando uma decisão rápida dos cartolas ganeses. A entidade ainda vai pagar a cota de Gana por ter disputado a primeira fase do Mundial. O governo de Gana enviou então os três milhões de dólares (cerca de R$ 6,7 milhões) num jato cujo voo e aterrissagem em Brasília foram autorizados pelo governo brasileiro.

O dinheiro, segundo a rádio Joy FM, está com os atletas, o que provocou um aumento de número de seguranças no hotel em Brasília. Afinal, com o noticiário de que cada atleta tem US$ 100 em espécie, ladrões poderiam se interessar. Ontem, era possível ver um atleta beijando um maço de notas. Não é incomum receber premiação em espécie no futebol ganês.

Mas o que parecia ser o ponto final na crise acabou se tornando apenas no fato inicial. Agora, o clima anda tenso. Os ganeses vão ao jogo sem dois titulares que foram descredenciados: Boateng pelo bate boca que teve com Appiah e Sulley Muntari por ter agredido um integrante da comissão técnica.

Boateng jura que não ofendeu ninguém. Falou com o jornal alemão Bild e garantiu ter sido expulso sem saber o que fez. Ausou Appiah de tê-lo ofendido. Já Muntari deixa o Brasil com a imagem de quem agrediu um companheiro de delegação, mas com a fama de ser um cara capaz de distribuir dinheiro para os pobres. Foi o que fez na última quinta-feira, no bairro do Trapiche, em Maceió: andou pela comunidade dando dinheiro em espécie para as pessoas. Ele banca uma ONG em Gana que atende cerca de 500 crianças soropositivas de Aids.    

Kwesi Nyantakyi, presidente da Federação de Futebol de Gana, terá que dar explicações ao governo do país africano, assim que a delegação retornar. Ele torce – e muito – para que o time resolva correr, mesmo depois dos incidentes. Voltar com mais uma derrota não parece uma das situações mais confortáveis para o dirigente.