Suárez, hora de deitar no divã

Leia o post original por Antero Greco

Há sensação de justiça com os 9 jogos de suspensão que Luiz Suárez tomou por ter mordido o italiano Chiellini, no jogo de terça-feira, e que garantiu vaga para o Uruguai nas oitavas de final. O atacante fica fora do Mundial e ainda deverá cumprir parte da pena nas eliminatórias para a Copa de 2018. A dentada saiu caro.

Não vou justificar violência no esporte, ainda mais quando se manifesta de maneira tão tosca. Suárez merecia uma reprimenda e tanto, principalmente por ser reincidente nesse tipo de agressão. (E isso deve ter sido levado em conta pela Comissão de Disciplina.)  Já enfrentou punição semelhante na Inglaterra, pelo mesmo motivo. Porém, considero pesada a sentença da Fifa.

O gesto maluco não poderia passar em branco. Caso contrário, abriria caminho para novas dentadas e atitudes bizarras. Mas a abrangência do gancho poderia tomar esta edição do Mundial como base. Ou seja: se ficasse em quatro jogos, impediria que Suárez continuasse na campanha da “Celeste”, desde que ela chegue à decisão. Se caísse antes, daí sim cumpriria nas próximas Eliminatórias.

O afastamento adicional por quatro meses agrava a situação e terá reflexos negativos no trabalho dele no Liverpool. Quer dizer, o clube também pagará por isso, mesmo que a falta tenha sido cometida quando o jogador estava a serviço da seleção do país dele. Esse ponto ainda poderá ser revisto em tribunal internacional, ao qual clube e jogador recorrerão em breve.

Suárez tem um desvio de conduta, isso parece claro. Pontapés, empurrões, cotoveladas, socos, por mais canalhas  que sejam, fazem parte do universo do futebol. Provocam revolta e merecem repressão – nem se discute. Mas morder é esquisito pra caramba, sai da curva desses recursos “naturais” do jogo. Daí por que chama mais a atenção, mesmo que tenha causado dano mínimo, ínfimo, ao agredido. Não se compara a um dente, a um maxilar, a uma perna quebrados por cotovelos ou pés maldosos.

O uruguaio superou recentemente uma operação no joelho que quase o afastou da Copa. E despontou como herói ao marcar os gols da vitória sobre a Inglaterra. Agora, depois dessa derrapada, precisa analisar as razões que o levam a comportar-se de maneira incontrolável.

Hora de deitar no divão do analista. E, ao mesmo tempo, torcer para que o Uruguai, daqui por diante, se saia bem dos desafios sem ele. Desafio complicado.