Chiellini, nobre, defende Suárez; meus aplausos ao grande futebolista italiano

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Eis que me deparo logo cedo com as declarações de Chiellini defendo Suárez.

Enquanto o mundo dos moralistas incriminou o uruguaio, o zagueiro italiano tratou do assunto da mordida como um verdadeiro jogador de futebol deve fazer.

Respeitou a essência do esporte que lhe garante o ganha-pão e se manifestou, mesmo sem pedirem, sobre o tema.

“Dentro de mim, agora, não sinto alegria, ira ou vingança a respeito de Suárez por um incidente que acontece em campo e que fica ali. A única coisa que sinto é raiva e decepção pela partida perdida”, escreveu no Facebook

O verdadeiro futebolista aprende a maior lição do esporte.

O apito inicial abre as portas do mundo lúdico cheio de provocações, malandragens e entradas duras na disputa de bola.

Mundo que permite até ao atleta dar uma pancada, se necessário, no rival.

E depois disso tudo, quando acabam os 90 minutos, cada indivíduo digere tudo, entende a situação e aprende a respeitar o rival.

O futebol, para quem gosta de verdade dele, é uma lição de desprendimento, humildade e dedicação.

Vou dar um exemplo do que acontece na várzea, onde não há seguranças, televisão e outras garantias.

A arbitragem costuma ajudar o time da casa.

Mesmo assim, no fim do confronto, costumo pedir aos jogadores (sou técnico) que cumprimentem os adversários.

Como são seres humanos e não robôs com ações lineares e repetitivas, houve momentos em que isso não aconteceu e teve briga.

Mas, em regra, há o respeito.

Até porque após a briga há uma reflexão que gera o aprendizado.

Esta é a essência do futebol.

Quem repudia isso, não gosta do esporte, apesar de achar que aprecia,pois ele nunca foi diferente disso.

Na várzea, Suárez apanharia por causa mordida.

No âmbito profissional, isso não acontece.

A lição de Chiellini vai além das quatro linhas.

É humana, tal qual a palavra sugere de maneira positiva, apesar da humanidade ser destrutiva, preconceituosa e nociva para toda a natureza da qual o homem simplesmente é mais um indivíduo mesmo sem perceber essa noção.

“No momento, meu único pensamento é para Luis e sua família, porque eles terão de enfrentar um período muito difícil”, comentou o zagueiro italiano.

Chiellini se colocou no lugar do uruguaio, coisa que os moralistas não fazem.

Esse chamaram Suárez de doente mental, sociopata, criminoso…

Respeitei as opiniões de quem discordou de mim e, agora, também do Chiellini.

Mas os julgamentos foram tristes e previsíveis.

Suárez errou pelas razões que escrevi no primeiro post sobre o tema.

Reprovo o que ele fez. Tinha que ser expulso e pegar uns 3 jogos de suspensão.

Mas não é um bandido por causa das 3 mordidas.

Despreparado para a tensão, desequilibrado ou explosivo definem melhor o problema de Suárez.

Por isso acho que precisa de ajuda e comentei.

Querer o bem do semelhante não é pecado.

É melhor do que ‘sangrá-lo’ e vibrar com a desgraça dele.

Chiellini achou a punição exagerada.

Sempre considerei acima de erros a ação disciplinar por parte dos organismos competentes. Mas, no mesmo momento, sinto que é excessiva a fórmula proposta. Espero sinceramente que permitam a ele ficar ao menos perto de sua equipe durante as partidas – porque, para um jogador, tal proibição é muito alienante”, opinou.

Com meus aplausos fortes, e agora também com admiração ainda maior da que tinha pelo bom futebol do zagueiro, encerro meus posts sobre o assunto.