Zebras, surpresas e chutes furados

Leia o post original por Mauro Beting

Em 2011, quando Mano Menezes chamou pela primeira vez Fernandinho, fiz aquela cara de “mais ou menos” do Poderoso do Pânico. Não achava ruim, longe disso. Mas não sabia se era o caso.

Então, se alguém perguntasse quem estaria em 2014 no Brasil titular, citaria Neymar (como já se poderia supor antes mesmo de ele estrear no time principal do Santos), Pato e Ganso. Cogitaria ainda um lugar para Kaká. Ou quem sabe Ronaldinho Gaúcho. Talvez Robinho. E quem eventualmente se firmasse na frente. Como o próprio Fred.

Luiz Gustavo em 2011? Desconhecia.

Como, pelo meu bolão da firma, não é difícil entender o porquê de tantos erros nos vaticínios e projeções para o futuro da Seleção.

Basta conferir as oitavas palpitadas:

Até que não comecei mal. Deu a lógica no grupo do Brasil, ainda que com mais sufoco que o esperado para o time de Neymar. E nem de Pato e nem de Ganso. O adversário era o esperado: Chile. Seleção que jogou melhor do que eu esperava. Bem melhor.

Foi o único jogo que acertei em cheio junto com Argentina x Suíça.

Dos 16 classificados, só 9 acertei.

No bolão da minha família, estou no G-8. Na sétima posição. É indiferente o fato de serem apenas sete participantes.

Mas a culpa não é só minha.

É da Espanha que não foi a campeã do mundo e deixou a Holanda gostar de ser Holanda. O time que enfrenta o México, que fez Copa além do imaginado e superou a Croácia que eu acreditava.

A Colômbia fez mais do bastante que eu aguardava. E sem Falcão Garcia. Mas com James Rodríguez. Enfrenta o Uruguai por quem eu esperava apenas o terceiro lugar. Quem manda esperar pouco de quem alcança muito além, na bola e na boca?

É quase o raciocínio que usei para apostar na Grécia. Não gosto do futebol deles. Mas respeito. Em um grupo equilibrado, não necessariamente bom, passou. Para o jogo inesperado. Contra Costa Rica. O time que tornou o Grupo da Morte letal como nenhum outro nesta e em quase todas as Copas.

A França é muito melhor que o imaginado. E seria ainda melhor com Ribèry. Deu a lógica no grupo fraco. Mas com ela jogando bem e bonito. Enfrenta a Nigéria que cresce e teve boa arbitragem para superar a Bósnia que eu favoritava como segunda do grupo.

A Argentina, apesar da defesa, vai ser muito mais do que foi. Por Messi. Por Di María. Pela camiseta. Pela gente que a veste. É favorita contra a Suíça inversa à lógica helvética, de bom ataque e defesa discutível. Outro duelo fácil de palpitar antes de a Copa começar.

Como era fácil imaginar a Alemanha indo longe. E seguindo ainda mais por enfrentar a zebra da Argélia. Capello fez pouco com um time russo traído pela granja de Akinfeev. Mérito para os africanos que se aproveitaram. Mais um chute furado meu.

A Bélgica jogou menos que o esperado e o possível. Mas fez o dever aguardado. E vai além. Se, claro, a boa surpresa dos EUA não atrapalhar como já aprontou contra Portugal, minha aposta de segundo lugar no grupo complicado que ainda tinha Gana jogando. Antes de a grana complicar.

Eu sei que você não me perguntou.

Mas eu vou cair do muro de novo.

Brasil x Colômbia. França x Alemanha de um lado.

Argentina x Bélgica. Holanda x quem vencer nos pênaltis de Costa Rica e Grécia (mais para os gregos).

É isso.

Mas não deve ser isso ao final das contas e chutes.