Sorte, Julio César, David Luiz, proposta defensiva, oscilações e pouca criatividade do Brasil na dramática classificação contra o Chile

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Brasil 1×1 Chile (3×2 nas penalidades) 

Tática

Felipão escalou Luiz Gustavo e Fernandinho de volantes e pediu para Hulk e Oscar atuarem na linha deles quando o Brasil não tinha a bola.

Era óbvio que o Chile ficaria mais tempo com ela.

Tem variações táticas, entrosamento, toque de bola superior, se movimenta melhor e proposta ofensiva.

Neymar atuou  entre o quarteto no meio e Fred.

Os treinadores não surpreenderam um ao outro.

Sampaoli acertou ao escalar o trio de zaga.

Precisava reforçar a jogada área e seu zagueiros são baixos.

Silva tem 1m78, Jara 1m74 e Medel, o da sobra e mais técnico deles, apenas 1m71.

Com Aranguiz e Diaz de volante, Vidal na meia, além de Isla e Mena nas alas, igualou o número de atletas do Brasil no meio-campo quando Neymar recuou.

Sem a volta do brasileiro, o Chile podia ficar com um a mais na região aonde o andamento do confronto é definido.

Alexis Sanchés e Vargas foram os atacantes. O primeiro cooperou mais na criação e seu companheiro executou a função de falso centroavante.

Como são rápidos e se movimentam bastante, preocuparam os laterais Daniel Alves e Marcelo, que apoiaram com prudência.

As propostas de jogo chilena foi ofensiva.

E a do Brasil conservadora.

A maior prova disso foi o uso de Oscar e Hulk na linha dos volantes.

Isso provocou a distância entre eles e Neymar, e mais ainda em relação ao Fred, e dificultou a possibilidade de acontecerem tabelas em lances bem trabalhados.

Os lançamentos longos para eles, avanços de Hulk e Oscar pelos lados para tentarem os cruzamentos, e as jogadas individuais do líder técnico da seleção foram as opções ofensivas do time.

Brasil melhor

A proposta de Felipão prevaleceu no 1° tempo.

O meio de campo funcionou na parte defensiva e cumpriu a missão primordial de evitar que o Chile encontrasse espaço.

Os lançamentos longos para Neymar deram trabalho à equipe de Sampaoli.

Silva sofreu para marcá-lo e Isla deixou brechas.

O gol aconteceu de forma previsível, depois da cobrança de escanteio.

Houve mais chances.

O time só não foi ao vestiário em vantagem no placar porque Hulk errou um passe tolos e os chilenos aproveitaram as brechas na defesa, que estava postada para aquele do confronto e não esperava a gafe de Hulk.

Chile superior

Os chilenos mandaram no 2° tempo porque venceram o duelo no meio de campo.

Empurraram o Brasil para perto da área de Julio Cesar.

Criaram chances de virar o jogo, mas pararam no goleiro ou falharam nas finalizações.

Gutierrez, meia, substituiu Vargas aos 11 para dividir a criação com Vidal. Luiz Gustavo cuidava do titular e Sampaoli quis aproveitar o mau momento do sistema de marcação brasileiro para fazer o gol.

Felipão tentou resolver o problema de transição de bola substituindo Fred por Jô. O centroavante precisava ganhar a disputa quando recebia o lançamento longo, pelo alto, diretamente da defesa ao ataque.

Mas Jô foi pior que Fred.

E o treinador, 15 minutos depois, tirou Fernandinho e colocou Ramires. Manteve Paulinho no banco.

O problema não estava no volante, apesar de ele parecer cansado.

O Brasil não prendia a bola porque Oscar foi sacrificado na marcação pelos lados e nem tinha como se movimentar para buscar espaços.

Foi obrigado a priorizar os desarmes.

Obviamente, nada mudou.

Aos 41, Pinilla, centroavante de área, substituiu Vidal, pois o titular atuou no sacrifício e estava, sem exageros, esgotado.

Vantagem física

Na prorrogação, os chilenos estavam extenuados.

O Brasil, por isso, voltou a tomar conta do meio de campo e a mostrar suas dificuldades na criação.

Ocupou o campo de ataque e ficou cruzando bolas na área.

Nem depois da saída de Medel, outro que foi além do limite físico,  e da entrada do pouco confiável Rojas, os comandados de Felipão pressionaram de verdade.

Willian entrou no intervalo na vaga de Oscar e não mudou o panorama do jogo.

Sorte ou azar, dependendo do ponto de vista

O Chile cozinhou o jogo na prorrogação para levá-lo à prorrogação.

Os jogadores não tinham condições físicas para competir de igual para igual.

A única opção eram os contra-ataques com Alexis e Pinilla.

No fim da prorrogação, o centroavante acertou o travessão de Julio Cesar num lance desses.

A sorte estava com o Brasil, e o oposto dela ao lado dos chilenos.

O lance entrou para a história da seleção andina. Será contado nos livros que tratarem dela.

Por centímetros a vaga não foi conquistada.

Julio Cesar, o herói

Sorte e azar são fundamentais no futebol.

O chute de Pinilla no travessão indica que ela estava ao lado do Brasil.

Outros aspectos importantes nas penalidades são as partes física, na qual a seleção de Scolari está melhor, e a emocional, em que o Chile tinha vantagem, e a técnica, que era imprevisível.

As pernas pesaram para boa parte dos cobradores, que foram mal nos chutes.

Neymar foi na última cobrança brasileira, quando o Mineirão silenciou.

E Julio Cesar fez a diferença na parte técnica.

Suas defesas evitaram o fim da participação brasileira na Copa do Mundo.

Arbitragem

Não houve nenhum pênalti no jogo.

O árbitro poderia ter amarelado Neymar, mas o realista critério inglês que usou ao não dar empurrões leves na área, como em Hulk, foi o mesmo usado para absolver a estrela do selecionado.

Fiquei em dúvida no gol anulado de Hulk.

De primeira, achei que dominou a bola com o braço (região da manga da camisa).

A reação de indignação do jogador me chamou a atenção.

Revi apenas uma vez e não consegui ter certeza.

Então, enquanto não assistir de novo, acho que a arbitragem acertou.

Notas 

Julio Cesar  (9) – Bem durante o jogo e melhor ainda nas penalidades.

Daniel Alves  (5) – Não comprometeu e nem jogou bem. Está errando muitos passes. A posição dele não permite ou justifica isso.

Thiago Silva (7) –  Cumpriu bem as funções dele.

David Luiz (9) – Jogou machucado, foi bem na parte defensiva e fez o gol no tempo corrido e na primeira cobrança de pênalti .

Marcelo – (5) –  Mediano na marcação e mal na parte ofensiva, merecia nota quatro. Aumentei  a mesma porque acertou a cobrança de pênalti.

Luiz Gustavo (6) – Um pouco afobado de vez em quando, não teve culpa pela queda de rendimento do sistema defensivo no 2° tempo

Fernandinho (5) – Atuação discreta, sem grandes erros e acertos. Saiu quando começou a cansar.

Oscar – (5) – Sacrificado na marcação, sumiu na criação.

Hulk – (4,5) – Guerreiro, foi o mais perigoso do sistema ofensivo, além de cooperar bastante com a parte defensiva. Mas errou no lance do gol chileno e perdeu a cobrança de pênalti. Como foram falhas importantes, a nota dele que seria o 7 cai bastante.

Neymar (6,5) – Se destacou no primeiro tempo, mas sumiu depois e em alguns momentos abusou do individualismo. Foi bem na hora de extrema pressão na decisão por pênaltis.

Fred (4,5) – Se movimentou para receber a bola e acabou sendo vítima da distância entre ele e o meio de campo. Quando ela chegou, não deu sequências aos lances.

Jô (3) – Perdeu gol, não ganhou o duelo por cima apesar de ser bem mais alto que seus marcadores e nem acertou o trabalho de pivô. Tremeu.

Ramires (5) – Discreto. Entregou o arroz com feijão de tempero sem graça.

Willian (3) – Quinze minutos de futebol insosso e o pênalti perdido lhe garantem a nota baixa.

Felipão (4,5) – As alterações não surtiram efeito. O time oscilou bastante. A personalidade forte e vencedora dele ainda não está na seleção brasileira.

Ficha do jogo

Brasil – Júlio César; Daniel Alves, David Luiz, Thiago Silva e Marcelo; Luiz Gustavo, Fernandinho (Ramires), Hulk e Oscar (Willian, intervalo da prorrogação); Neymar; Fred (Jô)
Técnico: Luis Felipe Scolari.

Chile: Bravo; Silva, Medel (Rojas) e Jara; Isla, Dias, Aránguiz e Mena; Vidal; (Pinilla); Vargas (Gutiérrez) e Alexis Sánchez
Técnico: Jorge Sampaoli

Árbitro: Howard Webb (ING)
Assistentes: Michael Mullarkey (ING) e Darren Cann (ING)
Público: 57.714

Nas cobranças de pênaltis: David Luiz (gol), Pinilla (errou), Willian (errou), Sánchez (errou) Marcelo (gol), Aránguiz (gol), Hulk (errou), Díaz (gol), Neymar (gol), Jara (errou).

No vídeo você pode ver explicações com mais detalhes sobre movimentações e episódios polêmicos do jogo.

Atualizando…