Briga deixa assessor afinado com Felipão e desafinado com cartolas

Leia o post original por Perrone

Pouco mais de uma hora antes de Luiz Felipe Scolari se queixar de que a seleção brasileira tem sido muito cordial com seus adversários, Rodrigo Paiva, assessor de imprensa da CBF, havia se envolvido numa briga com jogadores chilenos. A atitude combina com o pedido do treinador para que o time nacional tenha mais a sua cara. Felipão possui um histórico de conflito com os rivais dos times que dirige e em sua primeira passagem pelo Palmeiras chegou a agredir um jornalista, Gilvan Ribeiro.

Paiva acabou suspenso preventivamente por um jogo por causa da suposta agressão ao atacante chileno Pinilla. Não poderá trabalhar durante a partida contra a Colômbia. Ele nega ter dado um soco no chileno. Disse após o jogo de sábado que houve uma confusão generalizada e apenas se defendeu empurrando o atleta adversário.

O episódio, no entanto, aproxima o assessor de Scolari. O blog apurou que o técnico aprovou a atitude de Paiva na confusão. Porém, a presença dele no tumulto destoa do comportamento que a cúpula da CBF exige de seus funcionários. Isso num momento de transição no comando da entidade. No ano que vem, Marco Polo Del Nero, atual vice-presidente, vai assumir a presidência. Ele deve fazer mudanças significativas na direção e no quadro de funcionários da confederação. O cartola prega que seus diretores e subordinados sejam sempre discretos.

Nos bastidores, já há alguns presidentes de federações que pedem que Paiva seja substituído após o Mundial. “Se alguém tem alguma crítica a fazer, eu respeito e entendo. As pessoas não sabem o que o correu. Em 23 anos nunca me envolvi em confusão. Sou conhecido por ter um comportamento completamente oposto a esse. Até agora as pessoas não sabem o que aconteceu de fato, porque até gora só tem uma versão. Nas próximas horas tudo vai ficar mais claro”, afirmou Paiva ao blog.

O assessor também é criticado por dirigentes de federações por supostamente orientar mal Scolari em episódios como quando deu respostas atravessadas a jornalistas chilenos.
Apesar do desconforto causado pelo atrito entre Paiva e Pinilla, a troca de assessor após o Mundial esbarra num acordo entre Marin e seu antecessor, Ricardo Teixeira. O atual presidente assumiu o compromisso de manter a maioria do time do cartola anterior até abril de 2015. A partir de então, Del Nero assume com liberdade para fazer profundas modificações na entidade. Nesse cenário, o entrevero no Mineirão pode interferir no futuro de Paiva, um dos homens mais próximos de Teixeira durante a gestão do cartola.

“Com relação ao futuro, não tenho nada para falar. Estou preocupado com a Copa do Mundo”, declarou Paiva.

Ao mesmo tempo em que a participação do assessor de imprensa na confusão combina com o espírito que Felipão quer na seleção, destoa do modo de o próprio Paiva agir. Poliglota, o assessor tem estilo diplomático em seu trabalho ao lado da seleção. Tempera suas reações em situações adversas mais com alfinetadas sutis e ironias do que com agressões verbais diretas.