A Colombia de Montoya

Leia o post original por Bruno Maia

Cada vez que vejo a Colombia jogar o futebol que pode ser chamado de “o melhor da Copa” até agora, eu penso no Montoya. Quando vejo o James Rodríguez jogar penso que era aquilo ali que nos venderam quando trouxeram Montoya para São Januário. Mesma idade, um toque refinado, muita rapidez de raciocínio, bom poder de finalização e um ar arisco nas pernas contrastante com a cara de bom mocinho, que lhe credenciaria a ser nosso camisa 10, ídolo e tudo mais. Depois que o Conca passou por São Januário, ficou no ar a sensação de que seríamos capazes de buscar nomes alternativos no mercado sulamericano, mais baratos, mas com grande potencial. O tempo passou e até agora Montoya segue sendo um jogador que divide a torcida em duas: os que ainda têm boa-vontade, mas não acreditam muito que ele vá vingar, e os que têm certeza de que já passou a hora de enfiar ele num avião para Barranquilla, de preferência junto com seus compatriotas na próxima sexta-feira!

Eis que leio agora a entrevista em que o nosso genérico de James Rodríguez-genérico diz que “não tem mais desculpa” e que sente falta de sequência de jogos, mas que agora já conhece o país, o estilo e os jogadores do elenco. Adoraria ver lugar para Montoya nesse time e cabe a ele cavar esse espaço. Concordo quando Adílson diz que não pode dar dez partidas para o jogador começar a se soltar. Tem que entrar e mostrar serviço. O que mais me incomoda em Montoya é a sensação de que sempre foge do jogo, em vez de buscá-lo. Mais do que jogar mal, suas atuações costumam ser marcadas pela nulidade. Pouco se vê ele participando da partida, seja para acertar ou para errar. Isso tem muito a ver com personalidade.

Até hoje não sei bem ao certo qual é a posição que ele pode render mais, se é na ligação entre meio-campo e ataque ou como primeiro homem da frente, abrindo pelas pontas. De qualquer forma, com a chegada de Kléber, a concorrência no setor aumentou. É evidente que para o Vasco é bom que Montoya dê certo – e ele mesmo diz pensar em uma vaga na seleção colombiana para a Copa América do ano que vem – até pelo fato do time ter comprado os direitos do jogador. Boas performances, além de resultado, poderiam trazer valorização do nosso elenco.

Quando a Colombia entrar em campo contra o Brasil, na sexta-feira, minha cabeça novamente vai pensar em Montoya. Entre os dois grupos de vascaínos, estou no meio deles, só que mais propenso a preferir vê-lo negociado. E se não James Rodríguez que temos, pelo menos, Martín Silva já está de volta a São Januário